Sandra desiste de eleições, diz que sempre votou em Lula e reflete sobre os Rosados: “qual político nunca se desgastou?”
Natal, RN 15 de jun 2024

Sandra desiste de eleições, diz que sempre votou em Lula e reflete sobre os Rosados: “qual político nunca se desgastou?”

27 de janeiro de 2023
9min
Sandra desiste de eleições, diz que sempre votou em Lula e reflete sobre os Rosados: “qual político nunca se desgastou?”

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A ex-deputada federal Sandra Rosado (UNIÃO) anunciou neste mês que não será mais candidata. Com uma carreira de mais de 30 anos, ela revela que sempre votou em Lula para presidente, com uma única exceção. Com o desgaste dos Rosados – a assistente social tentou voltar à Câmara no ano passado, sem êxito –, Sandra reflete: “qual político que ainda não teve episódios na sua vida de vitórias e derrotas?”. Apesar de deixar as candidaturas de lado, afirma que não deixará os debates: “política eu serei sempre”.

A primeira eleição da mossoroense foi em 1992, quando concorreu à vice-prefeita na chapa do tio Dix-huit, e assumiu o principal cargo do Palácio da Resistência quando o veterano faleceu. Em 1996, concorrendo à reeleição para prefeita, perdeu para a prima Rosalba. Depois disso, foram mais sete eleições no currículo, somando vitórias como deputada estadual, federal e vereadora. Em 2022, tentou retornar à Câmara, mas recebeu apenas  6.760 (0,36%) e não foi eleita.

A paz de não ter mandato

De acordo com a ex-parlamentar, a decisão de parar já vinha sendo pensada, e contou com o apoio do marido, o médico e também ex-deputado Laíre Rosado Filho.

“Eu já vinha refletindo isso há muito tempo, e meu companheiro de vida e de luta Laíre vinha sempre me mostrando que era muito melhor a paz de não ter o mandato, do que ter um mandato que eu abraçava com tanta fidelidade, com tanto empenho. E resolvi [parar]”, explica.

Mossoroense é casada com o médico Laíre Rosado Filho | Foto: reprodução

Apesar da decisão, enfatiza que não sairá da arena dos debates. A candidata “oficial” do seu ramo será agora somente a filha Larissa, atualmente vereadora de Mossoró.

“Política eu serei sempre. Participar das discussões, comentar sobre política, isso aí eu farei até o fim da minha vida, porque eu gosto de fazer política, eu não sou carreirista da política, sou política por vocação. Então isso eu farei sempre e devo passar isso para que Larissa continue e possa ter um reconhecimento do povo do Rio Grande do Norte, da política que ela sempre foi também de muito empenho e de muita honestidade. Sendo Larissa eu fico totalmente contemplada, mas vou continuar a trabalhar pelo RN. Trabalhar, pedir, reivindicar eu farei sempre”, reitera.

Lula

Em 2022, além da própria postulação à Câmara, Sandra fez dobradinha com Larissa para a Assembleia. A filha também não obteve êxito. Para a presidência, não teve dúvidas: depositou o 13.

“Eu sempre votei em Lula. Eu só não votei, das candidaturas que ele teve, uma vez, uma única vez”, revela. 

A deputada ainda revela outra informação: seu pai, o ex-prefeito Vingt Rosado, também votou no petista na última eleição em vida. O patriarca morreu em 1995, aos 77 anos. Lula perdeu para Fernando Henrique Cardoso (PSDB) no ano anterior.

“O último voto que meu pai deu para presidente da República foi para Luiz Inácio Lula da Silva. Desde esse tempo que eu sempre votei em Lula, independente de qualquer influência de qualquer liderança do Rio Grande do Norte. Eu voto em Lula porque eu acredito nele”, sentencia.

Sandra ao lado do pai, Vingt Rosado | Foto: reprodução

Na Câmara, a partir da legislatura de 2023, Sandra enxerga que o presidente logo ganhará apoio da maioria dos deputados. Arthur Lira (PP) encaminha a reeleição para a presidência da Câmara, enquanto Rodrigo Pacheco (PSD) tentará mais uma vez comandar o Senado. Ambos têm o apoio de Lula. 

No Estado, a ex-deputada é filiada ao União Brasil, sigla oriunda da fusão entre o PSL e o DEM. O partido ganhou assento em três ministérios (Turismo, Comunicações e, de maneira indireta, a Integração Nacional e o Desenvolvimento Regional), mas o apoio da bancada ao petista ainda não está definido. Uma reunião do novo grupo deve acontecer no dia 31, na véspera da posse.

