DEMOCRACIA

Em debate, Rogério Marinho é apontado como “carrasco” por reforma trabalhista

O primeiro debate na televisão com candidatos a senador pelo Rio Grande do Norte trouxe uma série de farpas sobre o passado dos políticos e poucas propostas. O centro das atenções foi Rogério Marinho (PL), lembrado e criticado por seu apoio à reforma trabalhista, enquanto era deputado federal, e pelo papel em favor da aprovação da reforma previdenciária, já como secretário da Previdência e Trabalho durante o governo Bolsonaro. Carlos Eduardo foi criticado pelo apoio ao presidente em 2018, enquanto os adversários lembraram que Rafael Motta votou a favor do impeachment contra Dilma Rousseff.

O debate, realizado pela Band, reuniu nos estúdios da emissora os cinco candidatos de partidos que possuem representação no Congresso. Estiveram presentes Carlos Eduardo (PDT), Rafael Motta (PSB), Geraldo Pinho (PODE), Freitas Júnior (PSOL) e Rogério Marinho (PL).

A discussão seguiu o formato de sabatina. A cada bloco, um candidato era questionado por todos os outros, e a escolha da pergunta era de tema livre. Já no sexto bloco, cada senadorável recebeu um tema para comentar, sorteado a partir da votação do público.

Rogério, o carrasco

Um dos alvos de maior atenção foi o ex-ministro e ex-deputado federal Rogério Marinho (PL). Em uma pergunta de Carlos para Rafael, o ex-prefeito lembrou que as obras de transposição do Rio São Francisco, reivindicadas por Bolsonaro e Marinho, é resultado do governo Lula e citou uma fala de Motta em entrevista passada, quando afirmou que “nem as águas do São Francisco poderiam limpar a sujeira do Rogério Marinho na reforma trabalhista e na reforma previdenciária”. 

Na resposta, o pessebista criticou o ex-ministro, que tem usado as obras como trunfo de campanha. “O candidato Rogério Marinho é conhecido como o carrasco do trabalhador, como o algoz do aposentado. E se apoderar de uma obra que não foi de sua autoria, onde foi feita pouca porcentagem em relação ao montante total da obra, talvez seja muito falacioso”, criticou.

Em outro momento, Rafael Motta novamente condenou Marinho. “Você é uma ‘persona non grata’ no Rio Grande do Norte, tanto que não se reelegeu deputado federal e acabou promovendo a reforma da previdência. Daqui a 20 anos, nós teremos 30 milhões de brasileiros que sequer terão direito à aposentadoria graças a você, o algoz do trabalhador”, acusou.

Freitas Júnior cutucou o ex-ministro e lembrou um termo que voltou à tona após o presidente perder o controle recentemente e tentar tirar o celular das mãos de um youtuber. “Para trabalhador e para aposentado você é todo tigrão, é valente. Agora você não passa de uma tchutchuca do centrão igual ao seu presidente”.

Carlos, o arrependido

O primeiro a ser sabatinado foi o ex-prefeito de Natal, Carlos Eduardo. Logo no início, Freitas perguntou se ele teria “vergonha da família” por, segundo o candidato, esconder o sobrenome “Alves”, e se teria se envergonhado do apoio ao presidente Jair Bolsonaro (PL) em 2018.

“Eu tenho maior orgulho do meu sobrenome, apenas fiz minha carreira política sem estar escorado em sobrenome que é muito conhecido na vida pública do Rio Grande do Norte”, justificou o ex-prefeito. Depois, elencou obras e iniciativas que fez em seus mandatos.

Sobre Bolsonaro, o candidato reconheceu que se arrepende. “Eu cometi um erro, e não tenho compromisso com o erro”. Para tentar reparar a escolha de quatro anos atrás, prometeu ajudar a governadora Fátima Bezerra (PT) a se reeleger.

