Vice-governador do RN recebe alerta sobre infiltração de bolsonaristas na PM
Natal, RN 26 de mai 2024

Vice-governador do RN recebe alerta sobre infiltração de bolsonaristas na PM

23 de agosto de 2021
Vice-governador do RN recebe alerta sobre infiltração de bolsonaristas na PM

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A reunião desta segunda (23), do Fórum Nacional de Governadores começou com o alerta do governador de São Paulo, João Dória (PSDB), sobre o risco de infiltração de bolsonaristas nas polícias estaduais. Ele afastou o coronel Aleksandro Lacerda, que comandava sete batalhões da PM no interior de SP, depois que o policial fez postagens em redes sociais convocando amigos para um ato bolsonarista marcado para 7 de setembro.

O vice-governador, Antenor Roberto, substituiu a governadora Fátima Bezerra (PT) e representou o Rio Grande do Norte no encontro. Ele comentou sobre outros pontos de pauta da reunião e reforçou a preocupação de todos com a postura política do presidente, que tem tencionado a relação entre os diferentes poderes poderes da República.

Vice-governador, Antenor Roberto

"Existe essa mobilização convocada para o 7 de setembro que exige muitos cuidados. Como vai ser em Brasília, o governador do Distrito Federal vai enfrentar uma situação extremamente complexa porque na reunião discutimos que a liberdade de expressão não combina com pautas que propõem acabar com o estado democrático de direito e vulnerabilizar as instituições. A mobilização de pessoas armadas não é manifestação, é motim! Nesse sentido, os governadores estão muito preocupados. Hoje , inclusive, o governador Dória afastou um dos comandantes dele que propôs violação do estado democrático de direito, sendo o Comandante da polícia do estado mais importante do Brasil. Então, está tendo uma falta de compreensão entre o que é liberdade de expressão e de organização, onde todos têm que estar dentro de um quadrado chamado Constituição Federal e com harmonia entre os três poderes", comentou o vice-governador após a reunião.

A possibilidade de ações isoladas e do uso de armas em manifestações também tem preocupado membros das polícias que não fazem parte da ala extremista atiçada pelo bolsonarismo.

“Esse alerta é, talvez, a maior incógnita em relação a 2022. Não é um aviso que vem de agora, outros colegas e eu mesmo já fiz esse alerta. A dúvida e o temor com relação ao papel das polícias ou policiais militares em relação a 2022, perturbações à ordem, ameaças institucionais, ao pleito e à democracia brasileira. Já sabemos, a partir da política de armamento de Bolsonaro e dos números assustadores com relação à difusão de armas de fogo no Brasil, que podemos ter atos isolados ou de pequenos grupos. Isso já é de se esperar, os candidatos, inclusive, correm risco de vida. Será uma eleição muito complicada e temerosa. Mas, não sabemos, a partir de levantes como a do Capitólio e de grupos extremistas, qual será o papel das polícias em cumprir o papel de retaguarda. Será que não teremos entre estes, PM’s instigando outros colegas e a população a se levantar contra a democracia brasileira?", questiona Pedro Chê, que faz parte do grupo Antifas (Policiais Antifascistas) no RN.

Apesar da ligação direta entre as Forças Armadas e a presidência da República através da ocupação de vários cargos no Governo, inclusive, no primeiro escalão, Pedro Chê acredita que a atenção maior deve ser voltada para os grupos locais.

Observando à distância, as Forças Armadas parecem ser menos influentes nesse processo. Até porque o efetivo do exército hoje não chega a 200 mil, enquanto o de policiais militares é de 500 mil. Temos que ver, por exemplo, o que aconteceu recentemente em Pernambuco quando, ao que parece, um coronel querendo sabotar o Governo pediu que a polícia agisse com extrema truculência contra uma manifestação pacífica e democrática. Além disso, teve o ato isolado, que deve aumentar muito, do policial no Farol da Barra, na Bahia. Esse policial acabou por unir os problemas pessoais e o transtorno psicológico que tinha a um extremismo ideológico e acabou atirando contra os colegas e sendo morto. Tomara que as polícias e policiais militares, apesar de influenciados pelo bolsonarismo, em um momento tão grave, se atentem à sua missão, que é de proteger a ordem pública e não de sabotá-la”, aconselha Chê.

Post de Pedro Chê nas redes sociais

Em suas redes sociais, o coordenador do Fórum e o governador do Piauí, Wellington Dias, havia adiantado que uma das pautas do encontro seria a discussão da proposta de reforma tributária. Um acordo já havia sido pactuado entre as 27 unidades da federação (26 estados e Distrito Federal), municípios, União, empresários, trabalhadores e técnicos da área. Mas, o Governo Federal sob o comando de Bolsonaro (sem partido) apresentou outra proposta.

Além de prejudicar a relação entre as instituições, Antenor Roberto também apontou que Bolsonaro tem empurrado obrigações que são do Governo Federal para os governos estaduais.

"Um exemplo é quando ele [Bolsonaro] atribui aos governadores a culpa pelo preço da gasolina. Isso também traz enormes danos para as economias locais porque, numa situação de instabilidade, aos invés haver crescimento dos investimentos, eles recuam. Esse prejuízo também está em algumas propostas como a da reforma tributária. Já tínhamos avançado muito para aliviar a tributação sobre o consumo, mas ela voltou a ser uma proposta conservadora e ainda faz com que os estados percam receita. Além disso, também prejudica o Fundeb [Fundo de Manutenção e Desenvolvimento da Educação Básica e de Valorização dos Profissionais da Educação] que hoje está subfinanciado e o governo federal não acenou com qualquer reposição para que possamos manter, bem ou mal, o piso salarial dos professores. Também há a Pec dos Precatórios em curso, foi através desse tipo de pagamento que conseguimos recursos para a construção das novas escolas técnicas estaduais onde conseguimos mais de R$ 280 milhões e o estado vai entrar com mais R$ 100 milhões. Mas, pela proposta feita pela presidência, estados que já alcançaram esse patamar, terão que esperar mais nove anos para receber os precatórios devidos pela União", denunciou Antenor Roberto.

Preocupados com a variante Delta da covid-19, os governadores aprovaram um pacto pela vida na qual priorizam a vacinação em todo o país. Sem citar os problemas que o presidente da República tem causado ao questionar a democracia e o Supremo Tribunal Federal (STF), Wellington Dias falou sobre criar um ambiente de serenidade, confiança e estabilidade no Brasil. O grupo solicitou agenda com presidente da República, além dos presidentes da Câmara Senado e Supremo.

https://twitter.com/wdiaspi/status/1429850823480184837
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