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29 de novembro de 2017
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o pôster
daquele filme japonês
amassava na estante
e o resto de luz do dia
morava na cadeira da sala.
os livros forravam todo o chão
e teciam um mosaico sinuoso,
quando vi o tempo
desenhar teu nome.
não pareciam letras conhecidas.
era um alfabeto novo.
outro traçado.
outro jeito.
outra língua.
e ainda assim
teu nome.
me perguntei
o que fazia ele,
ali,
deitado sobre os livros
de minha tontura?
corri pra buscar ajuda.
esse tanto de folhas
tiram a gente de apuros.
tiram a gente do lugar.
e fervem os fatos.
teu nome
já não tinha espaço.
tinha morrido
de morte matada
em todos as páginas.
tinha caído
de morte morrida
em todas as lágrimas.
teu nome calado.
era só buraco.
e dava pra olhar
bem fundo.
como quem abraça
um parapeito
pra sentir o cheiro
do abismo,
inclinei a cabeça
num tombo.
de onde avistei
minha queda livre
gritar tua graça.

já no chão,
no poço
da página em branco,
meu sangue quente
erguia letra por letra
as vértebras
do teu sentido.
e tingia
nossa história
sem nome.

o papel
vermelho
a bandeira
do fim.

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