A importância das creches na empregabilidade da mulher
Natal, RN 30 de mai 2024

A importância das creches na empregabilidade da mulher

16 de março de 2024
4min
A importância das creches na empregabilidade da mulher

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Semana passada escrevi sobre a realidade das mães solo em nosso país, levando em conta o fato de o Rio Grande do Norte ser o estado com o segundo maior crescimento no número de mães solo nos últimos dez anos (2012-2022), segundo dados do IBGE. No texto de agora, aponto com mais detalhes a relação da empregabilidade feminina com a oferta de creches no município.

Um primeiro ponto a ser observado é que o acesso a esta política pública educacional já na primeira infância comprovadamente impacta positivamente a formação e o desenvolvimento dos indivíduos. Quanto mais cedo as crianças frequentarem a escola, mais capacidade elas terão de alcançar o seu potencial nas fases seguintes da vida, uma vez que a educação representa um aspecto fundamental a influenciar o bem-estar das pessoas ao longo da vida.

Porém, em Natal, a triste realidade da falta de vagas em creches na rede pública municipal tem afetado a vida de muitas crianças e famílias, com impactos imediatos no presente, mas também no futuro. Não bastasse o sorteio de vagas para novos alunos, mais de 1,2 mil crianças foram privadas do acesso a esse serviço essencial em 2024.

É importante atentar, entretanto, que, além de direito da criança, as creches são direito das mulheres, afinal sobre elas recaem a tarefa de cuidado dos filhos na sociedade atual. E que por trás de uma criança que fica sem escola, uma família inteira fica com seu sustento comprometido, já que os pais, sobretudo as mães, passam a enfrentar grandes dificuldades de inserção no mercado de trabalho, uma vez que não terão com quem deixar o filho.

Um levantamento realizado pela economista Janaína Feijó, do Instituto Brasileiro de Economia da Fundação Getulio Vargas (FGV Ibre), revela que no Brasil a maior parte das mães com crianças fora da creche estão fora da força de trabalho, possuem baixo grau de instrução e são negras. Conforme a pesquisa, das crianças de 2-3 anos fora da escola, 42% tinham mães empregadas, enquanto que entre as crianças que frequentavam a escola esse percentual era de 64%.

Com relação à escolaridade das mães, entre as que tinham filhos fora da escola, 14% apenas tinham ensino superior. Enquanto que entre aquelas com filhos matriculados o percentual de mães com ensino superior é praticamente o dobro (27%).

E não podemos esquecer que a realidade para mulheres negras demanda um olhar específico e afirmativo, pois das crianças entre 2-4 anos fora da escola, 64% têm mães negras, uma maioria muito expressiva! Outro ponto importante é o do rendimento familiar per capita. Enquanto as mães não negras com filhos na creche informaram ter renda per capita de R$ 1.977,00, aquelas com filho fora da escola tinham R$ 1.100,00. Entre as mães negras com filhos matriculados os rendimentos eram de R$ 832,00, e caia para R$ 563,00 quando os filhos estavam fora da creche.

Os números são contundentes. A ausência de acesso à creche não apenas prejudica o desenvolvimento das crianças, mas também limita as oportunidades de trabalho e renda das mães e das famílias.

É urgente, e portanto, uma responsabilidade das autoridades municipais assumir o compromisso de investir na expansão e melhoria da infraestrutura da educação infantil. Também podemos avançar no parlamento local com a chegada de mais mulheres que compreendam a real necessidade das creches e outras políticas de cuidado e emancipação feminina.

O resultado vai beneficiar não só o futuro de nossas crianças, mas também fortalece a participação das mulheres no mercado de trabalho, contribuindo para o desenvolvimento econômico e social de nossa comunidade como um todo.

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