Professor da UFRN vê oportunismo em pedido de impeachment contra Lula
Natal, RN 16 de abr 2024

Professor da UFRN vê oportunismo em pedido de impeachment contra Lula

22 de fevereiro de 2024
3min
Professor da UFRN vê oportunismo em pedido de impeachment contra Lula
Foto: Ricardo Stuckert / Presidência da República

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O professor do Departamento de Ciências Sociais da UFRN, cientista político, José Antonio Spineli, vê o pedido de impeachment do presidente Lula - que contou com a assinatura do parlamentar federal Paulinho Freire - como uma tentativa de oportunismo do bolsonarismo, por hora acuado, devido às inúmeras investigações que recaem sobre o ex-presidente Jair Bolsonaro e a cúpula do governo anterior que teria orquestrado uma tentativa de golpe contra a democracia brasileira, no dia 8 de janeiro de 2023.

“Aí há muito de oportunismo político. A oposição surfou na onda, com pedido para que Lula se retratasse. Bolsonaro está sofrendo processos e há perspectiva de prisão. Eles encontraram aí um mote para sair do canto do muro e colocar o governo na defensiva. No caso de Israel, não é muito diferente o oportunismo político. O genocídio se torna mais evidente a cada dia. Muitos judeus, inclusive, têm se manifestado contra essa política. E Netanyahu resolveu chamar atenção para a fala de Lula, para tentar desviar atenção do fato real que é o genocídio que está sendo colocado em prática. Mas, parece que o cálculo dele não deu certo, porque as pessoas começaram a se voltar para a questão do genocídio mesmo", pondera o professor.

Spineli diz que bolsonarismo encontra um mote para sair do canto do muro

Spineli também atenta para o fato de que o presidente Lula não citou a palavra holocausto, como se tem amplamente divulgado. E que tal declaração, comparando o que vem ocorrendo em Gaza, a o que Hitler fez com os judeus na Alemanha, na opinião do docente não é o problema maior e sim as mortes que estão ocorrendo naquela região.

“Lula já havia condenado a invasão do Hamas porque aqueles ataques [o ataque surpresa de outubro de 2023] atingiram a população civil, mas também criticou a reação de Israel e, sobretudo, o que Israel vem fazendo, que não é de agora… muita gente ‘esquece’ que aquela ocupação em Gaza já dura mais de 70 anos. Israel tem uma política de apartheid e limpeza étnica contra os palestinos há muito tempo e de maneira sistemática, com ocupação do território. Não podemos isolar a ação do Hamas desse contexto mais amplo, nem estigmatizar seus membros apenas como terroristas, como faz a imprensa internacional e nacional, principalmente as maiores, como a Globo, UOL e CNN”,
diz ele.

“Se você admitir que a ação do Hamas foi terrorista porque não distinguiu civis de militares, por que não classificar, também, a política sistemática do Estado de Israel como terrorista? Digo do Estado, porque é preciso distinguir o estado de Israel do povo judeu. Lula só vocalizou aquilo que passa na cabeça das pessoas, pelo menos, das que têm algum censo crítico”, acrescenta Spineli.

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