No RN, 30% dos bares e restaurantes operam com prejuízo
Natal, RN 26 de mai 2024

No RN, 30% dos bares e restaurantes operam com prejuízo

11 de abril de 2024
4min
No RN, 30% dos bares e restaurantes operam com prejuízo

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No Rio Grande do Norte, 30% do setor de bares e restaurantes registrou prejuízo no mês de fevereiro. Este é o pior índice desde março de 2023. E em relação ao mês de janeiro deste ano, o número de estabelecimentos nessa situação cresceu oito pontos percentuais. Os dados são do mais recente levantamento da Abrasel (Associação Brasileira de Bares e Restaurantes).

Ainda segundo a pesquisa, 44% das empresas atuaram com estabilidade, e outras 26% conseguiram obter lucro.

Dentre os principais responsáveis pelo desempenho negativo estão a queda nas vendas no mês, a redução no número de clientes e o custo dos alimentos.

Para o presidente da Abrasel no RN, Paolo Passarielo, o resultado da pesquisa liga o sinal de alerta. "São dados preocupantes. 30% das empresas operam no vermelho. E o percentual aumento 8%. É um número impactante e que mostra que precisamos superar esses desafios".

Os dados do RN estão na média nacional, que ficou em 31% do setor com prejuízo, outros 31% com lucro e 38% trabalharam no equilíbrio. Mas no Ceará, por exemplo, a situação foi ainda pior. Metade dos estabelecimentos operaram no vermelho.

Outra estatística que revela a situação do setor, é o Índice de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA). A parcial de março, divulgados pelo IBGE na quarta-feira (10), apontou que os bares e restaurantes continuam segurando os preços do cardápio, fator impacta a margem de lucro dos estabelecimentos desde janeiro.

No último mês, o índice de inflação da alimentação fora do lar foi de 0,35%, enquanto no domicílio foi de 0,59%. Já a variação do índice geral foi de 0,16%. Entretanto, no acumulado do ano, a inflação dos bares e restaurantes (1,42%) é quase três vezes menor do que a registrada dentro de casa (3,56%). O que revela o esforço do setor para segurar os preços do cardápio, diminuindo suas margens de lucro, apesar do cenário de desafios.

Diante disso, no RN, 40% dos estabelecimentos seguraram os preços nos últimos 12 meses (número estável em relação à pesquisa anterior). Porém, 49% realizaram reajustes conforme ou abaixo da inflação, e apenas 12% reajustaram acima da inflação.

Em relação ao endividamento, os bares e restaurantes potiguares apresentam números superiores ao da média nacional. São 47% das empresas com dívidas em atraso, um aumento de quatro pontos percentuais em relação à pesquisa anterior. No país, o índice é de 40%.

Os impostos federais lideram a lista de pagamentos atrasados (71%), seguido de impostos estaduais (47%), empréstimos bancários (37%), encargos trabalhistas/previdenciários (26%), serviços públicos (26%), fornecedores de insumos (24%), taxas municipais (22%), aluguel (21%), fornecedores de equipamentos e serviços (13%), e empregados (7%).

Segundo Paulo Solmucci, presidente-executivo da Abrasel, a entidade contratou um estudo da FGV (Fundação Getúlio Vargas) para aprofundar nas causas das dificuldades que o setor vem enfrentando, já propondo caminhos e medidas que podem ser tomadas para resolvê-las. "Esperamos poder apresentar estas propostas o mais breve possível às autoridades e à sociedade", comentou.

Setor está contratando para o Dia das Mães e Dia dos Namorados

Apesar dos desafios enfrentados pelos estabelecimentos, 21% dos empreendedores pretendem contratar mão de obra no primeiro semestre de 2024; 49% esperam manter o atual quadro de funcionários; apenas 23% pensam em demitir; e 7% ainda não se decidiram. A tendência é de que essas novas vagas visam suprir a alta demanda das duas datas mais rentáveis para o setor: Dia dos Namorados e Dia das Mães.

Dados recentes da PNAD – índice do IBGE que mede os empregos formais e informais no país – indicou que, só nos últimos três meses (dez-jan-fev), os bares e restaurantes geraram cerca de 70 mil novos empregos, com crescimento de 1,3% em relação ao trimestre anterior. O resultado está na contramão do índice nacional, que apresentou redução de 0,3% no número de pessoas ocupadas.

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