DEMOCRACIA

Grupos excluídos foram às ruas de Natal e soltaram o Grito: “Você tem fome e sede de quê?

Um grito de libertação. Vida em primeiro lugar”. Foi com essa convicção que o coordenador do Movimento de Luta nos Bairros, Vilas e Favelas (MLB), Marcos Antônio, se uniu a centenas de vozes por Justiça Social na 29ª edição do Grito dos Excluídos e Excluídas. Movimentos sociais, sindicais, estudantis, dos povos negros, LGBTQIA+, mulheres, populações rurais, periféricas e em situação de rua. Setores da população que, ao longo de toda a história foram deixados de lado, ganharam as ruas da capital potiguar na manhã desta quinta-feira (7) e soltaram o grito: “você tem fome e sede de quê?”.

Nós acreditamos que é possível incluir todos e todas numa sociedade mais justa. Enquanto há muitos prédios abandonados em nosso país, existem muitas famílias sem casa para morar”, ressaltou Marcos durante a marcha em Natal. Com bandeiras, faixas, cartazes, artes, música e palavras de ordem, manifestantes saíram em caminhada da praça do Teatro Alberto Maranhão até a praça da Praia do Meio.

Desde 1995, movimentos populares, grupos da sociedade civil organizada e ordens religiosas se unem no dia 7 de setembro contra as mais variadas formas de exclusão. O tema da primeira edição, “Vida em primeiro lugar”, se tornou permanente nesses últimos 29 anos. Em 2023, a luta contra a fome ganha força com o retorno de Luiz Inácio Lula da Silva (PT). A expectativa, agora, é que o país volte a sair do “Mapa da Fome” e que a reivindicação pelo direito à alimentação digna, regular, de qualidade e em quantidade suficiente seja efetivada.

Estamos mobilizados nas capitais de todo o Brasil para dizer que temos fome por terra, por alimentação saudável, por emprego, por educação, por Democracia”, pontuou Erica Rodrigues, Coordenadora Nacional do MST.

Em Natal, o Grito também reivindicou a prisão de Bolsonaro, o fim da violência policial e criminalização do povo pobre, o retorno dos trabalhos da Comissão Especial de Mortos e Desaparecidos Políticos, a revogação do arcabouço fiscal e do novo ensino médio, e a contrariedade ao Marco Temporal.

Foto: Ana Beatriz de Sá

Mais uma vez estamos aqui no 7 de setembro, data histórica da classe trabalhadora e dos estudantes, para subverter a ordem e colocar o retrato da independência como sendo um Grito dos Excluídos”, afirmou a estudante de Psicologia da UFRN, Ana Beatriz de Sá, militante do Movimento Correnteza e da Unidade Popular pelo Socialismo (UP).

O grito chamou a atenção da sociedade, dos trabalhadores ambulantes, motoristas, aqueles que estavam curtindo o dia de lazer na praia para problemáticas presentes nas comunidades.

Foto: Ana Beatriz de Sá

Um grito coletivo, um grito pela reconstrução do Brasil. Mas essa reconstrução passa por Justiça Social, passa pelo direito de existir. Nós queremos a juventude viva, as mulheres vivas, a população LGBTQIA+ viva”, enfatizou a deputada estadual Divaneide Basílio (PT-RN).

Num contraponto ao Grito da Independência, a 29ª edição do Grito dos Excluídos e Excluídas levaram para as ruas e praças da capital potiguar as vozes silenciadas que vêm dos campos, porões e periferias da sociedade.

Os movimentos sociais comemoram e levantam as bandeiras do povo, de melhores salários, de reforma agrária, de igualdade social, da luta das mulheres, da população LGBT, por moradia”, avaliou o vereador de Natal, Robério Paulino (PSOL).

Manifestação no Forte

O dia simbólico de luta dos grupos excluídos foi marcado, também, por um protesto histórico na construção do Forte dos Reis Magos. A contrariedade ao Marco Temporal, que representa uma ameaça à vida das populações indígenas de todo país, foi gravada nos muros de uma estrutura construída por mão de obra escravizada de negros e indígenas.

“Não ao PL/2903” e “Aqui é terra indígena”, a herança de opressão que ainda ecoa nos dias de hoje foi estampada na edificação militar.

Depois de travar uma árdua luta com a historiografia, que afirma que os povos indígenas do Rio Grande do Norte foram dizimados, um total de 16 comunidades indígenas do estado buscam a demarcação de suas terras e a garantia de direitos constitucionais.

O Rio Grande do Norte é o único estado do Brasil sem território demarcado e uma das últimas unidades da Federação a ter suas populações oficialmente registradas pela Fundação Nacional do Índio (FUNAI).

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