Bullying: uma reflexão para as mães e os pais
Natal, RN 24 de fev 2024

Bullying: uma reflexão para as mães e os pais

30 de janeiro de 2024
4min
Bullying: uma reflexão para as mães e os pais

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Por Ana Cláudia Trigueiro


Empatia é o laço invisível que nos une.

Aprendi muito jovem e graças às aulas de Física, que “Todo corpo em movimento provoca atrito”. Isso também é uma verdade quando se trata de convivência. Corpos possuem alma não é mesmo? Então a Psicologia toma emprestado o conceito da Física para falar das subjetividades tocadas pelos atritos que acontecem nos mais diversos espaços: escolas, empresas, igrejas, lares... 

Na escola, os “esbarrões” ocorrem com frequência e podem ser bem dolorosos. Até certo ponto é natural, tendo em vista que a infância e a adolescência são marcadas pelainexperiência. Aprende-se ouvindo os mais velhos, vivendo e convivendo, que o outro merece respeito. E esse aprendizado não ocorre sem certas crises.

As memórias da nossa geração são repletas de ótimas experiências escolares, mas as recordações ruins também estão ali e só há poucos anos pudemos nomeá-las: bullying. Porque antes, aquela atitude que machucou não tinha nome. E por ser chamada de “brincadeira”, muitas vezes fez a vítima experimentar a inadequação característica de quem se sente culpado (e não ajuda nada, comentários do tipo: “Você levou muito a sério!”, “Foi só uma brincadeira!”).

Há quem mascare o problema quando a dor não o alcança, sob o pretexto de uma falsa ideia de harmonia. Ora! Todos sabemos que a harmonia depende de uma dinâmica que muda dia a dia. Então, há momentos bons e momentos ruins. Quando a escola, os filhos e os pais fazem seu dever de casa, a tendência é que as relações melhorem, se aprofundem e contribuam para a autoestima e o desenvolvimento de todos.

É preciso cuidado para não invisibilizar o sofrimentode quem foi ridicularizado, provocado, intimidado ou excluído. O fato de não ter acontecido com o seu filho, não exclui a possibilidade de acontecer com o filho do outro.

Espaços escolares são, inegavelmente, muito bons! Saudáveis, acolhedores... mas, não vamos fingir que eles não são problemáticos em alguns momentos. Jovens, inclusive aqueles com ar angelical, podem ser desrespeitosos e precisamos estar atentos: ter aquela conversa incômoda sobre limites, tentar entender a posição simbólica dos nossos filhos em relação aos colegas de classe. Há estudantes expansivos, há quem goste de “tirar onda”, há os tímidos, os ansiosos, os melancólicos... todos lidando com as questões próprias de uma fase complicadae delicada. Amadurecer dói, como nós mesmos sabemos.

Acho que existe lugar para todos os jeitos de ser. Quem disse que precisamos viver de sorrisinhos e fofuras? Tem quem goste de ficar na sua, ou quem se sinta mais confortável observando. Sou da turma dos falantes, mas isso não me torna melhor do que quem apenas ouve, nem me dá o direito de excluir os “calados”. Conviver com as diferenças talvez seja o maior desafio de todas as gerações. 

Empatia é o laço invisível que nos une. Todos somos capazes de sermos empáticos, basta que saíamos do lugar confortável em que sentamos e nos imaginemos no lugar do outro. Penso que a dor faz crescer muros em volta de nós, quando deveria fazer crescer flores. Se seu filho sofre, não se cale (mas também não transforme a situação em algo pior), lembre-se: o que buscamos é uma construção coletiva que pretende unir, não, separar. Se ele fez sofrer,não fuja, nem mascare o fato. Procure contribuir para que a situação seja revertida. Não há anjos e nem demônios nessa história. Há pessoas, há interioridades e há, principalmente, possibilidades.

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