Sou contra cotas para homens brancos
Natal, RN 14 de jul 2024

Sou contra cotas para homens brancos

12 de outubro de 2023
3min

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Nos tribunais, a cota para eles atravessa a história do Brasil. No Supremo Tribunal Federal, por exemplo, se olharmos para os 132 anos de existência, identificamos claramente uma cota de 95% para homens brancos entre os ministros até hoje indicados.

O curioso é que esta cota não está determinada por nenhuma lei, mas tem sido obedecida à risca. A ampla maioria branca segue prevalecendo, em um país onde negros formam o maior quantitativo populacional e somados a indígenas e ciganos, também ausentes de espaços de destaque e oportunidades, o hiato com os brancos se torna ainda mais escancarado e com uma explicação clara: racismo.

Pela estrutura racista em que o Brasil foi engendrado, a reserva de espaços e trabalhos para brancos era um fator natural de uma cultura eugenista. Em 1990, a autora Cida Bento em sua tese de doutorado demonstrou a existência de um pacto silencioso entre pessoas brancas, de modo que estas se apoiam, se premiam, se aplaudem e se contratam, sempre com um viés narcisista - é o pacto narcísico da branquitude.

Uma lei que tipifica o racismo como crime no Brasil já existe desde 1989. Mas foi somente em 2010, finalzinho do segundo mandato do Presidente Lula, que um avanço fundamental na abordagem das desigualdades raciais entrou no ordenamento jurídico brasileiro: O Estatuto da Igualdade Racial (Lei 12.288, de 20 de julho de 2010).

Seguindo as diretrizes que visavam enfrentar as raízes profundas do racismo que permearam nossa história, as ações afirmativas são citadas no Estatuto da Igualdade Racial como medidas que devem ser usadas tanto pelo Estado, quanto pela iniciativa privada, para a correção das desigualdades raciais e promoção da igualdade de oportunidades. Assim, em 2014 veio a cota para negros nos concursos públicos em nível federal, mas de apenas 20% (Lei 12.990/2014).

As políticas de cotas - para a promoção da diversidade e igualdade de oportunidades - são um passo importante, mas ainda existem muitos desafios que precisam ser encarados para que haja efetiva inclusão e equidade racial no Brasil. A diversidade é uma força vital em qualquer sociedade, e é fundamental para a representação justa e a construção de políticas que reflitam as necessidades e aspirações de todos os cidadãos.

Para alcançar a equidade é preciso reconhecer e eliminar privilégios. A luta contra o racismo não é apenas uma questão de justiça, mas também de progresso social e econômico. A inclusão de indivíduos de diversas origens étnicas em cargos de influência e tomada de decisões é um passo crucial na direção de uma sociedade mais justa e igualitária.

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