“As lutas continuarão a existir independente da vontade de determinadas figuras políticas”, diz dirigente sem-teto de Natal sobre vereador
Natal, RN 16 de jul 2024

“As lutas continuarão a existir independente da vontade de determinadas figuras políticas”, diz dirigente sem-teto de Natal sobre vereador

23 de agosto de 2023
3min
“As lutas continuarão a existir independente da vontade de determinadas figuras políticas”, diz dirigente sem-teto de Natal sobre vereador

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“É uma tentativa de criminalizar a luta social”. É assim que Alex Feitosa, dirigente do Movimento de Luta nos Bairros, Vilas e Favelas (MLB), define um projeto de lei que pretende multar “quem praticar invasões contra propriedades públicas ou privadas” e que tramita na Câmara de Natal.

O projeto é do vereador Ranieri Barbosa (Avante).

“A luta social, dos trabalhadores, dos pobres, é o tempo todo questionada pela Justiça ou pela legislação no sentido de ser colocada em questão sua legitimidade. O que Ranieri quer mais uma vez é colocar o movimento social da cidade na defensiva política, mas isso não vai acontecer”, defende Feitosa. 

“Independente de ser aprovado ou não, as lutas continuarão a existir apesar e independente da vontade de determinadas figuras políticas que estão ali representando os interesses de setores como os empresários da especulação imobiliária, por exemplo, ou das grandes construtoras que pegam as áreas vazias e querem fazer instrumentos da especulação”, afirma.

Surgido no Brasil em 1999, o MLB chega ao Rio Grande do Norte em 2004 e é responsável pela ocupação que deu origem ao que hoje é o Conjunto Leningrado. Segundo o dirigente sem-teto, mais de duas mil unidades habitacionais já foram conquistadas pelo movimento em Natal.

“Então isso não é qualquer coisa, ter um processo de mobilização em áreas que estavam abandonadas seja pelo poder público, mas também em áreas que estão abandonadas ou que estão fechadas pelo setor privado”, aponta.

Hoje, o MLB na capital possui três ocupações: Valdete Guerra (Planalto), Emmanuel Bezerra e Palmares, na região das Rocas, zona Leste. Ao todo, são quase 200 famílias organizadas pelo movimento.

De acordo com o dirigente, as negociações com o poder público para que essas famílias conquistem suas casas estão em diferentes estágios.

“Inicialmente, por conta da situação da Emanuel Bezerra, houve uma negociação com o governo do estado para um programa chamado Pró Moradia que iria eventualmente construir 100 unidades habitacionais aqui no Planalto, mas não foi para frente até hoje. Ficou no papel e já tem mais de ano essa situação, e aí a situação da Emanuel Bezerra tá parada”, explica.

No caso da Palmares, ele diz que o grupo está buscando cadastrar um projeto de construção de unidades habitacionais e, se tiverem êxito, conquistam as casas em até dois anos. Já a situação da Ocupação Valdete Guerra é mais delicada.

“Até hoje ninguém deu nenhuma posição sobre as famílias que estão aqui na ocupação Valdete. São cerca de 100 famílias  e até agora nem Prefeitura nem Estado apresentaram nenhuma proposta”, critica.

Confira a entrevista completa:

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