Potiguar no RS não consegue voltar para casa e conta o que tem vivido
Natal, RN 18 de mai 2024

Potiguar no RS não consegue voltar para casa e conta o que tem vivido

6 de maio de 2024
9min
Potiguar no RS não consegue voltar para casa e conta o que tem vivido
Foto: concresul.

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Desespero. É com essa palavra que o multiprodutor e agente artístico Marcílio Amorim define a situação vivida no Rio Grande do Sul devido aos efeitos dos fortes temporais e à grave crise climática que estão atingindo o estado. Ele está em Porto Alegre (RS) desde a semana passada, e já teve o voo de volta para Natal cancelado em duas ocasiões.

“O que eu presencio é um desespero muito grande. As pessoas estão desesperadas, nunca viram nada parecido com o que está acontecendo. Já teve cheia em que o rio Guaíba transbordou, mas não a esse ponto de agora”, conta.

Primeiro, o voo que estava marcado para domingo (05), foi cancelado. Ele ficou sabendo ainda no sábado (04) que a viagem não seria possível após o Aeroporto Internacional Salgado Filho, em Porto Alegre, ter sido fechado. A previsão era de que Amorim conseguisse voltar para Natal nesta quarta-feira (08), mas já recebeu um e-mail notificando que a viagem foi cancelada novamente, sem previsão para uma nova data.

“Eu não sei como sair para voltar para casa. Meu voo era do sábado para o domingo, às 4h da manhã. Eu já era para estar em Natal. Mas o que aconteceu é que foi cancelado o voo e remarcado para o dia 08, mas já recebi um novo e-mail dizendo que foi cancelado de novo e não tem data. Tentei agendar para os dias 10, 11, mas não tem data”, narra.

Ele detalha, ainda, as dificuldades que tem enfrentado para remarcar o voo.

“Entrei numa fila de espera gigantesca, que dizia ‘o tempo programado para o seu atendimento é de 69 minutos’, então fiquei esperando. Quando a atendente da GOL disse ‘alô’, a ligação caiu”.

Até este domingo (05), Amorim estava em um hotel localizado no centro de Porto Alegre. A hospedagem estava prevista até a madrugada do sábado para o domingo, quando ele viajaria logo depois. Agora, ele está na casa de uma amiga, no centro histórico da capital do RS, e onde faltou luz ainda na manhã desta segunda-feira (06). Na cidade, as pessoas estão com dificuldades para conseguir comprar água, como conta o potiguar.

Vídeo: cedido.

“Eu assisti ao show da Madonna [sábado] nessa casa que eu estou agora. Dormi aqui e domingo de manhã acordei e fui para o hotel, buscar minhas coisas. Quando cheguei no hotel, não tinha mais luz, não tinha internet, não tinha mais nada. O centro estava parecendo uma cidade fantasma. Agora estou no centro histórico, distante da região próxima ao mercado municipal, por exemplo, onde está tudo alagado”.

Quando estava no hotel, que ele conta ser a duas quadras da região alagada, Amorim precisava subir no terraço para conseguir usar a internet do próprio celular, e só saia basicamente para se alimentar.

O acesso à internet, prejudicando a comunicação. tem sido um dos problemas no RS. No hotel, para conseguir se comunicar, Amorim precisava subir ao terraço. Foto: cedida.

“Na terça encontrei minhas amigas, a gente jantou juntos, fizemos uma festa. Na quarta, as coisas já começaram a se complicar. Começou a água a tomar conta dos espaços, dos locais do centro. Ainda consegui almoçar na quarta e na quinta em um restaurante. Na sexta, restaurantes, shoppings, já estava tudo fechado”, conta.

Assim, ele passou a procurar locais abertos para conseguir se alimentar, em regiões que não estivessem alagadas, mais próximas ao centro histórico.

Amizades do potiguar no RS têm realizado trabalho voluntário. Centro Vida, Zona Norte de Porto Alegre, no momento 1.300 desabrigados. Vídeo: cedido.

Agora, a ideia de Amorim é conseguir entrar em contato com a GOL, companhia aérea responsável pela volta dele a Natal, para que a partida seja de Florianópolis, em Santa Catarina, onde ele pretende chegar de carro.

O natural de Recife (PE) mas potiguar por escolha, já que vive no RN desde os 2 anos de idade, saiu de Natal para uma viagem por países da América do Sul no último dia 09 de abril. A ideia era voltar de Porto Alegre, onde ele chegou terça-feira (29), para a capital potiguar de avião, o que tem sido dificultado por  uma das maiores crises climáticas do RS.

