Solicitações de amizade? É cilada, Bino!
Natal, RN 16 de jul 2024

Solicitações de amizade? É cilada, Bino!

27 de junho de 2023
4min
Solicitações de amizade? É cilada, Bino!

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Há quem diga que o Facebook, após o surgimento do Instagram e tik tok, se tornou uma rede de gente "mais velha", ou seja, cinquentona, madura, digamos. Pode ser. Ainda assim curto a rede do Mark, como um dos lugares virtuais onde mais podemos nos estender sobre assuntos diversos e mesmo dialogar com amigos e opostos. Contudo, na correria do cotidiano acabo esquecendo de "monitorar" o meu perfil do FB e dia desses fui dar uma geral e vi que tinha 354 solicitações de amizade. Resolvi  numa madrugada insone avaliar pelo menos boa parte desses pedidos.

Havia gente séria, amigos de amigos, leitores dos meus textos, pessoas que haviam tido algum contato comigo em eventos culturais, lançamentos etc. Sobre esses, aceitei o convite e mandei mensagens pedindo desculpas pela demora e negligência. Nesses tempos corridos, faz parte.

Contudo, a maioria não era bem assim. Há o pessoal que não tem foto de perfil, ainda que pareça existir de verdade. Por critério racional, acabo não aceitando o convite, afinal, se a pessoa não tem tempo nem o mínimo de atenção para colocar uma foto dela própria no perfil não terá tempo de interagir comigo nem de qualquer outra coisa na rede no Zuck.

Há também as pessoas em um campo ideológico/comportamental totalmente oposto ao meu que pedem amizade assim do nada. Não que eu não tenha amizades fiéis e sólidas com gente que pensa muito diferente de mim. Nem que eu não aceite dialogar ideias díspares. Nada disso. Mas se aleatoriamente uma senhorinha que não conheço pessoalmente e com quem tenho apenas quatro amigos em comum (nenhum muito próximo) e na timeline dela vejo apenas orações à nossa senhora e conselhos para ser santificado, claro que ela vai se chocar ao ver minha timeline e o que penso da vida e da religião. Acabo não aceitando esse pessoal mais para preservá-los, e olha que nessa última leva percebi pelo menos uma dúzia desse perfil. Não entendo porque querem amizade comigo. Esquisito.

Um perfil de pessoas cada vez menor em minhas solicitações de amizade mas que proliferaram como uma praga entre 2018 e 2020 foi a do macho chato de direita, invariavelmente com a foto de perfil com ele de cara fechada, óculos escuros e ao volante de um carro. Quando eu recebia tal convite já sabia: era bolsonarista e pró-família, antiaborto, enfim o combo completo. Era batata, como dizia Nelson Rodrigues. Sobre os quatro com esse perfil, recusei os pedidos de amizade e dois deles cheguei a bloquear para manterem distância. É mais seguro.

Mas sobre gente desse perfil, não posso esquecer dos pedidos de amizades de mulheres militares dos EUA. Sim, na última leva havia duas. Há coisa de um ano eram diários tais convites, sempre mulheres fardadas com fuzis na mão e sorrisos colgate, tão constantes que eu imaginei se eu havia ido a uma festa numa base militar norte-americana e não me lembrava. Nunca cheguei à conclusão se são fakes. Amigas me disseram que recebiam solicitações de amizade frequentes de sheiks árabes e galãs turcos. Globalização é bacana e inevitável, mas também não precisamos disso.

Há muitos outros estilos de solicitações e perfis humanos, mas vou elencar só mais um: os escritores que postam única e exclusivamente sobre eles próprios e a obra deles. Nada de livros e textos de outros autores, de fotos de amigos ou família, de comentários sobre o tempo ou frivolidades sérias como futebol. Apenas sobre seus escritos, publicados ou não. Desses acabo aceitando a solicitação. E em fazendo isso, menos de vinte minutos depois lá está a mensagem no privado do escritor pedindo para eu comprar o recém-lançado livro dele. Sem nenhuma interação, sem que tenha curtido ou indicado ter visto nada meu. Nada grave e como escritor sei dos perrengues da nossa categoria e da dificuldade de vender livros e necessidade de atrair novos leitores. Mas há que se saber fazer as coisas. O que me lembra das amigas, que, relatam, recebem solicitação de amizade de marmanjos desconhecidos, resolvem aceitar e minutos depois o cara pula: "Bom dia linda" ou "Você é casada?". No caso dos galanteadores de redes sociais, como de escritores afoitos ou de belas militares ianques, a fuga é mais que necessária e o bordão é certo: é cilada, Bino!

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