DEMOCRACIA

No RN, candidatos pretos têm apenas 1,3% de todos os bens declarados; mulheres têm 9,04%

As eleições no Rio Grande do Norte começaram nesta terça-feira (16) e já com disparidade. Dentre os 543 candidatos registrados no sistema do Tribunal Superior Eleitoral (TSE), os pretos somam apenas 1,31% do total de patrimônio declarado no Estado, ou R$ 4.730.830,77. Já entre os postulantes brancos, o patrimônio dessa população é equivalente a 78,79% de todos os candidatos, o que corresponde a R$ 283.648.910,54. Os números são do Portal de Dados Abertos do TSE. Outros 201 candidatos declararam não ter patrimônio nenhum. 

Considerando a soma entre pardos e pretos, o patrimônio sobe para 21,2%, que corresponde a um patrimônio acumulado de R$ 76.589.420,63. É um abismo, levando em conta que 56,1% da população brasileira é preta e parda, segundo Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios (Pnad) Características Gerais dos Moradores 2021 divulgada em julho. Nas eleições, a fatia dos candidatos autodeclarados pretos e pardos é de 50,46%.

O candidato preto com maior renda está apenas em 57º dentre os mais ricos, e já ocupa mandato. É o deputado estadual Kelps Lima (Solidariedade), que agora concorre à Câmara Federal, e declarou possuir R$ 1.025.169,02. Entre seus bens, estão duas casas, um apartamento e aplicações financeiras. 

O mais rico na eleição potiguar é branco: o empresário Alex dos Santos Garcia, que se apresenta nas urnas como Alex da Renavin e concorre pelo Partido Social Cristão (PSC). Segundo apresentado ao Tribunal Regional Eleitoral (TRE-RN), ele tem R$80.009.800,00 em patrimônio por meio de oito participações societárias e outros bens, como prédio comercial e um veículo calculado em R$800.000,00. 

Gênero

A disputa de 2022, segundo o Portal do TSE, traz 193 mulheres buscando votos, contra uma maioria de 350 homens. A porcentagem é de 35,54% e 64,46%, respectivamente. Mas, ao analisar o patrimônio de cada gênero, a disparidade aparece novamente. Mesmo sendo 35% das candidaturas, as mulheres detém um valor acumulado de R$ 32.671.574,07, equivalente a 9,04% do total de renda dos postulantes a um cargo político. Já os homens são donos de um patrimônio de R$ 328.664.643,20, correspondente a 90,96% do total. Somente um homem, Alex da Renavin, já possui um patrimônio superior a todas as 193 mulheres.

Para o professor João Bosco Araújo, do Instituto Humanitas da UFRN., o baixo patrimônio das mulheres pode estar relacionado à idade e ao acesso de novas ativistas em eleições nos últimos anos. Segundo ele, os espaços para mulheres nas eleições estavam destinados às esposas de políticos tradicionais. Hoje, há um movimento de entrada de pessoas vindas de movimentos sociais, especialmente jovens. 

“Muito recentemente há a entrada de candidaturas de mulheres de movimentos sociais. Essas mulheres que estão ocupando espaço na política entraram pela sua militância em algum movimento social, sindical, estudantil, de bairro ou mesmo de mulheres, e os patrimônios são muito pequenos”, avalia.

Por isso, diz Araújo, as eleições geram diferentes barreiras. “Você cruza essas variáveis e tem três tipos de exclusão: de ser mulher, de ser negro e de ser jovem”. 

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