DEMOCRACIA

PT e movimentos sociais lançam comitês populares para retomar trabalho de base “suspenso” após esquerda chegar ao poder com Lula em 2003

O Partido dos Trabalhadores quer voltar às origens. E essa volta às origens significa se aproximar das pessoas no lugar onde elas moram, nos bairros, nos locais de trabalho, nos centros urbanos e também nas periferias. Essa é a ideia por trás dos comitês populares de luta, organizações que vêm sendo criadas pelo país com estímulo do PT e de movimentos sociais. Mais de três mil núcleos já foram criados em todo o país.

Os comitês populares de luta serão instrumentos de organização e mobilização social para derrotar Jair Bolsonaro nas urnas em 2 de outubro, mas a expectativa é que esses núcleos possam ir além do objetivo eleitoral.

Uma experiência recente semelhante foram os comitês Lula Livre, criados a partir do estímulo de pessoas não necessariamente filiadas ao PT que não aceitavam a prisão injusta e ilegal do ex-presidente Lula.

Como criar um comitê

O PT lançou uma cartilha com orientações para a criação comitês nos municípios.

O primeiro passo é reunir um grupo de pelo menos três pessoas, de forma presencial ou digital, que deseja formar um comitê. Na sequência, o grupo precisa definir em que rua, comunidade, bairro, cidade, local de estudo, trabalho ou luta setorial o comitê vai atuar. O terceiro passo é registrar o comitê na plataforma casa13.pt.org.br e indicar até três pessoas para receber os materiais e orientações por e-mail, whatsapp e telegram.

A coordenação-geral dos comitês ficará sob a responsabilidade do Instituto Lula, presidido por Paulo Okamoto. Ele participou no sábado (21) do Encontro Nacional de Comunicação realizado em parceria pelos Centros de Mídia das Frentes Brasil Popular e Povo Sem Medo, na Escola Nacional Florestan Fernandes, em Guararema (SP). Após o evento, conversou com a agência Saiba Mais sobre o papel dos comitês populares de luta.

Papel dos comitês vai além das eleições

Paulo Okamoto afirmou que os comitês permanecerão após as eleições de outubro / foto: Hannah Letícia

De acordo com Paulo Okamoto, os comitês já nascem com a ideia de permanecerem ativos após as eleições e, com um eventual governo Lula a partir de 2023, levando pautas e demandas para a futura gestão petista:

– Os comitês populares de luta serão organizações permanentes e, penso eu, mais avançadas que os diretórios municipais do PT. Quando chegar a campanha vamos transformar os comitês em comitês da campanha de Lula, mas eles vão permanecer depois das eleições e a partir do próximo ano. Vamos participar e apoiar as lutas sociais nas comunidades”, disse.

Okamoto acredita que os comitês terão o papel de manter a militância e o povo alerta e cobrando mudanças e melhorias na vida:

 – Um dos papeis do comitê popular de luta é chamar a atenção de que nos anos recentes do Brasil houve muita conquista – como a própria eleição de um governo democrático popular – porque anteriormente foi feito um forte trabalho de base dos movimentos sociais, movimento popular, sindical, da igreja… e houve um acúmulo de forças na sociedade que possibilitou que a gente tivesse essas vitórias eleitorais. Mas depois que ganhamos o Governo muitas demandas sociais foram processos mais de conquistas institucionais implementadas por um governo de esquerda do que pela pressão dos movimentos sociais. Então a gente precisa agora combinar melhor a questão da conscientização do trabalho dos movimentos sociais para ter novas conquistas”.

 Essa reconstrução do Brasil, na avaliação de Okamoto, pode ser amadurecida nos próprios comitês, estreitando o diálogo com a população:

– Os comitês são, na realidade, para chamar a atenção do povo para a retomada desse trabalho de base, para que consigamos reunir visões de muito mais gente do país que a gente quer, entendeu ? Do Brasil que precisamos construir. E a gente precisa construir conversando, lutando, batalhando. Esse processo todo é o que garante as conquistas e a permanência das conquistas”, afirmou.

Se o objetivo final dos comitês é melhorar a vida das pessoas, o trabalho de base precisa deixar claro o papel do Estado neste processo. Áreas como saúde, educação e moradia são essenciais também para facilitar a tarefa de repassar a mensagem às pessoas:

– Precisa ser cada vez mais claro a importância do sistema único de saúde. Na questão da Educação… temos que ter clareza sobre a importância do papel do Estado na política de geração de emprego e renda, na questão da política da moradia. O Estado tem obrigação de criar uma política para fazer com que as pessoas tenham acesso à casa, acesso à terra para construir sua casa… precisamos que o povo se aproprie desse projeto nacional, dessa ideia para não deixar um aventureiro qualquer desmanchar ou nos enganar com propostas muitas vezes mentirosas, falsas, dizendo que o mercado vai resolver todos os problemas do mundo”.

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Jornalista e autor da biografia "O homem da Feiticeira: A história de Carlos Alexandre"