Em outro momento, Marinho voltou ao tema da eleição passada e Carlos Eduardo novamente falou sobre o arrependimento de ter escolhido o atual presidente. “A eleição de 2018 ficou lá. Hoje, fazendo uma revisão das minhas posições políticas, depois de pedir desculpas pela posição que tomei em favor de Bolsonaro, isso não contribui em nada para que a gente possa fazer a aliança que fizemos, às claras, e disputar e vencer as eleições”.

Motta ainda o inquiriu sobre sua escolha para a presidência da República nestas eleições. O pedetista está numa coligação com a Federação Brasil da Esperança, composta por PT, PCdoB e PV, que tem Lula como candidato. Já o PDT de Carlos Eduardo lançou Ciro Gomes em uma chapa pura.

“Nós temos uma coligação com o Partido dos Trabalhadores. O presidente Lula escolheu nosso companheiro de chapa, a nossa coligação majoritariamente vota no presidente Lula, e o PDT vota no candidato Ciro Gomes. Não tenho porque dar satisfações nessa área”, se esquivou, sem cravar o nome que apoia. 

Rafael, o apoiador do impeachment

Um ponto sensível abordado por adversários de Rafael Motta, como Carlos Eduardo e Freitas Júnior, foi seu voto favorável ao impeachment contra a presidente Dilma Rousseff (PT), em 2015. Motta acusou Carlos de ter sido complacente com as reformas impopulares da Previdência e trabalhista, além de ter pedido voto para Bolsonaro. O pedetista reagiu.

“Quem expulsou o PT do poder, quem expulsou a esquerda do poder, foi seu voto e seu discurso no impedimento de Dilma. A reforma trabalhista [foi] necessária, mas prejudicou em muitos pontos a vida do trabalhador brasileiro”, disse o ex-prefeito. 

O psolista Júnior também adotou o embalo para lembrar da votação de sete anos atrás. “Infelizmente a gente está vivendo esse momento porque você apoiou um golpe contra a presidente eleita. Você é um surfista. Surfou no antipetismo, agora quer surfar no lulismo. Apoiou um golpe contra uma presidente, e lá em Mossoró você disse que era uma reação, uma revanche, porque ela demitiu um ministro”. 

Freitas, o atirador

Com menor destaque frente às atenções voltadas aos primeiros colocados nas pesquisas, Freitas Júnior (PSOL) foi com a artilharia apontada para todos. Em reação a Carlos, disse que não era das grandes famílias da política potiguar.

“Eu não pertenço às oligarquias, como os outros candidatos aqui. Não sou filhote de oligarquia. Não preciso esconder parentes em posições políticas”, pontuou.

Em uma pergunta voltada à saúde, prometeu recompor o orçamento geral da União para a saúde, que foi prejudicada pelo Teto de Gastos. Segundo ele, o teto “inviabiliza a expansão das políticas de saúde no nosso país”.

No bloco em que foi sabatinado, Carlos Eduardo perguntou a opinião do psolista sobre a reforma da Previdência, e Freitas defendeu a revogação total dela e da reforma trabalhista. Com a mesma artilharia, Freitas aproveitou o gancho para criticar a falta de posicionamento do pedetista sobre a revogação das medidas. 

“Essa maldade, essa perversidade, promovidas por Rogério Marinho, tem a digital de Carlos Eduardo. Você, há quatro anos atrás, quando foi para a televisão defender Bolsonaro, estava defendendo essa reforma da Previdência”. 

Além disso, o candidato ainda defendeu a causa animal e citou a renda básica de cidadania, projeto do paulista Eduardo Suplicy, afirmando que iria constitucionalizar o atual auxílio de R$ 600 pago pelo Governo Federal. De acordo com Freitas, o recurso viria de uma reforma tributária, taxação das grandes fortunas e o fim do chamado “orçamento secreto”.

Geraldo, o tímido

O desempenho mais tímido do debate foi o do médico Geraldo Pinho (PODE), candidato da chapa de Styvenson Valentim. Com um 1% na última pesquisa Ipec, mesma porcentagem de Freitas, ele evitou fazer perguntas duras aos candidatos e criticou o clima de ataque do debate.

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