“Sensação de insegurança”: Estudantes fazem ato em Natal contra cortes na educação
Natal, RN 15 de jun 2024

“Sensação de insegurança”: Estudantes fazem ato em Natal contra cortes na educação

8 de dezembro de 2022
4min
“Sensação de insegurança”: Estudantes fazem ato em Natal contra cortes na educação

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Estudantes realizaram nesta quinta-feira (8) um ato público contra o bloqueio de verbas das universidades e institutos federais. Em Natal, a manifestação foi organizada pela União Estadual dos Estudantes (UEE/RN) e pelo DCE da UFRN. Na semana passada, o governo Bolsonaro bloqueou completamente o orçamento das instituições, inclusive aquele que já estava reservado para pagamentos. Com isso, reitores alegaram não ter como pagar bolsistas, terceirizados e nem contas básicas, como água e luz. 

Na capital, o ato se concentrou no Anfiteatro da UFRN e seguiu até o Midway Mall. Para Arthur Beserra, pós-graduando na área de Pedagogia e coordenador da pasta de pós-graduação do DCE, os cortes afetam toda a comunidade acadêmica.

“Eu sou doutorando, recebo bolsa desde a iniciação científica, então são anos dedicados à produção de conhecimento, à contribuir com a sociedade para pensar os fenômenos educativos, no meu caso. Quem depende de bolsa e faz ciência fica muito desesperado, porque a gente usa esse dinheiro para nos manter no curso. A gente precisa de alimentação, transporte, habitação para chegar nas aulas, ter um bom desempenho e produzir um conhecimento que vá contribuir para a sociedade”, afirmou.

Nesta quinta, a Coordenação de Aperfeiçoamento de Pessoal de Nível Superior (Capes), órgão vinculado ao Ministério da Educação (MEC), informou que conseguiu o desbloqueio de R$ 50 milhões do seu orçamento, mas o valor ainda é pequeno e não atende os pós-graduandos. Segundo Enzy Gabriel, também coordenadora do DCE, a estratégia de bloquear e depois devolver uma pequena parte faz parte da estratégia do governo federal. 

“Desde os últimos cortes, têm sido uma estratégia frequente do governo Bolsonaro de retirar uma parte grande e devolver uma parte pequena numa tentativa de desmobilizar os atos”, afirmou a estudante. Para ela, a devolução ainda deixa outros milhares de alunos de fora.

“Por conta disso, a gente tem que seguir nas mobilizações, não deixar que isso nos desanime ou mesmo que nos conforte – quem está recebendo a bolsa. Vamos seguir na luta unificada, na greve estudantil e na paralisação para garantir que o dinheiro seja integralmente restaurado”, pontuou.

O cenário de precarização é vivenciado por Antônia Lourenny, do sétimo período de pedagogia. Beneficiária de R$ 250 do auxílio moradia e de mais R$ 400 da bolsa de pesquisa, ela lamenta a insegurança causada pelos bloqueios.

“A minha renda vem praticamente toda da UFRN. É basicamente todo o meu sustento e responsável por conseguir me manter dentro da universidade. O corte das bolsas tem simbolizado a sensação de incerteza e insegurança”, afirma ela, que é natural do interior.

Já Felipe França, de Psicologia, enfatizou o papel que a universidade pública deve seguir.

“Existe a necessidade dos estudantes se organizarem e de lutarem, porque não vai ser com medidas paliativas como Bolsonaro normalmente faz. A gente quer uma universidade 100% pública, realmente popular, em que a gente consiga entrar na universidade e se manter nela”, afirmou.

Foto: Bruna Araújo/Agência Saiba Mais

Reitores conseguem liberar R$ 300 milhões após mobilização

Em outra esfera, a Associação Nacional dos Dirigentes das Instituições Federais de Ensino Superior (Andifes), anunciou a liberação de R$ 300 milhões de reais em caráter de urgência que serão utilizados para pagar o auxílio estudantil daqueles alunos em situação de vulnerabilidade social e que dependem desse valor para continuar nas universidades federais em todo o país.

A liberação só foi possível porque o Tribunal de Contas da União (TCU) autorizou na tarde de ontem a abertura de crédito extraordinário ao governo para cobrir o pagamento do Benefício de Prestação Continuada, do seguro-desemprego e de despesas judiciais, entre outros gastos.

A perda das verbas funcionou num vai e vem. No dia 28, o governo bloqueou R$ 244 milhões das universidades; depois, liberou e, mais tarde, o Ministério da Economia travou mais uma vez. No caso da UFRN, a universidade tinha perdido R$ 3,8 milhões no final de novembro, se somando a um corte anterior feito em junho de R$ 11,8 milhões. A “tesourada” representa um prejuízo especialmente nos contratos de funcionários terceirizados e nos pagamentos de água e luz. Só na UFRN, são 1.500 pessoas sob serviço de terceirização.

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