A origem dos Movimentos Ambientalistas
Natal, RN 28 de mai 2024

A origem dos Movimentos Ambientalistas

5 de maio de 2024
8min
A origem dos Movimentos Ambientalistas

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Você deve se perguntar quando foi que o ambientalismo começou. A preocupação de problemas, como a poluição do ar e da água, com o impacto na vida humana, vem desde o período romano. A poluição foi associada à propagação de doenças epidêmicas na Europa entre o final do século XIV e meados do século XVI, e a conservação do solo foi praticada na China, Índia e Peru, há mais de dois mil anos. Em geral, no entanto, essas preocupações não deram origem ao ativismo público.

O movimento ambiental contemporâneo surgiu, principalmente, de preocupações no final do século XIX, relativos à proteção do campo, na Europa e do deserto nos Estados Unidos, e as consequências para a saúde da população decorrentes da poluição, durante a Revolução Industrial.

A primeira organização de proteção da natureza foi a IUCN (União Internacional para Conservação da Natureza), fundada em 1948, e sua origem remonta ao período do final da segunda guerra mundial e o lançamento das bombas atômicas de Hiroshima e Nagazaki. Tinha a missão de influenciar, encorajar e assistir sociedades de todo o mundo para a conservação da natureza, e assegurar que todo e qualquer uso dos recursos naturais fosse equitativo e ecologicamente sustentável. Atualmente, reúne mais de 1.250 organizações, incluindo 84 governos nacionais, 112 agências de governo e um grande número de organizações não-governamentais (ONG) nacionais e internacionais, além de cerca de dez mil membros individuais, que são cientistas e especialistas. O trabalho da UICN concentra-se em uma série de iniciativas, mas dentre elas se destacam a criação de parques naturais para a preservação ambiental.

A partir da década de 1960, as várias vertentes filosóficas do ambientalismo receberam expressão política por intermédio do estabelecimento de movimentos políticos “verdes” na forma de organizações não-governamentais ativistas e partidos políticos ambientalistas.

As ONGs ambientalistas são entidades privadas com fins públicos, sem fins lucrativos e com alguma participação voluntária, que atuam em problemas socioambientais. Seu foco de ação é impedir a degradação ambiental e promover formas sustentáveis de desenvolvimento.

Apesar da diversidade do movimento ambiental, quatro pilares forneceram um tema unificador para os objetivos gerais da ecologia política: proteção do meio ambiente, democracia de base, justiça social e não-violência. No entanto, um número pequeno de grupos ambientalistas e ativistas individuais se envolveu com ações ecoterroristas. A violência foi vista por eles como uma resposta justificada ao que eles consideravam um tratamento destruidor à natureza por alguns interesses, principalmente das indústrias madeireiras e de mineração.

Em 1961, foi fundada a WWF (World Wide Fund for Nature Inc. - WWF), Fundo Mundial para a Natureza, sendo a maior organização de conservação do mundo, com mais de cinco milhões de apoiadores em todo o planeta, trabalhando em mais de 100 países e apoiando cerca de 3.000 projetos ambientais e de conservação. Eles investiram mais de US$ 1 bilhão em mais de 12.000 iniciativas de conservação, desde 1995. A WWF é uma fundação com 65% de financiamento de indivíduos e legados, 17% de fontes governamentais (como o Banco Mundial, DFID e USAID) e 8% de empresas, ano base 2020.

Dentre essas organizações, destaca-se o Greenpeace, organização não governamental ambiental fundada no Canadá, em 1971, como resposta ao interesse do Governo dos Estados Unidos em testar armas nucleares nas Ilhas Aleutas. Devido ao terremoto de 1964, ocorrido no sul do Alasca, os ativistas suspeitaram que o teste poderia gerar um tsunami na região. Entretanto, o movimento não conseguiu impedir que eles fossem realizados.

Atualmente, cerca de três milhões de colaboradores em todo o mundo - oitenta mil no Brasil (Greenpeace Brasil) - doam quantias mensais que variam de acordo com o país. Entre os primeiros ativistas que ajudaram a fundar a organização na década de 1970, havia pessoas com estilo de vida hippie e membros de comunidades quakers americanas, que migraram para o Canadá por não concordarem com a Guerra do Vietnã.

