A falta do que fazer: deputados proíbem “linguagem neutra” no RN
Natal, RN 17 de jul 2024

A falta do que fazer: deputados proíbem "linguagem neutra" no RN

11 de novembro de 2023
3min
A falta do que fazer: deputados proíbem

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Deputados estaduais. Eleitos para representar os interesses da sociedade. Mas parece que aqui no Rio Grande do Norte os deputados parecem entender que são “guardiões da virtude”. Resolveram “salvar a língua portuguesa” da “famigerada linguagem neutra”.

Debater sobre o desemprego, as desigualdades entre as regiões, o atraso tecnológico, a questão do petróleo no RN? Nada disso. O mais importante é combater o que consideram importante. E o que é importante? Para nove deputados, é fundamental defender a liberdade, tirando ela. Nada de ensinar nas escolas o que é a tal “linguagem neutra” que, talvez, nem saibam o que realmente é.

Mas o que é essa tal “linguagem neutra”? A forma como a notícia foi dada nada diz.

Só aparece o tal “coronel” Azevêdo, um ex-militar reacionário que abraçou o corolário bolsonarista-fascista e se reforça com o fundamentalismo cristão primitivo.

Para os defensores da “linguagem neutra”, seu uso é uma forma de inclusão mais proativa, de retirar a mulher e quem não for binário (masculino ou feminino), e colocá-lo dentro da sociedade. É uma forma de combater o “apagamento” dos diversos grupos sociais.

É polêmico? É! Exige muito debate e discussão? Sim! Não me importa se você que está lendo defende ou não o uso da “linguagem neutra”. Não se trata disso.

A questão é IMPEDIR POR LEI que essa temática seja conhecida por alunos.

Na prática o que esses nove deputados fizeram, de forma tacanha, foi assumir o papel que só veríamos nas escolas fundamentalistas religiosas. Os alunos só podem ter acesso ao que for conveniente para essas nove pessoas.

Na sessão em que foi aprovada essa aberração ilegal, estavam treze deputados, portanto 54% dos representantes do povo potiguar. O proponente, já conhecido pelo seu reacionarismo tosco, arvorou-se em defender a Academia Brasileira de Letras (ABL). Patético.

Azevedo, Tomba Farias, Cristiane Dantas, Luiz Eduardo, Ivanilson Oliveira, José Dias, Terezinha Maia, Adjuto Dias e Neilton Diógenes, cravaram seus nomes em mais essa bobagem parlamentar. Se fossem mais cientes do que acontece à sua volta, e não submetidos aos delírios reacionários, veriam que há temas MUITO mais importantes a serem debatidos pela Assembleia Legislativa.

Aliás, é bom que se diga, essa proposta é ILEGAL, já que o Supremo Tribunal Federal (STF) já proibiu esse tipo de intervenção indevida do parlamento nas salas de aula. Mas, Azevêdo, que segue a horda reacionarista que vive cacarejando sobre a pauta dos costumes, certamente não seria demovido de apresentar tal besteira.

Quatro deputados que estavam na sessão, votaram contra Eudiane Macedo, Divaneide Basílio, Francisco do PT e Isolda Dantas. Deveriam ter saído desse circo. Não deveriam ter dado palco para esses bufões reacionários.

Quem sabe um dia os eleitores terão a sensibilidade de expurgar essas pessoas da “casa do povo”, para que esta casa contribua para o desenvolvimento e o crescimento do RN.

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