“É só questão de adaptação, de acomodação política. Não é a primeira vez que vai acontecer essa acomodação. Dentro de muito pouco tempo Lula estará com a maioria da Câmara e do Senado. Lula é um político muito vocacionado, muito inteligente, muito preparado, e sabe dialogar. Quer seja eleito Lira ou Pacheco, Lula sempre terá o alinhamento não somente com os que o elegeram, mas com os novos companheiros que certamente virão. Isso é uma questão de acomodação porque a gente tem visto na história política do Brasil”, afirma.

Desgaste dos Rosados

Além da derrota dos dois principais nomes do sandrismo em 2022, os Rosados acumulam outras derrotas recentes. Também no ano passado, Beto (PP) perdeu a reeleição para deputado federal e, em 2020, Rosalba perdeu a reeleição para a Prefeitura de Mossoró. O insucesso municipal da “Rosa” foi o principal alerta de insucesso da família mais tradicional da cidade.

“Qual é o político que ainda não se desgastou? Qual o político que ainda não teve episódios na sua vida de vitórias e derrotas? Se for relacionar, a gente vai ver, por exemplo, a governadora Fátima já perdeu para Micarla, o deputado Henrique já perdeu, Garibaldi já perdeu, José Agripino já perdeu, Rosalba já perdeu campanhas. Mas para quem é um político vocacionado, isso não representa nenhum demérito”, frisa Sandra. 

Apesar disto, a ex-deputada não vê o “fator Rosado” como um motivo para os resultados desfavoráveis.

“Não é a questão de ser Rosado ou não. A questão é política. A gente não trata desse assunto como uma questão familiar. Os Rosados estão na política porque, em um partido ou outro, eles certamente têm vocação política. A história do Rio Grande do Norte mostra muito bem isso”, afirma.

De acordo com Sandra, a influência familiar está presente em outras áreas, não somente nos parlamentos. 

“Nós estamos, como família, espalhados nos vários setores. Na indústria, no comércio, na política, na medicina. Tantos médicos no Rio Grande do Norte dentro da família Rosado e que servem à população. Esses episódios de vitórias e de derrotas, quem foi um bom político está preparado para as duas coisas, para saber ganhar e para saber perder, para saber se recuperar, resgatar o que perdeu e construir um caminho de futuro”, reflete ela, que é sobrinha do ex-governador Dix-Sept Rosado.

Legado

Ao longo dos cerca de 30 anos em que manteve presença ativa em eleições, Sandra teve, dentre outros, um mandato como deputada estadual e três como federal. Um dos seus principais orgulhos é a autoria da lei que garantiu a criação do curso de Medicina da Uern e a articulação para os recursos. Também comemora a atuação a favor do estatuto do desarmamento. “Muitas vidas poderiam ter sido poupadas se não houvesse uma arma por perto”, disse, em um discurso no plenário da Casa à época da tramitação.

Mesmo sem mandato, não quer deixar o papel de liderança, e já se articula para uma pauta que considera importante: a duplicação da BR-304.

“Eu já estou levantando a minha voz para que a duplicação da 304 não se restrinja apenas à Reta Tabajara. Essa luta tem que ir até Aracati, no Ceará. Tem que passar por Mossoró para beneficiar o Oeste, e esse é um compromisso histórico que eu já lutei como deputada federal e vou continuar a lutar”, defende.

Último mandato foi como vereadora de Mossoró | Foto: Edilberto Barros

Na área das mulheres, Sandra foi uma das articuladoras para que a coordenação da bancada feminina tivesse assento no colegiado de líderes da casa. Ainda participou de reuniões como líder do PSB, seu antigo partido.

“Depois que eu deixei a coordenação da bancada feminina, outras continuaram a participar ativamente e isso nos deu muita força, porque às vezes a gente pensa que um assunto não está ligado, mas todos os assuntos na vida estão inseridos na luta da mulher”, pontua.

Na Câmara, foi a relatora do projeto que regulamentou a profissão de diarista.

“A trabalhadora doméstica não tinha direito a férias regulares, não tinha direito ao fundo de garantia, não tinha direito ao horário estabelecido do trabalho. Tudo isso fez parte da minha história como deputada federal.”

Ao todo, a ex-parlamentar teve 146 leis relatadas, 138 projetos de lei apresentados e, destes, nove se transformaram em normas jurídicas.

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