As estratégias eleitorais do movimento ambientalista incluíram, na época, a nomeação de candidatos ambientalistas e o registro de partidos políticos verdes. Esses partidos foram concebidos como um novo tipo de organização política que trariam a influência do movimento ambientalista de base diretamente para as máquinas do governo, tornando o meio ambiente uma preocupação central das políticas públicas e as instituições do Estado mais democráticas, transparentes e responsáveis.

O Partido Verde surgiu como instituição política na Tasmânia (Austrália). Um grupo de ecologistas denominado United Tasmanian Group se reuniu pela primeira vez em 1972. O objetivo era impedir o transbordamento do Lake Pedder. Mais Tarde o grupo adotou o nome de Green Party. Hoje, o Partido Verde é parte decisiva na política australiana tendo elegido deputados e senadores. Da Austrália para a Nova Zelândia, depois para Europa e hoje em todo o mundo. O Partido Verde está constituído em mais de 120 países.

Na Europa, os Verdes surgiram nos anos 70 e se consolidaram como partidos políticos nos anos 80. Hoje, o Partido Verde participa de vários governos, sendo a quarta maior bancada no Parlamento Europeu. O partido ambientalista de maior sucesso foi o Partido Verde Alemão (die Grünen), fundado em 1980.

Nas duas últimas décadas do século XX, os partidos verdes conquistaram representação nacional em vários países e até reivindicaram o cargo de prefeito em capitais europeias como Dublin e Roma, em meados da década de 90. Fora da Europa, o Partido Verde da Nova Zelândia, conquistou 7% dos votos nas eleições gerais de 1990. Sua influência aumentou para 9 dos 121 assentos parlamentares do país, em 2002, e para 14 assentos parlamentares, em 2014.

A essa altura, os partidos verdes haviam se tornado veículos políticos amplos, embora continuassem a se concentrar no meio ambiente. Ao desenvolverem a política partidária, eles tentaram aplicar os valores da filosofia ambiental a todas as questões enfrentadas por seus países, incluindo política externa, defesa e políticas sociais e econômicas.

Apesar do sucesso de alguns partidos verdes, os ambientalistas permaneceram divididos sobre a importância da política eleitoral. Para alguns, a participação nas eleições é essencial porque aumenta a conscientização do público sobre questões ambientais e incentiva os partidos políticos tradicionais a abordá-las. Outros, no entanto, argumentam que os compromissos necessários para o sucesso eleitoral invariavelmente minam o equilíbrio da democracia de base e da ação direta.

No Brasil, o Partido Verde veio a ser criado em 1986, no Rio de Janeiro. Um grupo composto por escritores, jornalistas, ecologistas, artistas e também por ex-exilados políticos começou a dar forma ao PV. Participaram nesse grupo Alfredo Sirkis, Herbert Daniel, Guido Gelli, Lucélia Santos e Fernando Gabeira, entre outros.

No Rio Grande do Norte o Partido Verde foi fundado em 1987, por um grupo constituído por Eugenio Cunha, Alex Medeiros, Francisco Macedo, Darcy Girassol, José Normando, entre outros, a maioria já afastados e sem conexões partidárias.

Atualmente, no Brasil, as ações estão sendo pautadas mais por ONGs do que por partidos políticos e tem crescido, no parlamento, as bancadas anti-ecologistas, representadas principalmente por ruralistas e evangélicos, que são contra a demarcação de terras indígenas, a favor de um menor controle do uso de agrotóxicos, de garimpos na Amazônia e de menores percentuais de áreas de preservação. Apesar disso, tanto aqui como no mundo todo, o movimento ambientalista vem se fortalecendo a cada dia, principalmente agora que população do planeta está sentido na pele as consequências do aquecimento global e de outras catástrofes ambientais decorrentes do desequilíbrio gerado pelas ações antrópicas danosas ao meio ambiente. Urge fazermos nossa parte para contribuir com o desenvolvimento sustentável e o equilíbrio entre o ser humano e o planeta que tão bem nos acolhe.

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