CULTURA

Chico Buarque ataca Bolsonaro em entrevista ao jornal Le Monde

Morando na França cerca de 50 anos depois do período em que esteve em exílio no país, o cantor e compositor Chico Buarque concedeu uma entrevista ao jornal francês Le Monde onde criticou o atual governo brasileiro presidido por Jair Bolsonaro. O artista entrou com um pedido de visto de longa duração e está em Paris, de onde escreve um livro iniciado no começo do ano.

Figura de oposição à ditadura militar, o escritor contou ao jornal que em razão de uma cultura de ódio instaurada no Brasil, artistas brasileiros não têm boa receptividade no novo governo, o qual considera neofascista por colocar em prática um regime de direita. Além do desprezo pelas manifestações culturais, Chico acusa Bolsonaro de ser influenciado pelo filósofo Olavo de Carvalho, por um“ministro da educação contra a educação” e “um ministro do meio ambiente contra o meio ambiente”, além de um chanceler “louco”. “Esse homem vai contra a história de excelência da diplomacia brasileira”, desabafa.

Apesar disso, os planos do romancista em Paris, são temporários. “Não posso viver longe de meu país”, revela.

Segundo Chico, a crise política no país teve início, de maneira concreta, com o impeachment instaurado contra a ex-presidenta Dilma Rousseff. Apesar do golpe, o compositor critica a postura do Partido dos Trabalhadores nos últimos tempos e disse que o partido foi estigmatizado.

“Ele decidiu fazer do PT um partido de governo. Por isso fez concessões, acordos com forças que o PT não teria aceito em tempos normais. O PT deixou de ser um partido de esquerda para se tornar uma formação socialdemocrata”, explica.

O artista incentivou que mobilizações contra Bolsonaro fossem feitas fora do Brasil, apesar de considerar baixo o prestígio do Brasil no exterior.

“Não sei como tudo isso vai acabar. O fracasso desse governo me parece óbvio”, declarou.

Sobre a extinção do Ministério da Cultura, Chico atacou:

“Às vezes me digo que é melhor não ter ministro da Cultura neste governo. A cultura já é atacada de toda parte, se tivesse um ministro, a situação seria ainda pior”, desabafa.

 

 

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