CIDADANIA

G.A.I.T.: conheça o jogo com realidade virtual desenvolvido por uma potiguar para ajudar na reabilitação de membros inferiores

Foto: Ascom ISD

Quando a fisioterapeuta Patrícia Silva, de 34 anos, ingressou no mestrado em neuroengenharia no Instituto Santos Dumont (ISD), em Macaíba, ela se apaixonou pelo mundo dos dados. “Eu nunca tinha programado e, de repente, me encontrei nesse mundo e me vi encantada por ele”, relata. Em pouco tempo, Patrícia percebeu que podia unir seus conhecimentos clínicos sobre reabilitação às novas habilidades de programação, para desenvolver ferramentas que melhorassem o processo terapêutico. Foi quando surgiu o GAIT: Go Across Immersive Technology, um jogo que utiliza realidade virtual para controlar os movimentos dos pés para pessoas com problemas na caminhada.

Foto: Ascom ISD
Foto: Ascom ISD

O projeto, desenvolvido durante os dois anos do mestrado e continuado ao longo do Doutorado em Fisioterapia na Universidade Federal do Rio Grande do Norte (UFRN) e na Florida International University (FIU) em Miami, nos Estados Unidos, virou um artigo científico, publicado no começo de julho pelo periódico internacional Games for Health Journal (Periódico de Jogos para a Saúde, em tradução livre).

G.A.I.T., a sigla formada pelo nome dado ao jogo, em inglês, significa “marcha”. Para criar o jogo, Patrícia precisou primeiro desenvolver uma palmilha, que funcionaria como controle do jogo. Para isso, utilizaram atuadores vibratórios e sensores plantares, que podiam identificar os padrões da marcha e transformá-los em sinais que seriam enviados para o sistema de realidade virtual, ao qual o dispositivo foi conectado via bluetooth.

O jogo, na prática, funciona como Guitar Hero ou Pump It, jogos nos quais os participantes recebem uma série de comandos na tela que devem reproduzir no mundo real. Ao colocar o dispositivo de realidade virtual, o usuário se enxerga em uma rua, com passos que devem ser caminhados para atingir seu objetivo. “O maior desafio foi desenvolver a palmilha. Trabalhar com membros inferiores é complicado porque ao pisar nos sensores, a pressão pode quebrá-los. Além disso, também precisamos encontrar maneiras de otimizar o envio das informações da palmilha para o jogo”, explica Patrícia.

Após o desenvolvimento do jogo, foi feita uma prova de conceito utilizando indivíduos saudáveis, com o objetivo de testar a jogabilidade e a interatividade dos usuários no ambiente virtual. A ideia é que, futuramente, novos conceitos como Aprendizagem de Máquina e Realidade Aumentada sejam incorporados ao jogo para tornar seu uso mais simples e efetivo.

O G.A.I.T. foi criado para, a princípio, ser utilizado por pessoas com Doença de Parkinson, que costumam apresentar distúrbios de marcha, mas ele também poderá ser utilizado por pessoas com outras condições, como sequelas de Acidente Vascular Encefálico (AVE), por exemplo. “A aprendizagem de máquina, ou machine learning, vai permitir que o dispositivo continue a se aperfeiçoar, tendo como parâmetro o indivíduo sadio, o que vai ajudar a compreender melhor os avanços na reabilitação”, destaca a pesquisadora.

SOBRE O ISD
O Instituto Santos Dumont é uma Organização Social vinculada ao Ministério da Educação (MEC) e engloba o Instituto Internacional de Neurociências Edmond e Lily Safra e o Centro de Educação e Pesquisa em Saúde Anita Garibaldi, ambos em Macaíba. A missão do ISD é promover educação para a vida, formando cidadãos por meio de ações integradas de ensino, pesquisa e extensão, além de contribuir para a transformação mais justa e humana da realidade social brasileira.

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