CIDADANIA

Mãe denuncia negligência do Marista de Natal ao lidar com casos de racismo sofridos pelo filho

Em um relato emocionado nas redes sociais, Jacqueline Brito, mãe de uma criança de 9 anos que estuda no Marista, um dos mais tradicionais colégios de Natal (RN), conta que vem sendo ignorada ao denunciar os casos de racismo sofridos pelo filho, principalmente, ao longo deste ano.

Em um dos episódios mais recentes, a criança teria sido perseguida e agredida por outros cinco colegas. O caso sequer foi comunicado à mãe, que ficou sabendo da agressão pelo próprio filho.

Qual a criança branca que é perseguida por outras cinco crianças, é chutada, pisada na mão e a mãe não é informada?”, questiona a mãe.

Em nota, o Marista de Natal afirmou que está se reunindo com a família da criança. Mas, a mãe do menino nega a informação e diz que há dois anos tenta se reunir com a direção do colégio para resolver as situações de racismo enfrentadas pelo filho, mas que foi barrada em diversas situações, mesmo com reunião agendada.

Jacqueline conta que teve que ir seis vezes à escola para conseguir uma reunião com a coordenação da escola e que mesmo na última, quando doi atendida, ainda tentaram dissuadi-la do encontro sob a alegação de que ela estaria atrasada, o que foi desmentido pela mãe, conforme recado escrito na agenda do filho pela própria escola.

Essa primeira reunião com a diretora foi um show de horrores, ela me disse que ter filho preto ou branco é a mesma coisa, que não é difícil, que ser mulher e ter filhos no mercado de trabalho tá tudo bem”, desabafou.

Além da agressão física, a criança também contou à mãe casos de violência psicológica, como quando a mãe de uma coleguinha teria dito que o menino tem a cor da pele parecida com cor de cocô.

“Meu filho não se sente parte da sala dele”, relata a mãe, que ainda conta que depois do último episódio explícito de racismo sofrido pelo filho, ele voltou a fazer xixi na cama, o que não acontecia mais com a criança, que tem nove anos de idade.

Na mesma nota em que declara medidas adotadas pela escola para evitar situações de racismo, como orientação à equipe pedagógica, a instituição também afirma que não pactua com nenhum tipo de preconceito e não vai permitir que nenhum tipo de ação danosa à vida passe despercebida na escola.

Eu luto não só pelo meu filho, mas por outras crianças pretas que não sabem nem falar, se posicionar. Meu filho sabe porque ele é uma criança em terapia”, continua a mãe, que teve o pedido de consulta às fichas de atendimento pessoal do filho negado pela escola. No documento, ficam registradas as ocorrências de agressão sofridas pela criança no espaço da escola.

Além das situações de preconceito sofridas pelo filho, Jacqueline ainda denuncia a falta de acolhimento da escola com o filho. Ela conta ainda que costumava ficar mais tranquila ao deixar o filho no Marista no ano passado, quando a criança era cuidada pela professora Bruna, por quem a criança nutre afeto até hoje. Jaqueline também demonstrou descontentamento com a atual equipe responsável pela classe na qual o filho estuda, que seria pouco acolhedora. Ela ainda relata que diante da agressão mais recente sofrida pelo menino, a escola teria impedido a criança de buscar acolhimento junto à professora do ano passado.

“Bruna abraçava a causa dele, a instituição não. Ela tem esse amor tanto no sistema privado, quanto no público e eu admiro demais essa mulher. Ele não vai deixar de passar essas situações em outros lugares, mas eu preciso que a instituição se comprometa, trabalhe essas questões, porque é muito doloroso”, lamenta a mãe que ainda observou que este ano o filho passou a ter queda no desempenho escolar e um comportamento mais impaciente.

Confira o desabafo da mãe na íntegra:

Veja a nota emitida pela escola:

O Colégio Marista de Natal está em diálogo com a família do estudante, referente ao caso denunciado nas redes sociais, e tratando da situação. A atuação psicopedagógica da unidade nos próximos dias garantirá o direito a educação integral do aluno e a convivência harmoniosa. Nossas equipes são atualizadas constantemente para identificar qualquer tipo de situação constrangedora e de discriminação em nossos espaços educativos, bem como orientar famílias e estudantes. Reforçaremos, com nossos educadores, essas ações. Não pactuamos com nenhum tipo de preconceito e não permitiremos que nenhum tipo de ação danosa à vida passe despercebida em nossa escola. Nossos valores institucionais e nosso projeto pedagógico são pautados no cuidado e respeito ao outro. Estamos empenhados a construir espaços educativos cada vez mais seguros para o desenvolvimento de crianças e adolescentes comprometidos com um mundo mais justo para todos. Estamos abertos ao diálogo e a quaisquer dúvidas das famílias da comunidade educativa do Marista de Natal.

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