Ditadura no dos outros é refresco
Natal, RN 26 de fev 2024

Ditadura no dos outros é refresco

23 de janeiro de 2024
3min
Ditadura no dos outros é refresco

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Leio nas colunas de jornalismo político natalenses que, ao saber da decisão do senador Rogério Marinho, do PL, de apoiar a pré-candidatura de Paulinho Freire a prefeito de Natal, o deputado federal General Girão, também do PL e também pré-candidato a prefeito, teria reclamado a interlocutores que a postura de Rogério é "ditatorial".

Surpreendeu-me esse súbito apreço de Girão por processos democráticos, já que o ilustre deputado sempre se mostrou afeito a ditaduras, celebrando a militar brasileira que tornou o país um pesadelo, e apoiando pautas e posturas truculentas, como muitas do desgoverno Bolsonaro.

Nas colunas leio também que Girão pensa em pleitear ao presidente nacional do PL, Valdemar da Costa Neto, intervenção do diretório nacional do partido. Mesmo após Bolsonaro em evento em Natal ter afirmado que quem manda no PL potiguar é Rogério.

Enfim, ditadura, truculência, autoritarismo, tudo que - em tese - Girão gosta e defende, inclusive com agressividade na Câmara Federal. Aí é que está a questão. A postura do deputado-general é uma mostra de como funciona a extrema-direita em geral e o bolsonarismo especificamente: regras rígidas para os outros, flexibilidade para mim e os meus.

Senão vejamos: bandido bom é bandido morto, mas quando o bandido é do grupo deles, haja defesa e bons advogados. Preso tem que ser maltratado mesmo, afinal, cadeia não é hotel. A não ser que o preso seja um patriota golpista, aí há que lutar por refeições melhores e, pasme, direitos humanos. Brasil antes de tudo, mas fazendo continência para bandeira dos EUA e idolatrando Israel.

Exemplos não faltam. Politicamente, esses parlamentares de extrema-direita, que ascenderam entre 2018 e 2022 com o bolsonarismo, defendem ditadura para os demais e democracia para eles quando interessa. Assim como as urnas eletrônicas são confiáveis quando os elegem e são falhas quando vencem os adversários. Um discurso para cada situação. Ditadura no dos outros é refresco, não é mesmo?

Que Girão conheça agora 0,1% do que é ou seria uma ditadura, com Rogério querendo mandar no partido e concentrar poder. E que tenha direito de reclamar e fazer seu mimimi sobre este e qualquer outro assunto, como é de praxe numa democracia. Numa ditadura real bastaria uma frase dele contra o poder para que sumisse numa sala do DOPS ou aparecesse enforcado numa cela.

Finalizando com um registro pessoal: numa briga entre Rogério Marinho e Girão (dois politicos que vem sistematicamente defendendo golpe de Estado e criticando as instituições) o melhor é torcer pela briga, é claro.

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