Ocupação luta para continuar trabalho de acolher Mulheres em Natal
Natal, RN 27 de fev 2024

Ocupação luta para continuar trabalho de acolher Mulheres em Natal

10 de dezembro de 2023
5min
Ocupação luta para continuar trabalho de acolher Mulheres em Natal
Foto: Jana Sá

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Acolhimento e resistência. A definição da luta de Anatália Alves caracteriza igualmente a Ocupação de Mulheres em Natal que recebe o nome da potiguar morta pela ditadura civil-militar no Brasil (1964-1985) pelo seu trabalho de alfabetização dos trabalhadores do campo. Organizado pelo Movimento Olga Benário, o espaço acolhe mulheres vítimas das múltiplas violências, físicas e psicológicas, sejam domésticas ou do Estado (pela ação ou omissão), e resiste à tentativa de reintegração do prédio pela Universidade Federal do Rio Grande do Norte (UFRN). Na próxima segunda-feira (11), será realizada assembleia pela permanência do funcionamento da Ocupação Anatália Alves.

A gente vai brigar até o fim pra permanecer aqui, a gente não tem a mínima intenção de sair”, afirmou Alice Moraes, coordenadora estadual do Movimento de Mulheres Olga Benário no Rio Grande do Norte. Ela também é coordenadora da Ocupação Anatália Alves, e explicou que a solicitação de reintegração de posso do prédio já era esperada.

A intimação da justiça foi recebida pelo movimento no último dia 7, quando foi dado um prazo de 48 horas para que o prédio público, situado no bairro Tirol, área nobre da capital potiguar, seja desocupado. O local, onde funcionou a antiga Faculdade de Ciências Econômicas, Contábeis e Atuariais de Natal, estava abandonado e sem função social há 10 anos e pertence à UFRN. Esta é a primeira ocupação de mulheres em Natal e a 17ª no país.

A gente está nesse trâmite jurídico para buscar a posse do prédio para o nome do movimento, para gente conseguir estar tocando as nossas atividades”, afirmou Alice.

Alice Moraes, coordenadora estadual do Movimento de Mulheres Olga Benário no RN e da Ocupação Anatália Alves | Foto: Jana Sá

Desde o último dia 25, cerca de 60 mulheres em situação de vulnerabilidade socioeconômica já foram atendidas pelo Movimento Olga Benário.

Construímos esse espaço para que seja um refúgio das violências que sofremos diariamente. O objetivo primário desse espaço não é moradia, não é ser uma casa de passagem. A ideia é que seja um espaço aonde as mulheres vêm, são atendidas, são acolhidas, e podemos continuar acompanhando essas mulheres, e auxiliá-las da melhor forma”, explica Alice.

Como um espaço de organização política, Alice explica que a ideia é que seja um ponto de referência para as mulheres no estado do Rio Grande do Norte. “Temos doze delegacias da mulher ao todo aqui no estado, doze delegacias especializadas, mas metade delas não são delegacias, são compartimentos dentro de delegacias já existentes, e a maioria dessas delegacias não funciona 24h”, alerta ao falar da necessidade de ampliação de espaços que possam acolher as mulheres em suas demandas.

Um balanço das atividades realizadas pela Ocupação Anatália Alves é publicado em forma de boletim diário nas redes sociais do espaço e do Movimento de Mulheres Olga Benário no RN.

Tentamos fazer esses boletins para publicar nas nossas redes, deixando público qual foi o balanço do dia e quais foram as atividades realizadas. Normalmente temos mutirões de limpeza para a manutenção da casa, plantões da nossa rede de acolhimento, bazar e diversas outras atividades que vamos tocando”, pontua Alice.

As atividades integram a ação Rede Acolher, fundada pelo Movimento Olga Benário no fim do ano de 2022 com um objetivo de acolher mulheres vítimas de violência de gênero e combater o machismo e o feminicídio. No Rio Grande do Norte, desde dezembro, o Movimento de Mulheres Olga Benário, juntamente com voluntárias de serviço social, psicologia, advocacia e outras áreas, vem atuando no atendimento à mulheres vítimas de violência. 

“A Rede Acolher realiza plantões psicológicos e jurídicos com as mulheres. Através da divulgação nas redes e panfletagens nos bairros, chamamos as mulheres a virem para esses espaço. Já atendemos cerca de 60 mulheres, tanto nos pedidos de assistência mais direta, como comida, material de higiene, banho, quanto à nossa rede de acolhimento”, explica Alice.

Foto: Jana Sá

A coordenadora da Ocupação Anatália Alves aposta no diálogo com a Universidade Federal do Rio Grande do Norte para que o Movimento conquiste o direito de permanecer com as atividades no prédio.

A universidade está aberta ao diálogo e, até onde foi conversado, não há interesse em nos expulsar daqui”.

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