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Temer e Bolsonaro transformaram o Brasil no País do salário mínimo e da informalidade

Desde o golpe político que retirou a ex-presidenta Dilma Roussef (PT) do Governo Federal, o Brasil é, cada vez mais, o país do salário mínimo. Segundo reportagem publicada nesta segunda-feira (6) pelo jornal O Globo, o total de profissionais brasileiros que ganham até o piso era de 27,6% dos trabalhadores no último trimestre de 2015 e foi a 30,09% no mesmo período de 2018, no fim do governo Temer. No primeiro semestre de 2022, a situação é ainda mais preocupante: a quantidade de trabalhadores, formais e informais, que recebia até um salário mínimo chegou a 38,22% do total da força ocupada.

Os números da reportagem são do economista Lucas Assis, da Tendências Consultoria e mostram que a situação piorou muito no Governo Bolsonaro. Desde 2018, a participação dos trabalhadores que ganham até um salário mínimo cresceu 8,2 pontos percentuais, ou seja, são 36,415 milhões de pessoas, 8,3 milhões a mais que no fim do governo Temer.

Os dados mostram que esse crescimento ocorreu tanto no emprego formal como no informal. Entre os que têm carteira assinada, o total de pessoas que ganham o piso passou de 14,06% no fim do governo Temer para 22,48% no primeiro trimestre deste ano. Entre os informais, o salto foi de 53,46% para 61,73%. No grupo de trabalhadores sem carteira assinada. E o levantamento ressalta: há um grande contingente que ganha menos que o piso.

Sete em cada 10 vagas de emprego criadas no Brasil desde a saída de Dilma são informações

Após do golpe que retirou Dilma Roussef do poder, o mercado de trabalho do Brasil também começou a ser transformado com a perda da maioria dos direitos trabalhistas assegurados. A Reforma das Leis que garantiam os direitos e dignidade dos Trabalhadores foi comandada pelo ex-deputado do RN, Rogério Marinho, tido hoje como o porta-voz do Bolsonarismo no Estado. A Reforma foi aprovada em 2017, no governo de Michel Temer, e teve como relator o então deputado potiguar, que não conseguiu a reeleição, mesmo tendo a mais cara campanha registrada no RN. A Reforma prometia criar seis milhões de empregos.

Os dados que embasam a reportagem de O Globo mostram que o quadro do mercado de trabalho no Brasil é cada vez mais grave e aponta que entre o primeiro trimestre de 2016 e o mesmo período de 2022, o Brasil registrou um saldo de criação de 4,6 milhões de postos de trabalho (considerando admissões e demissões), mas 76% desses foram no mercado informal, ou seja, sem carteira assinada. E o pior, essa geração de postos ocorreu majoritariamente pelo achatamento salarial: foram criadas, no período, 7 milhões de vagas com rendimento de até um salário mínimo. Em contrapartida, foram destruídos 2,4 milhões de postos de trabalho com rendimento superior a esse patamar.

A criação da maioria das vagas apenas com salário mínimo ajuda a derrubar a renda do trabalho no país, segundo dados da Pnad. Em janeiro de 2015, a renda média do trabalhador era de R$ 2.764, em valores corrigidos pela inflação. Em julho de 2020, turbinado com o Auxílio Emergencial, que aqueceu a economia, chegou ao recorde recente de R$ 2.967. Mas desde então teve diversas quedas e agora está em R$ 2.569.

 

 

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