Registros de armas mais que dobram no RN e 56 mil potiguares foram vítimas de roubo em 2021
Natal, RN 12 de abr 2024

Registros de armas mais que dobram no RN e 56 mil potiguares foram vítimas de roubo em 2021

20 de dezembro de 2022
5min
Registros de armas mais que dobram no RN e 56 mil potiguares foram vítimas de roubo em 2021

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O número de registros de armas de fogo no Rio Grande do Norte mais que dobrou entre 2017 e 2021. É o que aponta o Anuário Brasileira de Segurança Pública 2022. No ano passado, foram 19.282 registros, contra 8.903 em 2017. Além disso, mais da metade dessas armas - 10.698 - estão nas mãos de civis, conforme dados do Sistema Nacional de Armas (Sinarm), da Polícia Federal.

O cenário é semelhante ao que se vê no Brasil. Em 2017, haviam 637.972 registros ativos no Sinarm. Quatro anos depois, em 2021, esse número saltou para 1.490.323, um crescimento de 57,2%. Segundo o relatório, esses índices são resultado de uma política de flexibilização na legislação de armas no Brasil e fruto do sucateamento das estruturas de monitoramento e controle. 

Muito além do discurso político que propaga desinformação e incentiva que os brasileiros se armem, o governo federal foi responsável por normas que facilitam o acesso às armas de fogo, ampliam a quantidade e os tipos de armas que as pessoas podem adquirir, possibilitam a compra de uma quantidade muito maior de munição e seus insumos para fabricação particular e não controlada e desmantelam os mecanismos de fiscalização”, diz o estudo.

Oswaldo Negrão, pesquisador do OBVIO

Para o doutor em ciências da saúde, professor e pesquisador do Observatório da Violência da UFRN (Obvio), Oswaldo Negrão, a análise sobre o crescimento dos registros de armas no estado traz duas questões "relevantes e preocupantes": por um lado, o aumento do armamento de civis, com a falsa premissa de que o cidadão armado vai estar mais protegido; e, por outro, o fato de que muitas dessas armas, adquiridas legalmente por parte da população, acaba nas mãos do crime organizado.

"A questão fundamental é a gente reforçar que o armamento da população não quer dizer mais segurança, pelo contrário. Os indicadores apontam que o número de roubos mediante violência também vêm crescendo. Isto é, o armamento é uma ferramenta, desde que utilizado por pessoal treinado, em especial as polícias, militar, civil e federal", alerta o especialista.

Além disso, de acordo com o pesquisador do Obvio, contar com polícias melhor treinadas, sobretudo em investigação e uso da inteligência, ajuda a ampliar a sensação de segurança e a confiança que a população tem nas instituições policiais. Dessa forma, os cidadãos não se sentiriam instigados a recorrer à compra da arma de fogo como uma tentativa de enfrentamento pessoal à violência.

"Nós precisamos que as polícias trabalhem de forma articulada, especialmente com uso da inteligência, para que a gente possa evitar o confronto. O enfrentamento não necessariamente precisa ser feito com o uso do aparato da arma de fogo. A perspectiva prioritária deve ser a prevenção. Porque uma arma de fogo sempre é um risco, seja no domicílio, dentro do automóvel, onde for", conclui Oswaldo Negrão.

56 mil potiguares foram vítimas de roubo mediante grave violência em 2021, diz IBGE

O aumento na circulação de armas tem relação direta com o crescimento da violência, apontam especialistas. Uma pesquisa inédita divulgada pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) mostrou que cerca de 56 mil potiguares tiveram algum bem roubado mediante grave ameaça ou violência em 2021. Isso representa 1,97% da população com mais de 15 anos no estado. 

O estudo, que apresenta números de furtos e roubos e analisa aspectos como a sensação de segurança percebida pela população, faz parte da Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios Contínua (PNAD Contínua) e foi realizado em parceria com o Ministério da Justiça e Segurança Pública. 

Os dados mostram ainda que 64% dos domicílios pesquisados no Rio Grande do Norte tinham pelo menos uma medida de segurança adotada, entre elas: trava, tranca, fechadura ou grade (40,6%), muro ou grades altos, cacos de vidro ou arame farpado (32,3%), cachorro ou outro animal para proteger o domicílio (23,8%), cerca elétrica (12,9%), alarme ou câmera de vídeo (11%), funcionário contratado para vigilância (10,2%), arma de fogo (1,7%). 

Governo não divulgou números de furtos e roubos, mas comemora queda nas mortes violentas

A Agência SAIBA MAIS entrou em contato com a Secretaria da Segurança Pública e da Defesa Social (Sesed) para confirmar os dados do IBGE, mas até a publicação desta reportagem não teve acesso ao levantamento sobre furtos e roubos mediante violência no Rio Grande do Norte. 

No entanto, a Sesed comemora a diminuição nos índices de mortes violentas no estado. Até o dia 30 de setembro deste ano, as autoridades contabilizaram 2.476 mortes a menos, se comparado com o mesmo período da gestão anterior. Foram  5.145 entre 1º de janeiro de 2019 a 30 de setembro de 2022, e 7.621 de 1º de janeiro de 2015 a 30 de setembro de 2018 - uma queda de 32,5%.

Outro destaque positivo, divulgado pelo Governo do RN, está nos crimes de latrocínio, ou seja, roubo seguido de morte. Comparando os dois períodos, os registros caíram de 269, na última gestão, para 200 na atual, isto é, 25,7% a menos.

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