Lula recebe livro sobre comunidade quilombola fundada em Parelhas (RN)
Natal, RN 28 de mai 2024

Lula recebe livro sobre comunidade quilombola fundada em Parelhas (RN)

23 de agosto de 2021
Lula recebe livro sobre comunidade quilombola fundada em Parelhas (RN)

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O ex-presidente Lula recebeu das mãos do deputado Francisco do PT o livro “Quilombo Boa Vista dos Negros: cultura, escola e cidadania”, da escritora e conterrânea Suely Souza.

O livro conta a história e as particularidades da comunidade parelhense que é conhecida em todo o Estado pelas suas tradições e manifestações culturais.

O deputado Francisco relatou o motivo da escolha do presente.

“A escolha tem algumas razões especiais. Entre elas o orgulho que sentimos de nossa comunidade e a outra porque a Boa Vista dos Negros viu a sua realidade mudar pra melhor, na época em que Lula estava na presidência. É um exemplo da melhoria da qualidade de vida do povo brasileiro naquela época”, disse o parlamentar.

O livro “Quilombo Boa Vista dos Negros: Cultura, Escola e Cidadania” é uma publicação da editora Caravela Selo Cultural e está à venda na Cooperativa Cultural da UFRN.

Em entrevista recente ao site da Adurn-Sindicato, a escritora Suely Souza falou sobre o livro. Segundo ela, um dos pontos investigados foi a aplicação da lei 10639/2003, que obriga o ensino da cultura negra nas escolas, e não é seguida corretamente.

Mesmo estando nos documentos oficiais das escolas, isso não vem sendo aplicado. Não há uma representatividade do negro dentro da escola”, critica a professora, antes de destacar a falta de incentivo no município:

“Por exemplo, não se trabalha a história do Quilombo. Parelhas, a cidade, surgiu posterior ao surgimento desse quilombo e esse quilombo não se encontra na historiografia oficial do município”, continua.

Para ela, a representação dos quilombos ainda é caricaturizada.

“Os negros da Boa Vista são por muitas vezes vistos como um folclore, como se eles servissem para animar as festas do Dia da Consciência, do desfile de 7 de setembro, a festa de padroeiro”, afirma. “Mas eles não são vistos como dando importância à sua ancestralidade, às suas tradições, e a gente vê que esses conteúdos sobre a África ainda não estão presentes no dia a dia das salas de aula”.

Segundo Suély, o desconhecimento que alguns dos seus alunos sofrem também é compartilhado por outros professores, que ainda veem essas culturas como “engessadas no passado”.

“As pessoas ainda veem quilombo como um lugar de refúgio, como era lá no Brasil colonial. Enquanto que quilombo hoje é um lugar de libertação, é um lugar onde eles podem e vivem a sua cultura de forma livre, as suas tradições de forma livre”, enfatiza.

A educadora diz ainda que esses problemas são resultados do “preconceito encrustado”.

“Os profissionais percebem a necessidade e a importância de se trabalhar sobre cultura afro, mas aquele preconceito ainda presente nas pessoas o impedem de realizar um trabalho realmente eficaz”, afirma. De acordo com ela, a diversidade étnica está presente dentro das salas de aula, “mas a forma de se trabalhar essa diversidade é que ainda não é eficiente”. Assim, para Suély, é necessário que os currículos escolares deixem de ser apenas um “currículo escrito” e virem um “currículo-ação”.

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