Ex-presidentes da Câmara, Henrique Alves e Eduardo Cunha sofrem derrota esmagadora nas eleições
Natal, RN 17 de jul 2024

Ex-presidentes da Câmara, Henrique Alves e Eduardo Cunha sofrem derrota esmagadora nas eleições

4 de outubro de 2022
4min
Ex-presidentes da Câmara, Henrique Alves e Eduardo Cunha sofrem derrota esmagadora nas eleições

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Eles já foram homens fortes da República e hoje registram desempenhos pífios nas eleições. Henrique Eduardo Alves (PSB-RN) e Eduardo Cunha (PTB-SP) sofreram derrotas acachapantes nas urnas, neste domingo (02). Ambos tentavam voltar à Câmara dos Deputados, Casa legislativa em que já presidiram de 2013 a 2016, mas não alcançaram êxito e vão ficar sem mandato pelos próximos anos.

No Rio Grande do Norte, o ex-deputado federal Henrique Eduardo Alves deixou o MDB após 52 anos e ingressou no PSB para tentar um novo mandato na Câmara, conquistando apenas 11.630 votos, insuficientes para a eleição. A saída do ex-deputado do partido veio após uma crise com seu primo e ex-senador, Garibaldi Alves, que comanda a sigla no Estado ao lado do filho Walter Alves. 

Como comparação, o deputado federal eleito com menos votos foi Sargento Gonçalves (PL), que registrou 56.315 votos — quase cinco vezes o desempenho de Alves. Nem dentro do PSB a votação foi boa. Henrique ficou atrás da vereadora de Carnaúba dos Dantas, Thabatta Pimenta, que teve 40.533 votos, e do vereador mossoroense Pablo Aires, com 21.996.

Henrique Eduardo Alves foi deputado federal por 11 mandatos consecutivos, de 1971 a 2014, tendo presidido a Casa entre 2013 e 2015, durante o governo Dilma Rousseff (PT). Também ocupou o cargo de ministro do Turismo. Sua última disputa eleitoral havia sido em 2014, quando concorreu ao Governo do Rio Grande do Norte pelo MDB. Ele terminou o primeiro turno em primeiro lugar com 47,34% dos votos e foi ao segundo turno contra Robinson Faria. Na segunda rodada, porém, Alves perdeu força e foi derrotado por Faria.

Nas redes sociais, o ex-ministro publicou uma mensagem em que disse que “sempre soube que não seria fácil”, e falou de “injustiças” cometidas contra ele. Na disputa, afirmou que concorreu sem o seu “partido da vida, sem um prefeito ou deputado, sem cargos ou estrutura a nos fortalecer”. 

“Contei com amigos fiéis e obstinados nessa caminhada fraterna. A eles toda minha gratidão. Injustiças dentro e fora da política. Algumas fazem parte do jogo, outras difíceis até de acreditar”, sentenciou.

Pai do golpe, Eduardo Cunha teve pouco mais de 5 mil votos em SP

Eduardo Cunha (PTB-SP), 63, foi do céu ao inferno. Em 2015, época em que presidia a Câmara dos Deputados depois de suceder Henrique Alves, foi o pivô do afastamento de Dilma Rouseff (PT) e do seu posterior impeachment, ocorrido em 2016. Neste mesmo ano, foi alvo da Operação Lava-Jato. Depois de 11 meses de processo na Câmara, teve o mandato cassado por 450 votos a 10 por quebra do decoro parlamentar. O deputado foi acusado de mentir à CPI da Petrobras ao negar, durante depoimento em março de 2015, ser titular de contas no exterior.

Sem a mesma força política de antes, Cunha mudou seu domicílio eleitoral do Rio de Janeiro para São Paulo e se filiou ao PTB de Roberto Jefferson. Sua candidatura ainda enfrentou um imbróglio, já que com a cassação em 2016, ele havia se tornado inelegível até 2027. Cunha, porém, foi beneficiado por uma decisão do atual presidente da Câmara, Arthur Lira (PP-AL), que permitiu que ele entrasse na Justiça Federal de Brasília com uma ação para anular a cassação de seu mandato de deputado, em 2016. O processo atualmente está em tramitação. 

Na campanha, ele manteve a postura antipetista e utilizou um slogan que falava sobre “tirar o PT de novo" do poder. Com a apuração final, Cunha recebeu apenas 5.044 votos e ficou na 383ª posição entre os deputados mais bem votados.

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