Caso Gabriel: Audiência com policiais acusados de matar adolescente é adiada pela terceira vez
Natal, RN 19 de jun 2024

Caso Gabriel: Audiência com policiais acusados de matar adolescente é adiada pela terceira vez

7 de junho de 2021
Caso Gabriel: Audiência com policiais acusados de matar adolescente é adiada pela terceira vez

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Pela terceira vez somente este ano, foi adiada a audiência de instrução e julgamento relacionadas ao assassinato de  Giovanni Gabriel de Sousa Gomes, sequestrado e morto em 5 de junho de 2020. O jovem de dezoito anos desapareceu após sair de casa para visitar a namorada no município de Parnamirim, na Região Metropolitana de Natal. Os principais acusados do crime são quatro policiais militares que estão detidos preventivamente desde setembro do ano passado.

O primeiro adiamento ocorreu no começo do ano,  quando as audiências destinadas a ouvir testemunhas e os réus no caso foram transferidas de 21, 22 e 23 de janeiro para os dias 8, 9 e 10 de fevereiro. Na época, houve a nova data foi estabelecida para que um fosse acatado o pedido de anexação de interceptações telefônicas aos autos processuais.

O Ministério Público do Rio Grande do Norte se manifestou explicando, via assessoria de imprensa, que havia “material probatório ainda não fornecido à defesa dos acusados para análise e o tempo até a audiência para isso era muito curto”.

A segunda data fui cumprida. De 8 a 10 de fevereiro, diversas testemunhas de acusação e defesa foram ouvidas. Todavia, houve novo adiamento já que duas pessoas duas pessoas que cruzaram com o adolescente antes da abordagem policial ainda não  haviam sido intimadas a testemunhar sobre o caso.

Nesta segunda-feira, 7, após um ano de morte do adolescente, deveria ter sido realizada a audiência destinada a ouvir os réus e determinar o tipo de julgamento destinado a eles. Contudo, a etapa foi remarcada para às 9h do dia 7 de julho.

A decisão foi tomara pelo juiz Marcos José Sampaio de Freitas Júnior, da 1ª Vara Criminal da Comarca de Parnamirim. A defesa pediu acesso ao relatório com dados extraídos da quebra de sigilo telefônico dos acusados. Segundo o advogado da família de Gabriel, Hélio Miguel, as operadoras de celular Tim e Vivo ainda não enviaram os dados solicitados pela justiça.

"Nós avaliamos que sempre é ruim qualquer adiamento, porque as informações, principalmente das testemunhas, quanto mais o tempo passa, mais vão se perdendo", argumenta o advogado. Segundo ele, esse longo período pode trazer mudanças no caso já que as testemunhas poderão esquecer informações importantes.

Família cobra justiça após um ano do crime

Neste domingo, 6, familiares e amigos de Gabriel, além de moradores do bairro Guararapes, onde a família reside, na Zona Oeste de Natal, circularam em memória e protesto ao assassinato do jovem. O cortejo reuniu centenas de pessoas que vestiam camisas e erguiam cartazes com homenagens e pedidos de justiça. O evento foi finalizado com ato cultural na Praça Guarapes.

Se eu falasse com os quatro policiais que mataram o meu filho, eu perguntaria quais foram as últimas palavras de Gabriel”, disse Priscila Sousa, mãe de Gabriel durante entrevista ao Balbúrdia na última sexta-feira, 5. De acordo com ela, há provas contundentes de que o rapaz foi morto por quatro policiais militares sem nenhuma chance de defesa.

Relembre o caso

Na manhã do dia 5 de junho de 2020, Giovani Gabriel circulava pelo Loteamento Cidade Campestre, em Parnamirim, indo visitar a casa da namorada. Como o relacionamento não era aprovado pelo pai da garota, o rapaz só a visitava quando os parentes estavam fora de casa e escondia a bicicleta numa área próxima a casa.

Enquanto isso, policiais eram acionados para dar conta do roubo de um carro em Parnamirim. O veículo pertencia a cunhada de Paullinelle Sidney Campos Silva, sargento da polícia militar que acionou outros três agentes, todos eles lotados no município de Goianinha, para buscas do veículo e responsável pelo roubo. Foi assim que Bertoni Vieira Alves, Valdemi Almeida de Andrade, Anderson Adjan Barbosa de Souza chegaram a Gabriel. Tendo encontrado o veículo próximo a onde o rapaz circulava, confundiram o jovem com o responsável pelo roubo e o levaram na viatura.

De acordo com investigações da Polícia Civil, Gabriel foi executado a tiros pelos policiais que deixaram o corpo do jovem em São José do Mipibú, distante 20km de Parnamirim. O cadáver de Giovani Gabriel só foi encontrado nove dias depois de ocorrido já em estado de decomposição. Familiares e amigos realizaram as buscas.

Foram registradas várias ligações do sargento para os policiais que estavam na viatura no período em que teriam se dados os fatos do crime.

Os advogados de acusação acreditam que os quatro PMs devem ir a Júri Popular tendo em vista a quantidade de provas e a natureza do crime. De acordo com informações de Hélio Miguel fornecidas na ocasião do primeiro adiamento, há fotos da viatura do município de Goianinha que estava em Parnamirim. O advogado explica que a Polícia Civil conseguiu mapear, na quebra de interceptação, que o local onde eles estavam quando recebiam ligações era o mesmo onde ocorreu o sumiço de Gabriel.

“São muitos elementos que eles não conseguem explicar. [Como] o porquê de uma viatura de Goianinha estar em Parnamirim. Eles abordaram o Gabriel por último, houve uma outra viatura que abordou primeiro, liberou ele. Tudo isso tem testemunhas”, disse.

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