“Eu planejei essa viagem para ser assim, passando por vários países e comprei só o trecho aéreo indo para Assunção [Paraguai] e voltando de Porto Alegre. Quando eu cheguei [em Porto Alegre], já estava muita chuva”.

Amorim já conhece a cidade, na qual viveu entre o final de 2005 e início de 2007. Planejou partir de lá para Natal pois estava viajando pelo extremo sul da América Latina, bem como por ter muitas amizades no local, que ele já considera uma “família paralela”. Ele conta, também, como tem sido para as amigas dele, que vivem lá.

“Uma [amiga] foi para um sítio que tem aqui próximo, mas numa parte baixa de Porto Alegre, só que não consegue mais voltar porque as estradas estão interditadas, assim que ela passou, uma barreira caiu e ela não tem como voltar. Ela queria voltar para cá [Porto Alegre] hoje, porque a casa dela estava bem perto de alagar. Uma outra amiga se mudou para a casa dos pais, que fica num bairro mais distante, pois não estava tendo luz na casa dela”, conta.

Como ajudar

De acordo com o potiguar, a insatisfação com o governo do estado do Rio Grande do Sul tem sido recorrente. Ele conta que uma das amigas dele em Porto Alegre, que vem contribuindo para o trabalho voluntário, tem sentido falta de ações mais concretas.

“Quem está trabalhando é, basicamente, o exército. A gente vê muita polícia na rua, mas entre as pessoas que estão trabalhando para ação da enchente, ela [amiga] está sentindo falta da presença do estado e da prefeitura. Ela me contou que só com quem se pode contar é com os voluntários, as pessoas comuns, e com o exército. Não vê atitudes práticas para o momento”, explica.

O atual governador do RS, Eduardo Leite, divulgou uma chave PIX (CNPJ: 92.958.800/0001-38) para receber doações. 

No entanto, Amorim apontou outras formas de doação, como por meio da Central Única das Favelas (CUFA-RS), “que já tem um trabalho nas próprias comunidades. Ajudando a CUFA, você está ajudando as pessoas dessas comunidades”. As doações podem ser realizadas por meio da chave PIX: [email protected]

Confira outros meios alternativos para doação:

Cozinha Solidária do Azenha

A Cozinha Solidária, em Porto Alegre, está distribuindo marmitas, roupas e outros itens para pessoas atingidas pelas enchentes. A cozinha também está aceitando mantimentos. Doações podem ser feitas por meio deste link https://apoia.se/enchentesrs, ou por ajuda voluntária no local, que fica na Av. Azenha, 608.

PIX Prefeitura de Canoas-RS

A prefeitura de Canoas, no RS, divulgou um PIX solidário.

As contribuições podem ser realizadas por meio da chave PIX [email protected] e, de acordo com a prefeitura, todo o valor arrecadado será utilizado para fornecer abrigo, alimentos, roupas e outros itens essenciais para as famílias afetadas.

MST-RS

O Movimento Sem Terra também pede apoio às vítimas do RS. Confira os dados para doações. Veja como doar: 

Outros meios de doação

RS enfrenta uma das maiores crises da história

O governo gaúcho decretou estado de calamidade, sendo reconhecido pelo governo federal. E por isso, o estado ficou apto a solicitar recursos federais para ações de defesa civil, como assistência humanitária, reconstrução de infraestruturas e restabelecimento de serviços essenciais. O Rio Grande do Sul enfrenta atualmente uma das maiores crises climáticas da história do estado. Até o momento, pessoas estão desabrigadas, sem acesso a saúde, água, comida e eletricidade.

O número de mortos em razão dos temporais que atingem o RS subiu para 83, de acordo com o boletim divulgado pela Defesa Civil nesta segunda-feira (06). São investigadas outras 4 mortes. Além disso, há pessoas 111 desaparecidos e 291 feridos.

Conforme o levantamento da Defesa Civil, são 149,3 mil pessoas fora de casa, sendo 20 mil em abrigos e 129,2 mil desalojadas (nas casas de familiares ou amigos). Ao todo, 364 dos 496 municípios do estado registraram algum tipo de problema, afetando 873 mil pessoas.

O aeroporto Salgado Filho, na capital, segue fechado por tempo indeterminado.

Governadores dos estados do Nordeste, inclusive a governadora Fátima Bezerra (PT), se mobilizam para enviar equipes brigadistas e equipamentos para o estado.

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Consórcio Nordeste vai enviar ajuda humanitária ao Rio Grande do Sul

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