Parte de falésia desaba em Tabatinga, litoral Sul do RN
Natal, RN 25 de mai 2024

Parte de falésia desaba em Tabatinga, litoral Sul do RN

26 de março de 2024
5min
Parte de falésia desaba em Tabatinga, litoral Sul do RN
Deslizamento de falésia em Tabatinga I Imagem: cedida pela Defesa Civil

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O trecho de uma falésia da praia de Tabatinga, em Nísia Floresta, litoral Sul do Rio Grande do Norte, desmoronou na manhã desta terça (26). A informação foi confirmada à Agência Saiba Mais pelo Secretário Municipal de Meio Ambiente de Nísia Floresta, Bismarck Sátiro. O local já estava sinalizado com advertência de perigo e não houve feridos.

“Foi logo cedo, ao amanhecer. Estamos monitorando a sinalização que já estava colocada, cumprindo uma recomendação do Ministério Público Federal. O problema é que o pessoal, muitas vezes, retira”, revela Bismarck.

A sinalização avisando sobre o risco de desmoronamento de terreno nas bordas das falésias foi reposta pela última vez em agosto do ano passado. O local no qual foi identificado o deslizamento fica perto da Igrejinha, no caminho para o Rancho dos Pescadores.

Estamos sempre passando nos locais para repor as sinalizações. Também colocamos cercas e manilhas de proteção, uma série de coisas”, acrescenta Bismarck.

Área de falésia sinalizada I Foto: Prefeitura de Nísia Floresta

Os riscos do aquecimento

O professor do Departamento de Geografia da Universidade Federal do Rio Grande do Norte (UFRN), Rodrigo de Freitas, explica que o risco de novos deslizamentos em falésias de todo o Rio Grande do Norte tem aumentado por causa do processo de erosão, que tem sido acelerado pelos efeitos do aquecimento global.

O risco tem crescido uma vez que temos identificado um aumento na erosão em falésias no Rio Grande do Norte. Trechos que não estavam sendo erodidos, agora estão rapidamente sendo modificados”, revela o professor da UFRN.

Nesta quarta (27), o pesquisador da UFRN irá voltar até o local do deslizamento para fazer novas medições e mapeamentos com uso de equipamentos e drone.

A aceleração tem relação com o momento mais recente. É o que muitos pesquisadores chamam de antropoceno. Como temos elevação do nível do mar e um conjunto de mudanças que têm ampliado a erosão costeira, todas as áreas de falésias passaram a ter uma aceleração da erosão”, detalha o professor que é um dos autores do ebook "Mudanças ambientais e as transformações da paisagem no nordeste
brasileiro
", no qual dedica um dos capítulos às falésias de Tabatinga.

"Devido a sua formação geológica, as falésias da praia de Barra de Tabatinga são expostas constantemente ao retrabalhamento de sedimentos praiais por processos eólicos, a amplitude de marés varia de 2 a 4 metros e a tectônica quaternária que se mostra ativa", traz um trecho do livro.

O professor da UFRN explica que "tectônica quaternária" são esforços na crosta terrestres que acabam produzindo falhas, fraturas e movimentos que deram origem às falésias.

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Tragédias

Em março do ano passado, a Defesa Civil de Parnamirim, cidade da região metropolitana de Natal, declarou que havia alto risco de deslizamento das encostas e falésias localizadas no município.

Em dezembro de 2022 parte de uma falésia localizada na Praia de Cotovelo, em Parnamirim, desabou. O local estava sinalizado e não houve feridos.

Em novembro de 2022 uma família morreu após parte de uma falésia desabar na praia de Pipa, no município de Tibau do Sul. As vítimas foram identificadas como o casal de jovens Hugo Pereira e Stella Souza e o filho deles, Sol, de apenas sete meses de idade, além do cachorro da família. 

RN

O Rio Grande do Norte possui falésias em 14 municípios: Baía Formosa, Tibau do Sul, Nísia Floresta, Parnamirim, Natal, Maxaranguape, Rio do Fogo, Touros, São Miguel do Gostoso, Macau, Porto do Mangue, Areia Branca, Tibau e Senador Gerorgino Avelino. 

São cerca de 105 quilômetros do litoral potiguar, o equivalente a 30% da zona costeira, estimada em 410 quilômetros. 

Confira um vídeo feito na falésia de Tabatinga que deslizou nesta terça (26):

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