Copa do Mundo para mim; Nem Pacheco, nem militante político
Natal, RN 15 de jun 2024

Copa do Mundo para mim; Nem Pacheco, nem militante político

7 de junho de 2018
Copa do Mundo para mim; Nem Pacheco, nem militante político

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Dia desses escrevi no Feicebuque sobre minha relação com a seleção brasileira de futebol em tempos de Copa do Mundo. Relatei que já torci a favor, já torci contra, já me dividi e mudei de rota dentro da própria competição (como em 1994, por exemplo) e que já torci - como torcerei nesta Copa que começa em uma semana - por outras seleções que não a "amarelinha".
 
Não considero a seleção brasileira a "pátria de chuteiras" e não me sinto na obrigação de ter apreço pessoal ou torcida pelo selecionado que, digamos, representa o Brasil na Copa do Mundo e competições outras. Da mesma forma que não me sinto obrigado em preferir por razões "patrióticas" Romero Brito em vez do francês Renoir ou do italiano Modigliani. Nem preciso gostar mais de Wesley Safadão e MC Guiné do que de Beatles ou Edith Piaf porque os primeiros nasceram no mesmo país que eu e os segundos em Liverpool e Paris.
 
Dito isso, confesso que fico a mercê dos acontecimentos. Criança aficionada por futebol, chorei, como todo mundo, com a derrota da seleção mágica de Telê Santana para a Itália em 1982. Quatro anos depois, minha torcida não impediu a queda de Zico, Sócrates e Alemão para a França de Platini. Já em 1990, era difícil torcer por uma seleção chata como a de Sebastião Lazaroni, mas torcer para a Argentina com Maradona, Ruggeri e Canniggia não dava, né?
 
Enfim, mudou o futebol, mudou o mundo e mudei eu. Os jogadores passaram a vestir as camisas de clubes europeus, alguns mal jogaram em campos brasileiros e ganharam sucesso no Velho Mundo. Por minha vez, passei a torcer mais pela mitologia do futebol como um todo. Como, em 1998, torcer contra um estádio inteiro cantando a marselhesa e pela derrota de Deschamps e Zidane em prol do êxito de uma figura enjoada como Zagallo, um Ronaldo marionete da Globo e uma zaga com... Junior Baiano. Comemorei muito os 3x0 dos bleus.
 
Em 2002, acabei torcendo pela "Família Scolari", até porque Felipão não cedeu a convocar Romário. Já em 2006, não dava para torcer por Parreira e gente como Ronaldinho Gaúcho naquele fase "eu sou a estrela". Novamente vibrei com a França e o gol de Henry. E achei por bem para a mitologia do futebol Canavarro levantar a taça e gente como Buffon ser campeã do mundo.
 
Ou seja, dou-me o direito de mudar de ideia e de torcida em plena Copa. Não me amarro nem às minhas próprias cismas pessoais. No andamento da Copa da Rússia, se Neymar se contundir, a seleção se unir e mostrar o espírito de 2002 ou 1994, posso até torcer pela Hexa. Se, pelo contrário, o mimado Neymar se achar a última Coca-Cola do deserto da Copa e Tite tratar a Rede Globo como amiguinha de concentração, começo a simpatizar pelo adversário. E a seleção brasileira não precisa de minha torcida para ser campeã (ou não).
 
Ah, mas tem os amigos politizados ao extremo que analisarão que torcer pelo êxito da seleção é compactuar com gente como Marin e Del Nero à frente da famigerada CBF. Sim e não. A grosso modo, as conquistas escondem os mal feitos dos envolvidos. Por outro lado, quem chuta a bola ou defende o gol certo são os jogadores que vimos nascer para o futebol e por quem em algum momento da vida já lamentamos ou rimos, enfim, a festa do campo é dos jogadores. Politizar em excesso o futebol é perda de tempo. Vide as memórias dos guerrilheiros durante a Copa de 70 que começaram a Copa torcendo contra para não encher a bola de Médici, o ditador de plantão, e terminaram se rendendo a Pelé, Gerson e Tostão. 
 
Copa do Mundo é democrática. Torce quem quer, para quem quiser e da maneira que quiser.
 
 

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