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Assessor de Girão pede desculpas por arrancar faixa na UFRN, justifica acesso a cotas por descendência indígena e corrige Saiba Mais: “Ganho quase R$ 9 mil”

O estudante do curso de Jornalismo da Universidade Federal do Rio Grande do Norte (UFRN) que removeu uma faixa do setor II que trazia a frase de Karl Marx: “Que as classes dominantes tremam à ideia de uma revolução comunista”, entrou em contato com a Agência Saiba Mais nesta quarta (18) para dar sua versão da história, que foi toda registrada em vídeo.

Saiba Mais: Bolsonarista que arrancou faixa na UFRN ganha R$ 7 mil como assessor do deputado Girão e entrou na universidade por cota racial

Por meio de uma carta, Rodrigo Maker, entre outros pontos, criticou a associação de seu nome ao bolsonarismo, apesar das fotos com o presidente e defesa dos mesmos “ideais”; corrigiu o valor do salário divulgado pela matéria, ao invés de R$7.300 brutos, ele disse receber quase R$ 9 mil já com descontos; reafirmou ter feito uso de cotas para entrar na universidade, mas disse que foi por se autodeclarar indígena e ter estudado em escola pública e não por causa da cor da pele e, por fim, pediu desculpas pelo ato de arrancar a faixa. Confira a resposta de Rodrigo na íntegra:

Primeiramente, gostaria de agradecer o espaço, mesmo que tardio, ou seja, após a veiculação da matéria, para o meu direito de resposta.

Quero deixar registrado o meu desapreço por atrelar meu ato como estudante da UFRN, realizado fora do meu expediente de trabalho e dentro do meu horário de estudante, com a minha função de assessor parlamentar do
deputado federal General Girão.

A manchete me chama de bolsonarista. O adjetivo é usado para depreciar e não se aplica a mim, pois torcer e acreditar para que o Brasil dê certo, através de um governo idôneo, ético e moral, nada mais é que ser PATRIOTA. Sobre os meus vencimentos, destaco que o meu salário de assessor é parlamentar é de R$ 5.725,13. Os auxílios que somam R$1.597,42 são respaldados e assegurados a todo servidor, comissionado ou efetivo, do legislativo federal.
R$982,29 de auxílio alimentação e R$615,13 de auxílio escolar para meu filho de 4 anos.
Partindo para o primeiro parágrafo da matéria, o texto diz que “Rodrigo do Nascimento da Silva começou uma briga com outros estudantes…”. Isso não ocorreu. Ao remover a faixa, não me dirigi aos alunos e nem incitei qualquer
tipo de briga com outros estudantes. A minha intervenção foi individual e toda registrada em vídeo publicado em minha conta pessoal do instagram. Logo após a minha ação uníssona, fui cercado por mais de 5 outros estudantes. E
daí iniciamos a discursão sobre o fato de ter arrancado a faixa.

Em sequência ao texto publicado por esse portal, o parágrafo seguinte diz que “Ele se denomina Rodrigo Maker…”. Gostaria de pedir respeito para o uso do meu nome social, de acordo com o Decreto n° 8.727/2016, que regulamenta o uso do nome social, podendo estar relacionado à identidade de gênero ou não, diferente do Nome Civil, ou seja, aquele que foi oficialmente registrado. Portando, não me denomino. Eu me chamo Rodrigo Maker.
No mesmo parágrafo, a matéria me acusa de ironizar o racismo. Nunca o fiz. Pelo contrário, já sofri várias ofensas racistas, por parte daqueles que acreditam que um preto e pobre não pode ter um pensamento contrário ao da
esquerda progressista no Brasil. O termo racista “Capitão do Mato”, por vezes foi proferido a mim. Mas acredito que, diante do debate ideológico, essas pessoas têm a permissividade para serem racistas, pelos mesmos que são
contra o racismo.

A seguir, o texto traz a modalidade do meu ingresso na UFRN, por meio da L4. Corroboro e acrescento que sou neto de indígenas, oriundos da Tribo dos Caetés, da Ilha de Itamaracá-PE. Estudei sempre em escola pública. Ou seja, possuo todas as características que são abrangidas pela Política de Cotas, na qual aderi em 2016. A minha adesão se deu pela deficiência escolar vivenciada como estudante. Sendo aluno de escola pública, se o Estado não foi competente para me dar uma estrutura competitiva para o Enem, sou favorável ao uso das cotas no ensino universitário, baseado na baixa capacidade de concorrer com quem cursou o ensino médio na escola privada. Posso confirmar meu posicionamento, diante de duas aprovações em concurso público federal me abstendo das cotas raciais para concorrer. Aprovado em 9º, como Técnico em Audiovisual no IFRN e aprovado em 5º, como Editor de Imagens na UFRN. Todos sem o uso de cotas raciais. O meu intelecto não está inerente à minha epiderme. Viva a meritocracia!

No parágrafo seguinte, o Saiba Mais diz que meu salário bruto soma mais de R$7.300 por mês. A afirmação está incompleta. Por ser servidor da UFPE e comissionado na Câmara Federal, acumulo meus vencimentos. Na UFPE,
recebo R$2.641,55 mais R$555,08 de auxílio saúde para compensação com gastos com plano de saúde para mim e meus dependentes. Com descontos e cada centavo declarado no Imposto de Renda, ganho quase R$9.000,00 por
mês. Fruto do mérito e do trabalho reconhecido que desempenho na minha atuação profissional. Viva a meritocracia, mais uma vez.

Sobre o trecho da matéria “está participando como convidado do programa Meio Dia RN, da 96 FM, com o par Bruno Giovanni na bancada.” Ressalto que tive a honra de ser convidado por Bruno Giovanni por 3 vezes para participar do Programa de maior audiência do RN. Como estudante de jornalismo, só ouvia falar mal do apresentador, durante as aulas na Universidade. Talvez porque o mesmo lidera, tanto a audiência, quanto os números do comercial rentabilizados por sua capacidade de se comunicar. O mérito favorecendo quem trabalha, mais uma vez. Não sou “par” e nem amigo pessoal do BG. Sou leitor, ouvinte e admirador do seu sucesso. Nada mais.

Quanto à fala do estudante Ítalo Gimenes, não houve agressão da minha parte. Houve revide, baseado na legítima defesa. Sobre o conteúdo da faixa ter me irado, acredito que quem estudar sobre o comunismo, e não se ater aos discursos reverberados por alguns “professores”, vai concordar que a mensagem não deve ser propagada, em
respeito às 110 milhões de vítimas que o regime totalitário e genocida causou.
Por fim, quero pedir desculpas pelo ato de arrancar a faixa de forma incisiva. Foi um momento de fúria e, após refletir, considero que me exaltei na ação de me indignar com o texto exposto na faixa.

Rodrigo Maker
SRT-1965 RN

 

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