Vigília por paz e justiça nesta sexta (23) protesta contra morte de jovens negros na Vila de Ponta Negra, em Natal
Natal, RN 18 de jun 2024

Vigília por paz e justiça nesta sexta (23) protesta contra morte de jovens negros na Vila de Ponta Negra, em Natal

23 de dezembro de 2022
3min
Vigília por paz e justiça nesta sexta (23) protesta contra morte de jovens negros na Vila de Ponta Negra, em Natal

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O movimento negro de Natal se reúne para uma manifestação nesta sexta-feira (23), a partir das 16h, na Vila de Ponta Negra, zona Sul de Natal. O ato protesta contra a morte de Emerson Nonato da Costa, 25, e Yuri Donato da Silva, 21, que faleceram após uma ação da Polícia Militar no domingo (18). A concentração será na praça da Igreja São João Batista.

De acordo com a PM, os dois homens morreram após um confronto a tiros com a corporação. Com eles, segundo os policiais, teriam sido encontrados materiais como faca peixeira, drogas, dois revólveres, munições e até uma espada samurai. A família e os moradores contestam. 

“Segundo relatos dos moradores e dos familiares que estavam presentes, o caso foi totalmente diferente da versão da polícia. Não houve troca de tiros, não havia armas cortantes, não havia nenhum tipo de artefato. E eles também alegam que não havia drogas e os meninos não estavam portando drogas”, explica uma das organizadoras do ato, que preferiu não se identificar devido às ameaças. 

Outro relato ainda aponta que os PMs chegaram gritando e invadindo as residências. De acordo com a militante, depoimentos narram que as armas foram implantadas e que os policiais colocaram as digitais dos homens nos artefatos já quando eles estavam baleados. Uma mochila que teria sido apresentada como de um deles também não foi reconhecida pelos familiares. Segundo a organizadora, há uma perseguição às comunidades com o intuito de intimidar os moradores. 

“Ontem (22) mesmo aconteceu uma invasão à casa de moradores comuns e eles estão obrigando as pessoas a abrirem suas casas. Reviraram a casa de uma senhora que chegou a passar mal, e estão fazendo em vários locais, não apenas na casa aonde aconteceu o assassinato dos meninos”, relata a ativista.

Ainda segundo a mulher, a casa onde os dois jovens foram mortos já foi alvo de outras operações. “Na primeira vez, relataram que entraram atirando já com fuzis. Da segunda vez, entraram de forma um pouco desengonçada, com policial deixando fuzil cair e dessa terceira vez foi uma tragédia”, afirma. Para ela, o caso poderia ter sido pior, já que havia outros cinco jovens negros que conseguiram sair do local. 

No ato, um conjunto de reivindicações vai ser definido para levar à Secretaria da Segurança Pública e da Defesa Social (Sesed).

“O modelo militarizado que a gente está vivendo e de perseguição às comunidades é uma prática do racismo estrutural. A comunidade da Vila de Ponta Negra sente que é necessário um tipo de polícia de aproximação. Uma polícia que seja planejada em conjunto com a comunidade, não ameaçando a comunidade. Por isso é necessário conselhos de segurança comunitários para que a gente possa fazer uma outra segurança possível, uma segurança que proteja realmente os jovens, a juventude negra principalmente, as mulheres, os idosos que também são atingidos quando esse tipo de operação extraoficial acontece”, ressalta a ativista.

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