ENTREVISTA

Conheça Rayane Andrade, advogada negra pré-candidata a deputada estadual no RN

A pré-candidata a deputada estadual pelo PT Rayane Andrade se apresenta antes de tudo como filha de trabalhadores. Mulher negra, bissexual, com mãe professora e pai soldador, ela se orgulha em dizer que tem a vida atravessada pela política, já que contrariou séculos de opressão ao chegar à universidade, onde cursou Direito.

Na Universidade Federal Rural do Semi-Árido (Ufersa) conheceu a militância. É advogada, professora e doutoranda em Direitos Humanos pela UnB.

“Não cheguei na Ufersa sozinha. eu cheguei porque tiveram homens e mulheres que sonharam que era possível que pessoas negras, da classe trabalhadora, estivessem em espaços que não foram desenhados para nós. eu tô contrariando as estatísticas”, contou em entrevista ao Programa Balbúrdia desta segunda-feira (11).

“Eu costumo me imaginar naquela figura do rio. O rio nasce em vários lugares e acaba desaguando sempre no mar e nesse percurso que eu fiz, o mar que desaguei foi o Rio Grande do Norte. Essa terra me pariu militante”, disse Rayane, que é natural de Juçara (GO) e tem passagem pelo Ceará.

Foi coordenadora do Diretório Central dos Estudantes (DCE-Ufersa), integrante do Movimento Pau de Arara e em 2016 se candidatou a vice-prefeita de Mossoró na chapa com o candidato a prefeito Gutemberg Dias (PCdoB).

Diz que continuou na advocacia influenciada pela deputada federal também advogada Natália Bonavides (PT) que lhe falou sobre advocacia popular.

“A democracia representativa, esse modelo que nós adotamos, foi sendo desenhada por homens brancos proprietários e quando nós fazemos essa reivindicação de ocupar esses espaços é justamente pra mostrar a contradição que está posta. Nós, o Rio Grande do Norte é um estado que não foge à regra do país: majoritariamente negro, com mais eleitoras mulheres e que não se veem representadas nessa Casa [Legislativa]”, dissertou a pré-candidata.

Para Rayane, é preciso reafirmar que as cadeiras representativas precisam ser ocupadas pelo povo, mudando a “fotografia do poder”.

“A Assembleia Legislativa do Rio Grande do Norte não pode ser casa de pensão pra aposentadoria de prefeito. Tem que acabar com essa história. Não pode ter vaga ocupada por gente que tá há oito, nove, dez mandatos, é quase como se fosse um loteamento”.

Confira toda a entrevista no Programa Balbúrdia:

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Isabela Santos é jornalista e repórter da agência Saiba Mais