Fundação Viva Cazuza veta música “Brasil” em atos bolsonaristas
Natal, RN 16 de jun 2024

Fundação Viva Cazuza veta música "Brasil" em atos bolsonaristas

11 de maio de 2020
Fundação Viva Cazuza veta música

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Por Rede Brasil Atual

Brasil, a música, faz parte do álbum Ideologia, lançado por Cazuza em 1988, já depois do ciclo militar, mas ainda na expectativa de eleições diretas para presidente da República e por mudanças na política brasileira. Foi trilha sonora de novela e fez sucesso na voz do autor e de Gal Costa. Agora, a família de Cazuza e seus parceiros na composição vieram a público para lamentar o uso em ato bolsonarista e vetar sua execução.

“‘Brasil’ é uma música de grande importância na democracia brasileira e ser usada junto a gritos de ordem e cartazes que pedem o fim da democracia é inaceitável”, afirmam, em nota, Lucinha Araújo, mãe do artista e responsável pela Fundação Viva Cazuza, e os compositores George Israel e Nilo Romero.

Eles fizeram menção à matéria publicada no jornal Folha de S. Paulo sobre apoio de Jair Bolsonaro a um ato, em Brasília, contra o Supremo Tribunal Federal e o Congresso Nacional, durante o qual o presidente da República disse que as Forças Armadas estavam “ao lado do povo”. E citam a Lei 9.610, de 1998, sobre diretos autorais, para proibir a execução de qualquer obra ou interpretação de Cazuza “em qualquer evento e/ou manifestação dessa natureza”.

Isolamento e solidariedade

“Apoiamos a democracia e não atitudes violentas. Seguimos as orientações da OMS que recomenda que a população fique em casa, em isolamento, pensando no bem de todos, sendo solidários e trabalhando para diminuição do sofrimento e privação dos mais vulneráveis”, afirmam ainda. A entidade participa de arrecadações para comunidades.

Em 7 de julho, completam-se 30 anos da morte de Cazuza. Foi justamente em 1990 que tomou posse o primeiro presidente eleito pelo voto direto desde 1960 – Fernando Collor sofreu impeachment dois anos depois.

Confira a nota divulgada pela Fundação Viva Cazuza na íntegra:

Prezados Senhores,

Foi com grande pesar que tomamos conhecimento através de artigo no jornal Folha de São Paulo, do dia 03/05/2020 com o título “Bolsonaro volta a apoiar ato contra o STF e Congresso e diz que Forças Armadas estão ao ‘lado do povo’”, que a música “BRASIL” foi uma das usadas na manifestação. Brasil é uma música de grande importância na democracia brasileira e ser usada junto a gritos de ordem e cartazes que pedem o fim da democracia é inaceitável.

Com base nas prerrogativas dadas pelo artigo 29 da Lei de Direitos do Autor (Lei 9610/98), a Viva Cazuza desde logo torna pública a proibição da execução de qualquer obra ou interpretação de Cazuza em qualquer evento e/ou manifestação dessa natureza, ficando qualquer um que desrespeite esta proibição sujeito à aplicação das sanções civis e penais cabíveis em virtude de violação de direitos autorais.

Apoiamos a democracia e não atitudes violentas. Seguimos as orientações da OMS que recomenda que a população fique em casa, em isolamento, pensando no bem de todos, sendo solidários e trabalhando para diminuição do sofrimento e privação dos mais vulneráveis.

Atenciosamente,

Lucinha Araújo(Cazuza), George Israel e Nilo Romero

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