Assassinato de Joka, da Tapiocaria da Vó, segue sem solução 
Natal, RN 24 de mai 2024

Assassinato de Joka, da Tapiocaria da Vó, segue sem solução 

5 de março de 2024
4min
Assassinato de Joka, da Tapiocaria da Vó, segue sem solução 
Foto: Acervo Pessoal / Facebook

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Nesta terça-feira (5) marca um mês do assassinato do agitador cultural e morador da Vila de Ponta Negra, Joka Lima, proprietário da Tapiocaria da Vó. Morador respeitado e amado em sua localidade, Joka foi assassinado na madrugada do dia 5 de fevereiro, na Prainha de Pirangi, em um roubo seguido de morte que segue sem solução até hoje. Familiares, amigos e comunidade cobram e pedem por soluções deste caso. 

A Tapiocaria da Vó, criada pelo agitador cultural, é um espaço que além de ser um restaurante, também serve de palco para apresentações artísticas e culturais. Joka também era um incentivador da cultura nativa, como os bordados feitos em bilros e outras manifestações populares, que sempre tiveram destaque em seu espaço.

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Um mês depois, o crime ainda "segue em investigação", como aponta a Polícia Civil. Na época, a ocorrência foi atendida pela Divisão de Homicídios e Proteção à Pessoa (DHPP) de Plantão, e o crime está sendo investigado pela DHPP de Parnamirim. 

Uma questão de justiça 

“É muito doloroso para a família não ter respostas. E para nós, que somos da comunidade, a gente sente uma questão de injustiça muito forte, né? Uma sensação de impotência”, desabafou Lia Araújo, moradora da Vila de Ponta Negra, militante do Movimento Negro Unificado, diretora de mulheres na União Estadual dos Estudantes e amiga de Joka.

Lia também contou que o mês que passou foi de muito apreensão. Isso porque, além da saudades, ninguém ainda sabe o motivo do assasinato do agitador cultural. O que abre margem para pensar várias possibilidades, dentre elas a especulação imobiliária, uma vez que Joka era uma pessoa que ocupava espaços, não somente na Vila de Ponta Negra, mas também entre Cotovelo e Pirangi. 

“A gente acredita que a justiça está na mão da polícia, mas até agora não tivemos nenhum pronunciamento sobre o caso”, aponta a diretora. 

A militante explicou que Joka era um Griô na comunidade da Vila. Griô, em uma comunidade, é a pessoa responsável por guardar a memória e histórias do lugar.

“Joka era o griô da nossa comunidade. E um griô tem uma função que é exatamente de guardar a memória, de guardar a história, e quando se perde um griô, uma comunidade fica órfão, né? De histórias, de memórias, mas a gente vai continuar nessa luta e nesse resgate pela memória de Joka. No dia do aniversário dele (12) será um dia de celebração. Será um dia dedicado à justiça e ao tributo em memória de Joka.”, finalizou.

Polícia Civil ainda segue em investigação sobre o caso

Procurada pela reportagem mais uma vez, a Polícia Civil informou que o assassinato de Joka ainda segue em investigação e que quaisquer novidades sobre o caso será informado. 

De acordo com o relatório “Onde mora a impunidade?”, do Instituto Sou da Paz, o Rio Grande do Norte esclareceu menos de 10% dos homicídios que ocorreram entre 2020 e 2021. Dos 1.092 homicídios registrados no RN em 2020, 92 foram esclarecidos. Já em 2021, houve um pequeno aumento: 1.190 mortes, sendo 105 esclarecidas. O responsável pelo envio dos dados foi o Tribunal de Justiça, via Lei de Acesso à Informação (LAI).

“Um dos fatores que contribuem para a perpetuação dos homicídios no Brasil são as taxas de impunidade. Quando o estado não investiga de forma correta e não responsabiliza os autores, dá-se um recado de que esses crimes não são importantes. E isso é um incentivo para que a prática continue acontecendo”, explicou Carolina Ricardo, diretora-executiva do Instituto Sou da Paz, em dezembro, quando o estudo foi publicado.

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