Deletem os sindicatos! Salvem os sindicatos !
Natal, RN 5 de mar 2024

Deletem os sindicatos! Salvem os sindicatos !

9 de dezembro de 2023
5min
Deletem os sindicatos! Salvem os sindicatos !

Ajude o Portal Saiba Mais a continuar produzindo jornalismo independente! Apoie com qualquer valor e faça parte dessa iniciativa.

Quero Apoiar

Se nos atrevemos a falar de SINDICATO, é necessário ressaltar que essa entidade, que assombra os empresários e é alvo descrença em boa parte dos trabalhadores, é produto direto das relações de trabalho e, portanto, quer queiramos ou não, é parte da vida de toda a sociedade. É preciso que sejamos racionais, minimente racionais na escrita desse pequeno artigo. Nem superestimar o sindicato, como uma representação quase infalível dos trabalhadores e nem subestimar a capacidade que estes têm na defesa de muitas demandas dos trabalhadores.

Mas há que se destacar que falar em sindicato de uma forma geral, não pode deixar de lado as formas de organização do Trabalho e do Capital, que mudam ao longo do tempo. E como mudam! Se na minha longínqua juventude o sindicato, embora muito criticado, fosse deveras respeitado, na atualidade a percepção (percepção!) que eu tenho é que boa parte, senão a maioria dos trabalhadores mais jovens, olha com um certo ar de desprezo para essa entidade.

É certo que com as contínuas propagandas, principalmente dos meios empresariais, mas também dos grandes meios de comunicação, e é bem verdade com algumas gestões sindicais extremamente danosas para os próprios sindicatos, o próprio termo “sindicato”, foi se tornando mais e mais sinônimo de algo pouco relevante. As “reformas” trabalhistas, especialmente no Brasil, provocaram uma devastação nunca antes vista e produziu efeitos tão ruins que, somado à pandemia, quase fizeram extinguir essa entidade, relegando-a a mero carimbador de acordos salariais, no caso da iniciativa privada, ou refúgio de grupos ditos “revolucionários”, quando falamos em sindicatos de servidores públicos, falando de uma forma geral.

Me parece que muitos empresários olham para os sindicatos como um colóquio de demônios que trabalham diariamente para reduzir seus lucros e lucro, para essa classe, são a própria razão de ser de sua existência, e quando aparece uma entidade que questiona como esse lucro é criado, e distribuído para que origina, de fato, o lucro, fica claro, para essa classe, que os trabalhadores, quando organizados, querem sua cabeça.

Por outro lado, os trabalhadores, bombardeados diariamente pela propaganda que o transforma em “colaborador”, “empreendedor” e agora transformados repentinamente em “trabalhadores por conta própria”, são convencidos a olhar o sistema capitalista como algo natural e o seu patrão como aquele que lhe dá emprego, portanto merece lealdade. Ou é isso ou o desemprego, o subemprego e o desalento.

O trabalhador é convencido a desprezar o sindicato. A ver o sindicato como um inconveniente na sua vida. Uma perda de tempo. Sindicalista é apresentado como uma pessoa que não gosta de trabalhar, portanto, o Sindicato é contra o trabalhador. E os meios de comunicação reforçam essa assertiva.

Para que serve, afinal, um sindicato, nos dias de hoje? A reforma trabalhista de 2017 quase os extinguiu e hoje começam um doloroso retorno à existência, mas desde pronto sofrendo uma enorme pressão, pois para os empresários e os grandes meios de comunicação, que recebem recursos do governo sob várias formas, o sindicato deve sobreviver com o mínimo de recursos, portanto toda e qualquer proposta de financiamento dos sindicatos é tratado de forma mentirosa, jogando, dessa forma, os trabalhadores contra os sindicatos.

No caso dos sindicatos dos servidores públicos, das três esferas, o fato de os governos estarem literalmente amarrados a orçamentos cada vez mais restritivos, afetam as rendas dos servidores e impulsionam os sindicatos a retomarem suas lutas, porém, num ambiente totalmente diferente do que existia nos anos 80 e 90, as lutas sindicais ainda sentem a necessidade de reorganizar e tratar de fazer valer as demandas dos servidores num ambiente que mira constantemente na desarticulação do aparelho público. Esse é o desafio.

Com todas essas mazelas e deficiências, os sindicatos são a última trincheira que separa o trabalhador da mais completa subserviência aos interesses do Capital, quer na esfera pública, quer na esfera privada. Sua fraqueza representa a fraqueza dos trabalhadores, obrigados a se submeter a uma jornada de trabalho mais dura; à condições de trabalho cada vez piores; a um adoecimento mental crescente, fruto da intensificação do trabalho; a um futuro incerto, visto que a previdência parece apontar para um trabalhador que nunca poderá se aposentar.

O desejo do Capital, no limite, é o fim do Sindicato ou a redução do seu papel de representante de segmentos dos trabalhadores. E é sobre esse desejo que os sindicatos deverão, nos próximos anos, buscar retomar seu contato com a classe trabalhadora e, quem sabe, estancar a deterioração da vida daqueles que, na realidade, são os verdadeiros criadores da riqueza.

As mais quentes do dia

Apoiar Saiba Mais

Pra quem deseja ajudar a fortalecer o debate público

QR Code

Ajude-nos a continuar produzindo jornalismo independente! Apoie com qualquer valor e faça parte dessa iniciativa.

Quero Apoiar

Este site utiliza cookies e solicita seus dados pessoais para melhorar sua experiência de navegação.