Projeto social questiona ação da PM durante atividade com crianças
Natal, RN 2 de mar 2024

Projeto social questiona ação da PM durante atividade com crianças

5 de fevereiro de 2024
4min
Projeto social questiona ação da PM durante atividade com crianças
Abordagem ocorreu no sábado, 3 de fevereiro | Fotos: cedidas

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O Balé da Ralé se surpreendeu com ação inesperada da Polícia Militar do Rio Grande do Norte (PMRN), no sábado (3), durante as atividades da colônia de férias, promovida pelo projeto sociocultural da comunidade Novo Horizonte, antiga Favela do Japão, no bairro das Quintas, zona Oeste de Natal (RN). Os policiais teriam interrompido a programação, e toda a recreação, ao adentrar a sede do projeto com armas em punho, surpreendendo e assustando crianças e mães que participavam da atividade. O Balé da Ralé oferece aulas de dança a crianças entre 3 e 14 anos gratuitamente, de forma voluntária.

A idealizadora do projeto, Saryne Fernandes, alega falta de cuidado e denuncia a arbitrariedade na invasão dos agentes ao local, o que paralisou em definitivo a recreação. A colônia de férias havia começado no dia 1º deste mês e seria realizada até a próxima quarta-feira (7), encerrando com um desfile
durante o Carnaval.

Tivemos que parar as atividades. As crianças ainda estão muito assustadas. A polícia continua rondando a favela”, lamentou Saryne Fernandes, ao lembrar os momentos de terror vivenciados por 66 crianças e cerca de 30 adultos, que estavam no local.  

A Agência Saiba Mais tentou contato com a Polícia Militar do Rio Grande do Norte (PMRN), que não se manifestou até a publicação deste texto. A Secretaria de Estado da Segurança Pública e da Defesa Social (Sesed) informou que só poderá se manifestar após denúncia formal. O grupo terá reunião na terça-feira (6) com a pasta.

Quando os policiais se aproximaram, a turma estava fazendo guerra de bexiga de água e não havia escutados os tiros. “A comunidade relata que teve uma média de 30 tiros e a mídia e a polícia disseram que teve um policial atingido. O fato foi na outra extremidade da comunidade e aí a polícia veio e apontou a arma para as crianças. Eu e outra mãe ainda avisamos que só tinha criança ali, mas mesmo assim eles queriam entrar no projeto. Como só tinha criança eu não permiti. Aí as crianças passaram mal, as mães passaram mal; teve mãe desmaiada, criança que teve crise de ansiedade.”, contou a professora de dança, que dá aula e reúne outros voluntários desde 2021.

Um desses professores chegou a ser revistado, porque tinha machucado um pé e estava usando uma faixa elástica. Na ocasião, a PM alegou podia ser uma tornozeleira eletrônica.

“A gente sempre tem o cuidado de levar as crianças que vieram sem os pais, em situações como essa. Quando a gente conseguiu acalmar a situação, acho que tinham umas cinco ou seis crianças ainda no projeto, a polícia voltou lá, entrou sem mandado, entrou e encostou um de nossos voluntários”, continuou o relato a professora, dando “graças a Deus” não terem levado ou machucado ninguém, apesar dos danos psicológicos para todos.

“A gente não questiona o trabalho da polícia, mas sim a forma como a abordagem foi feita. Eles têm o direito e dever de estarem protegendo, na verdade. Mas, infelizmente, não é a realidade na comunidade, porque o que era pra ser uma proteção acabou causando traumas às crianças numa tarde de terror.”, disse a professora.

O Balé da Ralé atende a 120 crianças e está fazendo campanha de arrecadação para reforma de ampliação da sede, já que o espaço é pequeno. A ação do sábado era realizada na rua, o que reforçou a necessidade de terem novo lar. “A gente não postou pra pedir dinheiro pra reforma. A gente precisa fazer a reforma e o que era urgente se tornou mais ainda, mas a gente tá aqui reivindicando o direito das nossas crianças de estarem em ambiente aberto, o direito à cultura, são direitos fundamentais.”, esclareceu Saryne em vídeo.

Projeto Balé da Ralé questiona atuação desproporcional da Polícia Militar ao interromper com armas apontadas para crianças e mães durante atividades da colônia de férias do projeto sociocultural.

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