Ponta Negra: pesquisa da Funpec sobre nova jazida não tinha autorização
Natal, RN 14 de jun 2026

Ponta Negra: pesquisa da Funpec sobre nova jazida não tinha autorização

25 de setembro de 2024
7min
Ponta Negra: pesquisa da Funpec sobre nova jazida não tinha autorização

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A pesquisa realizada pela Fundação Norte-Rio-Grandense de Pesquisa e Cultura (Funpec) para identificar uma nova jazida para engorda da Praia de Ponta Negra também não tinha autorização do Instituto de Desenvolvimento Sustentável e Meio Ambiente (Idema), o que é obrigatório, segundo resolução do Conselho Estadual de Meio Ambiente (Conema) e normativas do Instituto Brasileiro do Meio Ambiente (Ibama).

Imagem: reprodução Governo Federal

Saiba mais: Funpec levou uma semana para encontrar nova jazida em Ponta Negra

A pesquisa foi realizada entre os dias 12 e 19 de setembro, segundo relatório da própria Funpec. Na segunda (23), o diretor Geral do Idema, Werner Farkatt, emitiu uma circular informando sobre a infração à Procuradoria Geral do Estado do Rio Grande do Norte, Procuradoria da República no Estado do Rio Grande do Norte, ao Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais, ao Ministério Público do Estado, Agência Nacional de Mineração – Gerência Regional no Rio Grande do Norte, ao titular da Secretaria Municipal de Insfraestrutura (Seinfra) e ao Centro de Apoio às Promotorias de Justiça de Defesa do Meio Ambiente do Ministério Público do RN. A jazida também não possui licença ambiental para exploração:

Isso é gravíssimo! O Idema está se isentando de exercer seu poder de polícia. O que ele deveria ter feito na hora que observou a infração era embargar a obra. Não sabemos nada sobre essa nova jazida, não há licenciamento, nem o devido estudo ambiental sobre ela. Essa pesquisa da Funpec também não foi feita a partir de um Termo de Referência, que seria entregue pelo Idema com as orientações para os profissionais que fossem realizar a pesquisa, mas isso sequer foi solicitado”, denuncia Marise Costa, professora do Departamento de Direito da Universidade do Rio Grande do Norte (UFRN) e coordenadora do Projeto de Extensão ObCiD (Observatório do Direito à Cidade Sustentável e Democrática)

A Agência Saiba Mais procurou a Procuradoria Geral do estado, além do Ministério Público Estadual e Federal, mas nenhuma das instituições quis se manifestar sobre o assunto.

Imagem: reprodução Governo Federal

Relembre

A obra de engorda da Praia de Ponta Negra começou no dia 30 de agosto, mas no dia 4 de setembro a Funpec recomendou suspender a obra de engorda por causa de incompatibilidade entre a granulometria dos grãos encontrados na jazida localizada na altura do Farol de Mãe Luíza, na Praia de Areia Preta, e aquela presente na praia de Ponta Negra atualmente. A obra foi retomada no último sábado (21), após publicação de um decreto de emergência.

A Agência Saiba Mais tentou contato com a Funpec, mas a instituição não se manifestou até a publicação desta matéria.

Morro do Careca, Praia de Ponta Negra I Foto: Mirella Lopes
Morro do Careca, Praia de Ponta Negra I Foto: Mirella Lopes

Especialistas pedem que Idema embargue nova jazida por descumprimento da lei

Especialistas e estudiosos consultados pela Agência Saiba Mais na tarde desta quarta (25) demonstraram preocupação com a nota pública emitida pelo Idema, na qual afirma estar “isenta de qualquer responsabilidade após comunicação” a alguns órgãos sobre o fato de que a nova jazida encontrada pela Prefeitura do Natal não possui licença ambiental.

Para fazer a obra sem ter que passar novamente por todo o processo de licenciamento, cujas exigências já não haviam sido atendidas, a Prefeitura do Natal emitiu um decreto de emergência por erosão marinha e fez dele um passe livre para passar por cima da legislação ambiental.

Porém, estudiosos que acompanham o assunto apontam que o decreto não isenta o município da obrigação de apresentar estudos e que o Idema, tem o dever de embargar a obra.

O decreto não suspende tudo, não permite que o município faça o que quer, sem apresentar estudos e respeitar a lei. Há, por parte da prefeitura, um descumprimento da licença que recebeu e um claro desrespeito à legislação. Para essa nova área de jazida, também não há dispensa de título minerário. Isso é gravíssimo! Por outro lado, o Idema não tem direito de se isentar de suas responsabilidades, deixando de agir no momento que verifica a conduta ilegal do município. Não existe isso!”, aponta a Marise Costa.

Os estudos de impacto ambiental, além de ser uma exigência legal prevista por lei é um instrumento fundamental e norteador para a execução de qualquer empreendimento justamente porque ele caracteriza toda a área de interesse e elenca todos os possíveis impactos (ambientais, sociais e econômicos) já pontuando possíveis medidas de mitigação e compensação para tais impactos. Se o estudo não for feito, ou for realizado de forma irresponsável, os impactos previstos e os não previstos podem tomar proporções preocupantes”, avalia Maiara Menezes, presidente da Ong Oceânica e Dra. em Ecologia pela UFRN.

A engorda da Praia de Ponta Negra

A obra de engorda e drenagem da praia de Ponta Negra foi orçada inicialmente em R$ 75 milhões, entre recursos da Prefeitura de Natal e do Governo Federal. Porém, segundo o Ministério do Desenvolvimento Regional, o valor subiu para cerca de R$ 108 milhões.

Com a engorda, que será realizada em três etapas, a promessa é de alargar faixa de areia da praia em até 100 metros, na maré seca, e 50 metros na maré cheia. Segundo a Prefeitura do Natal, o serviço de drenagem será realizado pela construtora Edcon, com previsão de conclusão em três meses. Para isso, equipes vão trabalhar nos três períodos, se deslocando por etapas, desde a Via Costeira (na altura do restaurante Mangai) até o final da avenida Erivan França, no calçadão de Ponta Negra. 

*Esta matéria foi alterada às 7h35. Inicialmente, nós dissemos que a obrigatoriedade de licenciamento estava no Código de Mineração.

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