Projeto Africores leva hiphop para Comunidade da África na ZN de Natal
Natal, RN 21 de mai 2024

Projeto Africores leva hiphop para Comunidade da África na ZN de Natal

21 de abril de 2024
5min
Projeto Africores leva hiphop para Comunidade da África na ZN de Natal
Projeto acontece no bairro da Redinha | foto: cedida

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O projeto sociocultural “Africores”, do movimento cultural Nossos Valores, leva arte, hiphop e lazer para crianças, jovens e adultos da Comunidade da África, na Redinha, Zona Norte de Natal. A ação e espaço nasceram em 2016, quando artistas de grafitti chegaram na comunidade levando cor, hiphop, atividades sociais e culturais para os moradores da região. 

Miguel Carcará, rapper, artista do grafitti, pedagogo, educador popular e coordenador do projeto, explica que o Africores surgiu com o intuito de realizar formações e mutirões de grafitti na comunidade.

“O Africores realiza formação na área do graffiti, break  e tranças afro para 45 crianças, adolescentes e mães  da comunidade. O nosso maior desafio é a captação de recursos para desenvolver as atividades.”, pontua o coordenador. “Problemas estes enfrentando por várias iniciativas semelhantes a nossa. Nossas atividades acontecem na nossa sede, que fica localizada na Travessa Gameleira, 20, na comunidade da África, na Redinha”, completa.

O Africores é um projeto que leva a cultura do hiphop para a Comunidade, como forma de educar e resistir essa população, que é esquecida pelo poder público, assim como o resto da Zona Norte de Natal. O projeto tem até trabalhos voluntários que são reconhecidos pelo Ministério da Cultura. 

As atividades do Africores tem dois meses formação e acontecem de segunda a quinta, das 14 às 17h, na Comunidade da África. Aos sábados, as oficinas de dança acontecem das 14h às 16h.

Hiphop cultura de periferia

O hiphop é originalmente uma cultura de periferia e pode ser dividido em 4 pilares principais, como o Rap, os MCs, o Breaking e o Grafitti. Inclusive, o Breaking Dance, praticado pelos B-boys e B-girls, vai estar nos Jogos Olímpicos de Paris deste ano como uma dança esportiva. 

“O hip hop é fruto das comunidades, assim como o Movimento Cultural Nossos Valores. No Africores, nosso papel é amenizar as mazelas sociais direcionadas para o nosso povo, promovendo o resgate humano e a dignidade da nossa cultura e arte”, aponta o coordenador do projeto. 

Por ser um movimento de periferia, o hiphop sofre estigmas e preconceitos

Mesmo com todos os avanços sociais, os movimentos pretos e periféricos ainda são perseguidos pelo restante da sociedade. Com o hiphop não é diferente. Na Zona Norte de Natal, especialmente o movimento sofre escancaradamente com a violência policial e com o abandono do poder público da capital. 

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Já o grafitti, base de formação do projeto, é uma expressão cultural que acontece em espaços públicos. E é por isso, que ainda hoje, a arte é confundida com depredação, vandalismo e danos aos patrimônios públicos. Isso também acontece devido ao preconceito direcionado ao movimento, uma vez que esses artistas denunciam desigualdades sociais, políticas e questões sociais que atravessam a vida de moradores da periferia

“A valorização do nosso trabalho é feita por nós mesmos. Buscamos dentro de nós a inspiração para continuar todos os dias buscando a melhoria  para nossa comunidade.”, aponta o educador. 

É importante lembrar que, no final de 2023, policiais militares invadiram a sede do projeto e, segundo denúncias, eles teriam arrombado um janelão que fica nos fundos do prédio depois de uma abordagem a jovens em frente à sede dos projetos.  “Recebi ligações e mensagens de várias pessoas avisando da invasão. Não tem justificativa, ficamos sem entender. As pessoas conhecem nosso trabalho, é um espaço voluntário, além dos projetos, desenvolvemos várias ações no local, como distribuição de cestas básicas, vale gás... é um espaço que é cuidado por todo mundo”, lamentou Miguel Carcará, na época, em entrevista à Saiba Mais. 

Projeto preciso ser mais visto e valorizado 

O projeto Africores acontece por meio da Lei de Incentivo Câmara Cascudo e também recebe patrocínio da Cosern. No entanto, no restante do ano, os voluntários do Nossos Valores se mantém por voluntariado e de forma colaborativa. “Em relação a recursos financeiros, o trabalho ainda precisa ser melhor visto é mais valorizados. Pois o Africores, hoje, acontece através da Lei de Incentivo Câmara Cascudo  e patrocínio da Cosern, com o período de 3 meses, mas no restante do ano acontece de forma colaborativa e voluntária , como é o caso de muitas iniciativas aqui no nosso estado”, finaliza o rapper. 

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