Comerciante premiado da Redinha é preso por tentar trabalhar na praia
Natal, RN 22 de fev 2024

Comerciante premiado da Redinha é preso por tentar trabalhar na praia

29 de janeiro de 2024
5min
Comerciante premiado da Redinha é preso por tentar trabalhar na praia

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Ronaldo Júnior, cuja família trabalhava em um dos boxes do Mercado Público da Redinha desde a geração de sua bisavó, chegou a ser detido e algemado neste domingo (28), depois de tentar colocar três mesas na parte superior da praia para trabalhar.

“Foi liberado verbalmente três mesas pra gente trabalhar na parte superior da praia, não na orla. Eu coloquei três mesas a mais porque estamos num período de festas e era o último dia a Padroeira da Redinha. A Semurb chegou de forma repentina tirando minhas mesas, a guarda municipal veio junto, eles me algemaram e me levaram preso na frente da minha mãe, que passou mal”, relata Ronaldo.

Desde abril de 2022, a Prefeitura do Natal retirou todos os comerciantes do Mercado da Redinha, que foi demolido para a construção de um novo prédio, o Complexo Turístico da Redinha, cuja obra deveria ficar pronta em 18 meses. Porém, até janeiro de 2024, a Secretaria de Infraestrutura ainda não tem uma data definida para a conclusão do serviço.

Desde setembro colocamos coisas na praia pra sobreviver. Em fevereiro vai fazer dois meses que o auxílio pago pela prefeitura para os comerciantes que tinham boxe no Mercado não sai, aí chega a Semurb [Secretaria Municipal de Meio Ambiente e Urbanismo] com a Guarda Municipal, sou algemado e levado pra plantão Zona Norte. Nossa família tinha um box no mercado há 80 anos! Não sabemos o que fazer, fui campeão de um festival gastronômico com um prato com ginga [peixe típico da região] e com uma sobremesa que era uma espécie de beijinho de ginga”, desabafa Ronaldo, que vai responder a um Termo Circunstancial de Ocorrência (TCO).

Ronaldo, com o troféu e prato premiado I Fotos: cedidas

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De acordo com a Secretaria Municipal de Trabalho e Assistência Social (Semtas), o auxílio de R$ 1.200 está em dia e pode ser pago até o final do mês. Porém, Ronaldo aponta que o valor costuma ser pago no início do mês e que a parcela referente a janeiro ainda não foi debitada, chegando a completar dois meses de atraso no início de fevereiro.

Não temos outra fonte de renda, somos só eu e minha mãe. Pagamos aluguel, precisamos comer todo dia. Destruíram a nossa fonte de renda! Não podem tirar a pessoa do ambiente de trabalho dela assim! A previsão é que a obra seria entregue em setembro, depois passou para dezembro, agora foi pra março, mas temos certeza que não estará pronto”, prevê o comerciante.

Em uma foto da família, Ronaldo aparece ainda recém-nascido no colo da bisavó, no Mercado da Redinha. Já depois de grande, na época que ainda possuíam o box, ele venceu dois concursos gastronômicos com pratos que levavam a tradicional ginga. Assim como a família dele, outros 32 permissionários que trabalhavam no Mercado da Redinha passaram a receber o auxílio da prefeitura até que o Complexo seja inaugurado.

Sabemos que eles têm um restaurante grande licitado e que terá alguns pontos, mas não nos informam nada”, critica Ronaldo, que aguarda o fim das obras para retornar ao habitat profissional natural.

O Complexo Turístico da Redinha terá um investimento de R$ 25 milhões e prevê a criação de novos acessos ao local, além da abertura de uma rua que permita a ligação direta entre o espaço e a Ponte Newton Navarro, um deck, nova iluminação, quebra-mar, além da construção de 33 novos boxes e sete restaurantes.

Ronaldo, recém-nascido, no colo da bisavó no Mercado da Redinha I Foto: cedida
Avó de Ronaldo no Mercado da Redinha I Foto: cedida

Vídeo - Ronaldo é detido pela Guarda Municipal:

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