“Somos a maioria da população, então por que não somos representadas?”, questiona professora sobre mulheres negras
Natal, RN 17 de jul 2024

"Somos a maioria da população, então por que não somos representadas?”, questiona professora sobre mulheres negras

25 de julho de 2023
4min

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Tereza de Benguela, Marielle Franco e as milhares de mulheres negras que enfrentam as desigualdades e injustiças sociais diariamente foram lembradas no Balbúrdia desta terça (25). Euza Raquel, Educadora em Filosofia do Instituto Federal do Rio Grande do Norte (IFRN) de Mossoró e membro do Negedi (Núcleo de Estudos em Educação, Gênero e Diversidade), falou com Jana Sá e Rafael Duarte sobre o Dia da Mulher Negra Latino-Americana e Caribenha.

A data foi criada em 1992 por mulheres negras de 32 países que se reuniram, na República Dominicana, para dar visibilidade à luta contra opressão de gênero, exploração e racismo na América Latina.

Essa data é muito especial para nós, foi criada em julho de 1992 durante um encontro nosso que foi o 1º Encontro de Mulheres Afro-Latino-Americanas e Afro-Caribenhas em Santo Domingo, na República Dominicana. Faz parte dessa luta internacional da mulher negra contra o racismo, contra a opressão do gênero, contra a exploração de classe. Se trata de uma luta com viés interseccional contra todas as formas de opressão”, conta Euza Raquel.

Em 2013, o Instituto Odara criou uma ação voltada para o fortalecimento de ações coletivas e políticas que possam promover a autonomia da mulher negra nas diferentes esferas da sociedade. Nesse momento, a articulação das mulheres negras brasileiras, que é uma rede constituída por mais de 45 organizações distribuídas por todo Brasil, organiza essa agenda de incidência política na qual mulheres e movimentos negros de todo o Brasil estão organizadas para dar visibilidade a essas matérias.

Nós do IFRN também estamos na 11ª edição nacional e junto com o Negedi na 7ª edição, mesmo durante a pandemia nós participamos dessa agenda de incidência política”, ressalta a professora do IFRN, que também comentou a dificuldade de conseguir recursos financeiros para projetos ligados à temática étnico-racial.

Dimensões fundamentais

Para trabalhar as políticas no setor, a professora do IFRN sugere a formulação de projetos voltados para áreas essenciais.

Para começar, a entrevistada aponta que é preciso fortalecer ações de saúde pública e coletiva voltadas para a saúde da mulher negra e de combate à violência obstétrica, que ainda perpetua práticas que atribuem à mulher negra uma maior capacidade de aguentar a dor.

Euza Raquel também aponta a necessidade de formulação de uma educação antirracista, capaz de diminuir a evasão escolar e o respeito as religiões de matriz afro-brasileira.

Quando se percebeu negra?

É o olhar do outro que nos diz que há algo de diferente no nosso ser, em nosso modo de existir. A gente vai se descobrindo, o meu processo é muito semelhante de muita gente. Quando você está em casa, todos são negros. Aí de repente você vai para a escola, para a sociedade e você é tida como diferente e não é aquele diferente no sentido de que todos somos múltiplos, mas de que é algo que diz ‘há algo de diferente que não é tão significativo’. A partir daí você precisa criar um processo de se empoderar, de dizer que também somos importantes e desconstruir, mas para além das marcas do racismo que atinge a maioria da população negra brasileira. Hoje é preciso decolonizar e pensar numa realidade para além dessas marcas porque existe uma história linda, maravilhosa sobre a diversidade do nosso povo e, muitas vezes, é essa história que não é mostrada, invisibilizada, daí a importância de dias como o de hoje”, analisa.

Política

Se analisarmos, por exemplo, a última eleição, quantas mulheres negras nós tivemos? Temos aí a nossa maravilhosa Diva [Divaneide Basílio, deputada estadual] atuando em Natal, mas quantas mulheres negras, de fato, nós temos? Onde elas estão? Muitas vezes elas estão ali na hora de fazer campanha e estar presentes nas chapas, mas na hora de colocá-las no poder, nós estamos colocando?... Somos a maioria da população, então por que não somos representadas como a maioria da população?”, questiona.

Durante a entrevista, Euza Raquel também lembrou o assassinato da vereadora Marielle Franco e a dor das mães que veem seus filhos serem assassinados diariamente.

Você pode conferir a entrevista completa, CLICANDO AQUI.

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