OPINIÃO

O que vi e ouvi do povo e de Lula

Por Luiz Henrique Lampreia

Um provável marco para um possível resultado positivo para o ex-Presidente Lula.

As pessoas chegavam em caravanas, ônibus, a pé… O entorno do Arena das Dunas ficou composto por cores vibrantes.

Tinha vermelho, obviamente, em tonalidades diferentes. O forte do PT e o mais “suave” do PSB de Alckmin. Havia também o amarelo chamativo do PSOL. Talvez um dos grupos mais animados e aguerridos, junto com o Levante Popular da Juventude. Quanta força e quanta batucada!

Tinha verde e branco nas camisas dos Alves lá em cima do palanque… Todos eles. Walter, Garibaldi e claro, Carlos Eduardo. Fátima deu um recado para a militância insatisfeita em dividir esse espaço com outrora adversários e nem sempre confiáveis. A governadora usou uma citação de Paulo Freire, a qual a essa hora não me recordo, mas que falava sobre a união necessária entre os divergentes quando preciso salvar uma democracia. O recado foi entendido e os petistas mais “raiz” passaram a aplaudir o ex-tucano, que arrancou alguns sorrisos fazendo uma piada com o Morro do Careca em Ponta Negra que conheceu em um passeio com Fátima, e relacionou com sua pouca telha/ calvície.

Fátima ainda defendeu todos os seus feitos no Estado. Mostrou que pegou um estado falido e colocou em outro patamar. Que conseguiu colocar as contas em dias. Que ajudou a formar o Consórcio Nordeste. Que tem uma força incrível dentro do maior partido da América Latina. Fátima é uma das maiores lideranças do Partido dos Trabalhadores, tudo isso demonstrado abertamente por Lula.

As mulheres eram destaque mesmo no meio de tantos oligarcas brancos em cima do palanque.

Estavam lá: Gleisi Hofman, Brisa Bracchi, Divaneide Basílio, a aniversariante da semana Natália Bonavides (o nome do PT para ser a cara do partido- se ainda não pensaram nisso, pensem agora), Janja, Lu Alckmin, entre outras lideranças femininas do partido e de partidos aliados.

E claro, Fátima começou com o bordão muito real: “No meu estado, eu boto fé, porque ele é governado por mulher”. Eu verdadeiramente acredito que mulheres são sempre melhores governantes e líderes em geral que homens.

Houve momentos emocionantes com vídeos de inserção do partido, com o jingle Sem Medo de Ser Feliz, e um minuto de silêncio, além de outras homenagens, a Dom e a Bruno, que perderam suas vidas covardemente por lutar pelo que é certo.

Lula fez questão de ressaltar: “Vamos acabar com a fome no Brasil”. Disse ainda: “Vamos abrasileirar o preço dos combustíveis.” Entre outras palavras de muito significado a todos e todas presentes como a mais emblemática: “Vamos colocar os ricos no imposto de renda e os pobres no orçamento”.

Vê, Ciro?!! Não precisa de um livro inteiro e 20 minutos falando palavras difíceis. Lula é o tradutor do povo.

E tais pessoas, que lotaram o espaço o qual teve quer ser ajustado para caber mais gente, eram pessoas de verdade.

Gente como a gente. Gente em que me reconheço. Trabalhadores. Periféricos. Homens e mulheres do campo, de fábricas, de lojas… Professores, enfermeiros, estudantes, quantos e quantos estudantes! Mais um destaque: juventude! Alguém precisa falar no quanto os jovens entre 16- 24 anos são muito identificados com a esquerda.

Esse foi só um relato de quem não é privilegiado, de quem sofre nesse Brasil destroçado, de quem pela primeira vez esteve bem perto do maior líder da história da América Latina.

E que se emocionou.

Pois se reconheceu.

Luiz Henrique Lampreia é professor de História e cidadão natalense

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