Filme da Barbie e futebol feminino x masculinidade tóxica
Natal, RN 25 de jun 2024

Filme da Barbie e futebol feminino x masculinidade tóxica

25 de julho de 2023
5min
Filme da Barbie e futebol feminino x masculinidade tóxica

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Cefas Carvalho

As redes sociais e grupos de zap vem sofrendo um tsunami de informações e debates desde o final da semana passada com dois fatos específicos: a estreia mundial nos cinemas do filme "Barbie" e o início da Copa do Mundo de futebol feminino. Como citei, eram apenas fatos e nada mais. Um filme que tem como base a boneca mais conhecida no mundo e um torneio esportivo, como tantos outros. Mas em um Brasil polarizado e, mais que isso, com um número considerável de pessoas com potencial para problematizar e condenar tudo que não é caixa na caixinha de mini certezas delas, Barbie e Copa do Mundo se tornaram celeumas, polêmicas públicas.

Comecemos pelo filme da Barbie. A princípio parecia um mero filme blockbuster para agradar fãs da boneca e das animações sobre ela, mas a presença da talentosa roteirista e diretora Greta Gerwig (de "Francis Ha", "Lady Bird" e "Adoráveis mulheres") e a percepção do estúdio que os tempos mudaram, percebemos que se tratava de um filme feminista, consciente de sua época, onde a boneca questiona sua própria "vida perfeita", inclusive saindo dela para o "mundo real". Que o filme seria um sucesso de bilheteria, ainda mais com o marketing pesado (e a esperta junção com a estreia de "Oppenheimer") todos sabíamos. O que não esperávamos é que anos homens fossem se indignar e mesmo fazer campanha contra o filme.

Desde o pré-lançamento o que se vê nas redes é choro e ranger de dentes de uma ruma de machos que não se conforma com o feminismo militante do filme. Nem com as bandeiras LGBQIA+ e de respeito às diferenças que o filme agrega. Queriam a Barbie que idealizaram na "nostalgia deles" a bonequinha inofensiva, bela e vaidosa com que suas irmãs e primas brincavam. Na verdade o que esse macharal não tolera ver é a Barbie dirigindo, empoderada, dona de seu dinheiro e de sua vida e sem ser submissa ao Ken. O mesmo medo/desespero em ver mulheres jogando futebol (por vezes com qualidade superior ao dos homens) e serem reconhecidas como estrelas, terem jogos televisionados e assistidos.

Dia desses comentei com uma amiga que muitos homens ainda têm horror em ser chefiados por uma mulher, de estarem de carona em um carro dirigido por mulher e mesmo de rachar a cona com uma. Mais que nostalgia de uma época em que as mulheres eram o mero apoio serviçal do homem-provedor-pai de família, esse pensamento faz parte de uma organizada pauta de extrema direita que abrange outros exemplos de machos com masculinidade tóxica como red pills e incels. Não por acaso muita gente - eu incluso - compartilhou nas redes com bom humor que nem pretendia assistir ao filme da Barbie, mas depois do filme ser execrado por machistas, misóginos, bolsonaristas, pentecostais, pastores picaretas, até dá vontade de ver!

E haja gente que quis e quer ver.  O filme se tornou o maior sucesso de 2023, sendo até agora o maior sucesso de bilheteria do ano nos Estados Unidos e Canadá, arrecadando US$ 155 milhões no fim de semana de estreia, No Brasil, até essa segunda, 24, o filme da Barbie havia arrecadado mais de R$ 22 milhões em bilheterias no país com 1,2 milhão de brasileiros nas salas de cinemas e esses números tendem a crescer muito mais. Apesar do azougue dos machos chatos e da direita, o filme é sucesso absoluto. E coloca, inclusive para adolescentes, na pauta temas importantes, como feminismo, combate a preconceitos e amadurecimento,

Já os marmanjos que resmungam que "futebol feminino é de baixo nível", "mulher não deveria jogar bola" ou "ninguém vai acordar cedo para ver seleção feminina jogar" também estão tendo uma surpresa: a Copa do Mundo Feminina bate recordes de público e audiência que sendo quebrados a cada dia. Nesta segunda-feira (24), o torneio garantiu à Globo sua maior audiência no início da manhã em 15 anos com a vitória por 4 a 0 da Seleção Brasileira sobre o Panamá. Durante a transmissão da partida, que durou das 8h às 9h57 (horário de Brasília), a emissora chegou a ter 16 pontos no Painel Nacional de Televisão (PNT), que mede a audiência nas 15 principais regiões metropolitanas no país. A última vez que a Globo havia atingido um pico tão alto durante o horário foi em agosto de 2008, quando transmitiu os Jogos Olímpicos de Pequim. Com o show das meninas e o próximo adversário ser a França, esses números devem ser ainda mais altos. Não está sendo uma boa semana para ser macho chato e nem exalar masculinidade tóxica. Que saiam para lá e deixem a Barbie e as jogadoras do Brasil passarem!

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