Com segurança particular, professores da UFRN têm assembleia acirrada
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Com segurança particular, professores da UFRN têm assembleia acirrada

17 de junho de 2024
5min
Com segurança particular, professores da UFRN têm assembleia acirrada
Assembeia na UFRN I Foto: Adurn Sindicato

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Com a presença atípica de seguranças particulares, os professores da Universidade Federal do Rio Grande do Norte (UFRN) que fazem parte do Sindicato dos Docentes da UFRN (Adurn-Sindicato) participaram de uma assembleia, na tarde desta segunda (17), no auditório da Reitoria do Campus Central.

Em greve desde 22 de abril, a categoria não chegou a votar sobre o fim ou continuidade do movimento, que está ocorrendo em todo o Brasil nas universidades e institutos federais desde o dia 15 do mesmo mês. A pauta do dia foi a desfiliação do Adurn junto à Federação de Sindicatos de Professores e Professoras de Instituições Federais de Ensino Superior e de Ensino Básico Técnico e Tecnológico (Proifes-Federação).

Os docentes (professores) responderam a pergunta:  “Você concorda com a continuidade da discussão sobre a desfiliação do PROIFES-Federação?”. Ao todo, 241 pessoas votaram pela continuidade do debate sobre a desfiliação e 344 decidiram por não continuar. Ainda foram registradas 16 abstenções. Com esse resultado, o Adurn-Sindicato segue filiada à Proifes-Federação.

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O Contexto

A discussão sobre uma possível desfiliação do Adurn junto à Proifes começou depois que a Federação assinou um acordo com o governo federal, que implicaria no fim da greve.

A Proifes foi a primeira instituição a assinar acordo com o Ministério da Gestão e da Inovação em Serviços Públicos (MGI), em 27 de maio. A Federação possui 11 sindicatos filiados, entre eles, o Adurn.

Porém, os docentes da UFRN questionaram a decisão da Federação sem realização de assembleia, não aceitaram o acordo e decidiram continuar a greve. Além disso, os professores fizeram um abaixo-assinado pedindo a desfiliação do Adurn-Sindicato à Proifes.

Em nota, a diretoria do Adurn já havia se posicionado contra a desfiliação:

“A discussão sobre a desfiliação é muito séria, e pode, de fato, mudar os rumos do Movimento Docente na UFRN, portanto, nós da diretoria do ADURN-Sindicato convidamos os(as) docentes sindicalizados(as) a fazerem uma reflexão sobre a importância da permanência da nossa entidade no PROIFES-Federação. Para isso, faz-se necessário historicizar os motivos pelos quais, em 2011, os professores e professoras sindicalizados da UFRN, em ato massivo, participativo e histórico, aprovaram democrática e soberanamente a transformação da ADURN em Sindicato e, portanto, nossa desvinculação da ANDES. Esse foi o resultado de um processo que iniciou em 2005 e que foi amadurecido ao longo de 6 anos.

A insatisfação da categoria estava, sobretudo, no enrijecimento político da ANDES que, não muito diferente do que ocorre atualmente, pautava suas ações políticas pelo enfrentamento e não pela negociação. Era tudo ou nada, o que, via de regra, deixava a nossa categoria, após longas greves pré-programadas, sem nada. Um cenário que se repetiria em 2024, caso o PROIFES-Federação não tivesse assinado o acordo com o Governo. Naquela época, a ANDES já havia se tornado um conglomerado de partidos políticos de matizes políticas da esquerda à extrema esquerda, profundamente distantes da realidade primária do conjunto dos professores e professoras das instituições federais de ensino”, traz um trecho do texto publicado no site da instituição.

Já a Proifes, entrou com uma ação na justiça contra condutas antissindicais do Sindicato Nacional dos Docentes das Instituições do Ensino Superior (Andes), que também participa da negociação com o governo federal representando outros sindicatos, e que estaria tentando descredibilizar a Proifes através de postagens em redes sociais e site, com uso de linguagem depreciativa.

A greve

Após essa primeira votação sobre a desfiliação, os professores da UFRN decidiram pela realização de um plebiscito sobre a greve. No site do Adurn, a categoria vai responder a pergunta: "você concorda com o encerramento da greve geral por tempo indeterminado da categoria docente da UFRN?”. A consulta vai ocorrer das 8h da quarta-feira (19) às 17h da quinta (20).

Críticas

Alguns professores da UFRN criticaram a presença de seguranças particulares durante a assembleia da categoria e ficaram surpresos com o encerramento repentino da reunião.

"Absolutamente desnecessário num ambiente acadêmico seguranças privados, um desrespeito aos docentes. Desconfiança infundada da ausência da capacidade do debate civilizado", apontou o professor do Departamento de Ciências Sociais da UFRN, César Sanson.

O presidente do Adurn, o professor Oswaldo Negrão, explicou durante a assembleia que a decisão pela presença de seguranças particulares foi tomada em virtude das ameaças de agressão que a diretoria havia recebido nas redes sociais nos últimos dias. O dirigente sindical também disse que as situações de violência em assembleias têm se repetido em outros sindicatos pelo país como, por exemplo, no Sindicato dos Docentes das Universidades Federais de Goiás(ADUFG) e no Sindicato dos Professores das Instituições Federais de Ensino Superior da Bahia (APUB). A medida, portanto, teria sido adotada para garantir a integridade física dos docentes presentes.

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