O dia em que a Terra (na verdade, o Zap) parou
Natal, RN 24 de jun 2024

O dia em que a Terra (na verdade, o Zap) parou

5 de outubro de 2021
O dia em que a Terra (na verdade, o Zap) parou

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Pois é, ontem, segunda-feira, 4 de outubro de 2021, vivemos o tal Dia em que a Terra parou, momento criado e cantado por Raul Seixas, só que na versão WhattsApp. Ou seja, o Zap parou, deixou de funcionar por algumas horas e foi como se a Terra realmente tivesse parado.

Não chega a ser novidade ou surpresa a nossa dependência coletiva do aplicativo WhattsApp. Mas, quando vimos na prática o resultado de não poder acessá-lo por seis, sete horas, tivemos uma noção exata de nossa dependência da ferramenta.

Não se trata também de vícios tolos ou futilidades vãs, nada disso. Boa parte de nós necessita do Zap para trabalhar, seja no exercício da profissão, seja de maneira autônoma fazendo contatos e entregas, por exemplo. Outra parte das pessoas trabalha pelo zap na divulgação de conteúdo e informação (meu caso, inclusive).

Há ainda uma imensa quantidade de gente que administra situações, filhos, pais idosos, à distância, justamente pelo zap, e sem ele teve de recorrer a maneiras mais arcaicas (como o hoje velho telefonema) de comunicação. Que são sempre complicadas quando não estamos esperando ter de usá-las.

Claro que também existe um grupo que "comemorou" o bug do Zap. E declarou nas redes que isso possibilitou que ouvissem música, assistissem filmes, conversassem mais com amigos e parentes. Compreensível, mas, vamos que calma que também não é assim. Mesmo quem não tem necessidade do Zap por motivos profissionais ou de operacionalidade de vida há de precisar dele em algum momento para além dessas seis horas de filmes, canções e risos, nem que seja para pedir comida a domicílio ou marcar saída com um grupo de pessoas.

Condicionamos nossa vida ao Zap. Não é o ideal, e tampouco é algo ruim. É apenas um fato. Teve gente que comentou, com razão, que acabamos todos dependentes de Mark Zuckerberg, controlador do Zap e também do Facebook e Instagram (duas outras formas de comunicação, além de redes sociais). Sim, estamos, como no frigir dos ovos estamos também nas mãos de Bill Gates e estivemos nas mãos de Steve Jobs. Nossos pais e avós também já estiveram sob o domínio de Ford, para dar um exemplo de empreendedorismo e podemos arriscar dizer que várias gerações de brasileiros e brasileiras viveram sob o império de Roberto Marinho.

De maneira geral, constatada a nossa dependência completa do Zap e o resultado de um "sumiço" dele, fica a sensação que estamos à mercê da tecnologia e do universo virtual,  on-line. Quantas pessoas não saem de casa sem 1 real no bolso e dependem do cartão de crédito? E se em seis, sete horas o sistema de crédito "parar" feito o zap, como pagar as contas do bar e restaurante? Como voltar para casa de Uber?

Enfim, conformemo-nos com nossa dependência desta tecnologia e das redes sociais, tanto pela comunicação rápida, coletiva e barata como pela facilidade de interação, divulgação e mesmo de diversão. É o signo do nosso tempo, da mesma maneira que nos anos 70/80 era indispensável ter um telefone de fio em casa. Pode-se pensar em um controle social e uma regulação destes aplicativos e redes? Claro que sim. Mas, esse debate surgirá no momento em que reconheçamos todos nossa total dependência desse sistema de comunicação e interação.

Ontem, de certa maneira, a Terra parou, à espera da volta do Zap (que foi o que realmente parou). Pode acontecer novamente, fiquemos preparados.

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