Participação de estudantes da rede pública no Enem cai pela metade na pandemia
Natal, RN 13 de jul 2024

Participação de estudantes da rede pública no Enem cai pela metade na pandemia

15 de junho de 2023
Participação de estudantes da rede pública no Enem cai pela metade na pandemia

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Com a pandemia da covid-19, o número de estudantes da rede pública estadual de ensino de todo o país que fizeram as provas do Exame Nacional do Ensino Médio (Enem) caiu pela metade. Enquanto 50% fizeram as provas em 2019 ao concluírem o ensino médio, apenas 26% compareceram para fazer o exame em 2021. No Rio Grande do Norte, essa mesma lógica se repete. Enquanto em 2019, período pré-pandêmico, 57% dos concluintes da rede estadual de ensino fizeram as provas do Enem, em 2021, essa estatística caiu para 25%.

Os dados fazem parte do estudo “Oportunidades educacionais de estudantes concluintes do ensino médio: um estudo do Enem entre 2013 e 2021”, realizado por pesquisadores do Laboratório de Pesquisa em Oportunidades Educacionais da (LaPOpE) e do Núcleo Interdisciplinar de Estudos sobre Desigualdade (NIED), ambos da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ).

O levantamento também mostra que desde 2016, ano do impeachment de Dilma Rousseff (PT) e do início do governo de Michel Temer (PMDB), o número de estudantes que participam do Exame Nacional do Ensino Médio (Enem) na rede pública estadual de ensino em todo o país vem caindo sucessivamente até 2021, ano dos dados mais recentes.

No Brasil, depois de uma sucessão de altas entre 2013 e 2016, a taxa de inscrição de estudantes da rede estadual de ensino no Enem  teve uma leve queda de 2016 para 2017, quando passou de 68% para 67%. Caiu para 63% em 2018, depois para 61% em 2019, seguiu no sentido de baixa e atingiu 58% em 2020 e alcançou o espantoso patamar de 36% em 2021. No caso do Nordeste, esse mesmo índice de taxa de inscrição de alunos vindos da rede estadual de ensino passou de 59% em 2013 para 45% em 2021.

E a queda na taxa de inscrições também se repete na taxa de participação de alunos da rede estadual pública de ensino no Enem, que também passou por uma leve alta entre 2013 (50%) e 2016 (55%), mas depois desceu para 52% em 2017, 48% em 2018, subiu para 50% em 2019, voltou a cair em 2020 chegando a 31% e baixou a 26% em 2021.

No Nordeste, essa mesma taxa de participação no Enem passou de 50% em 2013 para 32% em 2021, ficando até acima da média nacional, que foi de 26%, conforme mostrado no parágrafo anterior. Nesse quesito, por uma pequena diferença, a região Nordeste só fica atrás do Centro-Oeste (33%).

Mais pobre, menos estudo

Na avaliação dos pesquisadores, os dados da série histórica de realização do Exame Nacional do Ensino Médio (Enem) por estudantes concluintes do Ensino Médio indicam um aumento das desigualdades sociais nos últimos anos, com maior redução da participação no exame entre os jovens de famílias de nível socioeconômico baixo.

A rede privada apresentou taxas de participação maiores ao longo de todo o período, mas a diferença em relação à rede pública aumentou nos anos de pandemia. Apesar das taxas de participação terem caído para os dois grupos, a queda foi maior na rede pública estadual. A rede privada, que antes da pandemia já apresentava taxas próximas de 95%, registrou uma queda proporcional de 15%. Já a rede pública, que antes da pandemia apresentava taxas próximas de 62%, teve uma queda proporcional de 41%. O resultado demonstra que a diferença entre as redes pública e privada se ampliou durante a pandemia.

Fonte: “Oportunidades educacionais de estudantes concluintes do ensino médio: um estudo do Enem entre 2013 e 2021”

Rio Grande do Norte

No comparativo com os outros nove estados do Nordeste, o Rio Grande do Norte fica em 6º lugar em relação à taxa de inscrições dos estudantes da rede estadual de ensino no Enem em 2021. O Ceará é o que apresenta a maior média com 92% de inscritos, seguido por Pernambuco (50%), Paraíba (48%), Sergipe (44%), Piauí (37%), Rio Grande do Norte (31%), Maranhão (30%), Bahia (29%) e Alagoas (28%).

Na taxa de participação, essa lógica se repete. Em 2021, o Ceará alcançou 58%, Pernambuco aparece na sequência com 38%, depois vem a Paraíba (36%), Sergipe (34%), Piauí (30%), Rio Grande do Norte (25%), Maranhão (23%), Alagoas (22%) e Bahia (21%).

TAXA DE INSCRIÇÃO NO ENEM (2013-2021)

Fonte: “Oportunidades educacionais de estudantes concluintes do ensino médio: um estudo do Enem entre 2013 e 2021”

TAXA DE PARTICIPAÇÃO NO ENEM (2013-2021)

Fonte: “Oportunidades educacionais de estudantes concluintes do ensino médio: um estudo do Enem entre 2013 e 2021”

As fases

A primeira vai de 2013 até 2016, com um leve crescimento na participação dos jovens no Enem. A segunda, referente aos anos de 2017-2019, sugere uma interrupção da tendência anterior, com o registro de queda na participação dos estudantes no exame – de aproximadamente 8 pontos percentuais na taxa de inscritos e 3 pontos percentuais na taxa de participação.

A terceira se inicia em 2020, época da emergência da pandemia de covid-19, com uma queda acentuada na participação dos jovens. Essa queda foi reportada primeiro na realização da prova em 2020, considerando que o processo de inscrição se deu em período
anterior às medidas de isolamento social (lockdown). Já no ano seguinte, em 2021, houve uma redução acentuada na inscrição, de 22 pontos percentuais, com reflexo posterior na intensificação da queda da participação dos jovens nos dois dias de prova.

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