CIDADANIA

Dos 167 municípios do RN, 88 estão com vacinação contra a poliomielite abaixo dos 50%

A poliomielite é uma doença grave que deixa sequelas graves, como a paralisia dos músculos, inclusive daqueles necessários para a fala e deglutição. Mesmo assim, no Rio Grande do Norte, um total de 88 municípios estão com a meta de vacinação abaixo dos 50% e outras 70 cidades estão com percentual que varia entre 50% e 94,99%.

Em todo o RN, a média de vacinação contra a pólio alcançou apenas 34,84%, o que representa 64.707 doses aplicadas em crianças de 1 a menores de cinco anos de idade. A campanha, que começou em agosto, segue até 30 de setembro e a expectativa é vacinar 95% das crianças nessa faixa etária.

Até essa última segunda (19), segundo dados do portal RN+Vacina, apenas nove municípios do estado tinham atingido a meta de vacinação de 95%: Monte das Gameleiras, Fernando Pedroza, Caiçara do Rio do Vento, Santana do Seridó, São José do Seridó, Água Nova, Francisco Dantas, José da Penha e Severiano Melo.

Dos municípios da Região Metropolitana de Natal, Extremoz alcançou a marca de 50,21% de cobertura vacinal, São Gonçalo do Amarante está com 27,24%, seguido por Parnamirim com 25,53%, Macaíba com 24,67% e Natal, com 18,48% – o que representa 7.594 doses aplicadas.

Desde 2017, o RN não tem conseguido atingir o percentual de cobertura para a pólio estipulado pelo Ministério da Saúde. Em 2021, o número foi de 69,88%; em 2020, era de 69,7% do público alvo; já em 2019, o índice de vacinação era bem maior com 80,74% de cobertura; em 2018, a média de vacinação era ainda mais lata com 90,32% de cobertura, enquanto em 2017, a média ficou em 69,52%.

Kelly Lima, da Sesap I Foto: Elisa Elsie

Diante disto, elaboramos uma série de estratégias para que os municípios consigam efetivar na prática e que a gente mude esse cenário. Esta semana, de 19 a 26 de setembro, as escolas, CMEI’s [Centro Municipais de Educação Infantil] e creches devem promover a vacinação para as crianças; também orientamos a ampliação do acesso para que toda a população consiga vacinar seus filhos, seja com a abertura dos pontos de vacinação à noite ou em praças e supermercados, para que de fato a gente consiga a cobertura de 95% das crianças”, alertou Kelly Lima, coordenadora de vigilância em saúde da Secretaria de Estado da Saúde Pública (Sesap).

Como funciona o esquema de vacinação contra a pólio

O esquema vacinal prevê a aplicação de três doses para que a cobertura seja considerada completa, o que a Sesap e o Ministério da Saúde chamam de vacina VIP.  Pelo esquema vacinal, a 1ª dose deve ser aplicada aos 2 meses de vida, a 2ª dose aos 4 meses e a 3ª dose aos 6 meses, todas injetáveis. Apenas depois dessa fase, são aplicadas as doses de reforço (VOP), sendo a 1ª entre os 15 e 18 meses e a 2ª entre os 4 e 5 anos, podendo ambas ser por meio da vacina oral.

  • 1ª dose: aos 2 meses de vida com a VIP –injetável ;
  • 2ª dose: aos 4 meses de vida com a VIP –injetável;
  • 3ª dose: aos 6 meses de vida com a VIP –injetável;
  • 1º reforço: entre os 15 e 18 meses, que pode ser por meio da vacina oral (VOP);
  • 2º reforço: entre os 4 e 5 anos, que pode ser por meio da vacina oral (VOP).

Alerta de reaparecimento da poliomielite

O Dia “D” de mobilização estadual foi realizado no último 17 de setembro. O Ministério da Saúde estima que mais de 185 mil crianças devem ser vacinadas no Rio Grande do Norte, mas apenas 47.029 doses foram aplicadas. A Sesap emitiu um alerta no dia 9 de agosto aos municípios potiguares para solicitar esforços no alcance das metas dessa vacinação.

A baixa adesão em todo o país forçou a prorrogação da campanha nacional de 2022, que terminaria no dia 9, para o dia 30 de setembro. No Brasil, o último caso detectado foi em 1989, na Paraíba, mesmo ano em que a doença apareceu pela última vez no Rio Grande do Norte, com um registro em São José do Seridó.

Confira as vacinas disponíveis na Campanha de Multivacinação 2022*: 

Para crianças até os sete anos de idade: BCG, Hepatite B, PENTA (DTP/Hib/ HB), Polio, Rotavírus, Pneumocócica 10 valente (Conjugada), Meningocócica C (Conjugada), Febre amarela, Tríplice viral (sarampo, caxumba e rubéola- SCR), Tetra viral (sarampo, caxumba, rubéola e varicela-SCRV), DTP, Hepatite A, Varicela.  

Para crianças a partir de sete anos e adolescentes: Hepatite B, Febre amarela, Tríplice viral (sarampo, caxumba e rubéola-SCR), Difteria e tétano adulto, dTpa, Meningocócica ACWY (Conjugada), Meningocócica C (Conjugada), HPV quadrivalente, Varicela. 

 

*Com informações da Sesap e Ministério da Saúde.

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