Aluna do IFRN quer levar projeto sobre mulheres na ciência a Londres
Natal, RN 3 de mar 2024

Aluna do IFRN quer levar projeto sobre mulheres na ciência a Londres

7 de janeiro de 2024
6min
Aluna do IFRN quer levar projeto sobre mulheres na ciência a Londres
Letícia Ribeiro apresenta o Projeto Ada na Feira Nordestina de Ciências e Tecnologia (Fenecit) de 2023 e leva 1º lugar I Foto: reprodução

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Preocupadas com a pouca presença de mulheres nos cursos de ciência, tecnologia, engenharia e matemática, um grupo de três estudantes do IFRN da Zona Norte de Natal montou o “Projeto Ada”, criado para incentivar e divulgar o trabalho científico realizado por mulheres.

A logomarca e o nome do projeto já são uma referência a Ada Lovelace (1815-1852), considerada a primeira programadora do mundo ao trabalhar com o matemático Charles Babbage, pesquisador e idealizador da Máquina Analítica. A função de Ada era traduzir o artigo "9 Notions sur la machine analytique de Charles Babbage", escrito por um matemático italiano. Mas, ela acabou acrescentando suas próprias notas ao artigo, triplicando seu tamanho. Uma dessas anotações é, justamente, a primeira descrição de um algoritmo.

Print do instagram do Projeto Ada

Através do Projeto Ada, as estudantes ministram oficinas, exibem filmes e levantam debates em escolas da rede pública na Zona Norte de Natal sobre a participação feminina nas ciências. Um detalhe importante é que tanto as integrantes quanto as orientadoras do projeto são mulheres.

“No começo, quanto mais estudava sobre o assunto, mais eu tinha certeza de que mais pessoas precisavam conhecer aquilo. É um assunto tão esquecido, tão banalizado que me dava muita raiva. Então, quanto mais lia, mais tinha certeza de que poderíamos chegar longe com o projeto. Isso instiga a mim e às meninas a estudar mais, a nos inscrever em mais feiras científicas, a nos apresentar e mostrar essas histórias”, conta Letícia Ribeiro que, além de Ada Lovelace, se apaixonou pelas trajetórias de Marie Curie, Katherine Johnson e Rosalind Franklin.

Ana Paula, Arlanda Thays e Hiara Silva na apresentação da Secit em 2022 I Foto: cedida
Formação atual do Projeto Ada: Letícia (no centro), entre as amigas Maria Laura e Maria Isabel, que vão apresentar o projeto no Pará I Foto: cedida

A jovem conta que começou a se interessar pelo campo científico ainda na infância, vendo o pai fazer conserto de computadores. Além de Letícia, o grupo é formado atualmente pelas colegas Maria Laura e Maria Isabel. O trabalho foi apresentado pela primeira vez na Semana de Ciência e Tecnologia do IFRN em 2022 (quando o grupo era formado por outras integrantes: Ana Paula, Arlanda Thays e Hiara Silva) e levou o 3º lugar na Mostra de Ciência e Tecnologia do IFRN da Zona Norte de Natal (categoria Ciências Sociais Aplicadas), já com a formação atual, o que garantiu às meninas participação na Feira Nordestina de Ciências e Tecnologia (Fenecit) de 2023.

O grupo levou o 1º lugar na Fenecit, mas foi com a 1ª colocação na Semana de Ciência e Tecnologia do IFRN do campus da Zona Norte (Secit) de 2023 que elas foram convidadas para apresentar o projeto no Pará, na Mostra de Ciência e Tecnologia do Instituto Açaí, e conquistaram o credenciamento para participar do maior fórum juvenil científico do mundo, o London Youth International Science Forum (LIYSF), que será realizado em Londres, na Inglaterra, entre os dias 24 e julho e 7 de agosto deste ano.

Apenas três projetos em todo o Nordeste conseguiram se classificar para o LIYSF: o das potiguares do IFRN, um outro da Paraíba e um terceiro de Pernambuco. Mas, para chegar a Inglaterra, ainda é preciso trilhar o tortuoso caminho do patrocínio. Só a inscrição no Fórum custa cerca de R$ 20 mil, além das despesas com passagem e alimentação.

Nos cálculos de Letícia, os custos totais giram em torno de R$ 28 mil e, por causa do alto custo, apenas ela vai tentar a viagem. As demais integrantes optaram por apresentar o projeto no encontro que será realizado no Pará.

Hoje nossa campanha se concentra no pix solidário: [email protected] e estamos realizando uma rifa online que vamos divulgar no nosso instagram. As pessoas podem ajudar da forma que puderem contribuir, seja através de doações ou incentivando mesmo para continuarmos”, detalha Letícia, que chegou a vender bolos de pote no Vale Dourado, onde mora, na luta para levantar os recursos da viagem.

Para 2024 o plano é levar o Projeto Ada adiante e oferecer mais cursos para as escolas estaduais e municipais na Zona Norte da capital. Atualmente, o trio ministra cursos de constructor, mas a oferta deve se expandir com os novos cursos de programação para web e programação orientada para objetos.

As meninas estão no segundo ano, indo para o terceiro. Eu tenho planos de levar o projeto para a UFRN [Universidade Federal do Rio Grande do Norte], caso eu passe. Planejo seguir na área de TI [Tecnologia da Informação] e continuar com o projeto na mesma temática, mas no contexto universitário”, revela Letícia.

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