Ditadura:Biblioteca Câmara Cascudo expõe cartazes com censura a filmes
Natal, RN 5 de mar 2024

Ditadura:Biblioteca Câmara Cascudo expõe cartazes com censura a filmes

9 de dezembro de 2023
3min
Ditadura:Biblioteca Câmara Cascudo expõe cartazes com censura a filmes

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Olhar para um dos períodos mais violentos da história do Brasil a partir de pôsteres de filmes censurados pela ditadura civil-militar no Brasil (1964-1985). Esta é a proposta da exposição "Quem se lembra? Reflexões sobre memória e esquecimento", que segue até 22 de dezembro na Biblioteca Estadual Câmara Cascudo. Em parceria com o departamento de Ciências da Informação da UFRN, a mostra, com curadoria de Hugo Braga, propõe uma análise crítica do período da ditadura militar brasileira por meio da exposição de 10 cartazes.  

O esquecimento é perigoso, pois a memória tem um caráter didático; aprendemos a evitar situações prejudiciais porque nos lembramos do perigo. O esquecimento da ditadura também possui uma dimensão política, afetando nosso patrimônio cultural. Ao negligenciarmos bibliotecas, prédios e nosso centro histórico, abrimos espaço para que deixem de existir. A exposição visa destacar essa conexão entre a preservação da memória e a salvaguarda de nosso patrimônio cultural”, avalia Hugo Braga.

A ideia, segundo Braga, surgiu durante a organização do acervo na sede do Cineclube Natal, ao se deparar com material relacionado à ditadura.

Iniciei uma conversa com Rafael Sousa (Nosso diretor) sobre como raramente discutimos e recordamos da ditadura, bem como sobre os espaços culturais em nossa cidade (a nossa sede está localizada no Mercado de Petrópolis)”, revela Braga.

Ao total, a exposição conta com 10 cartazes de filmes que foram submetidos à avaliação da censura entre 1969 e 1982. “Com uma variedade de filmes estrangeiros e nacionais, foram aplicados pela SCDP carimbos neles categorizados como "material liberado", "aprovado", "censurado" e "vetado". Optei por reservar o carimbo "vetado" exclusivamente para o filme, acompanhado de uma ficha, de modo que os observadores pudessem buscar informações sobre essa obra por meio da curiosidade”, conta Braga.

Durante a ditadura, o cinema era avaliado como um caso de polícia. Para ser exibido nas telas, qualquer filme tinha que ser examinado por censores, funcionários de um departamento da polícia federal. Eles viam tudo e decidiram o que os demais brasileiros, mesmo os maiores de idade, poderiam assistir.

A exposição teve início na última sexta-feira (8) com a projeção dos filmes "Codinome Breno" (2018) e "Um ano em que meus pais saíram de férias" (2006) e permanecerá aberta ao público até o dia 22 de dezembro, com visitação gratuita das 9h às 17h, seguindo o horário de funcionamento da Biblioteca Estadual Câmara Cascudo.

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