DEMOCRACIA

Bolsonarista, Rogério Marinho muda de pardo para branco em quatro anos para tentar chegar ao Senado

Até 2018, para a Justiça Eleitoral, o ex-ministro do Desenvolvimento Regional e aliado de primeira hora do presidente Jair Bolsonaro (PL), Rogério Marinho (PL), se reconhecia como pardo. Entretanto, nas eleições de 2022 ele “mudou” de cor. No registro de candidatura para as eleições de 2022, em que concorre a uma vaga no Senado, ele se declarou branco.

Marinho já disputou nove eleições no Rio Grande do Norte, para cargos como vereador e prefeito de Natal, deputado federal e, agora, senador. Até 2012, a informação sobre sua autodeclaração de cor/raça não constava nos registros do Tribunal Superior Eleitoral (TSE). Já em 2014, quando concorreu à Câmara Federal, Marinho se autodeclarou pela primeira vez como pardo, que se repetiu na sua tentativa fracassada de reeleição em 2018.

Com a mudança na declaração, Rogério Marinho faz parte dos 267 candidatos autodeclarados brancos nas eleições do Rio Grande do Norte, que representam 48,9% do total de candidaturas. Os pardos somam 222 pessoas (40,66%) e pretos são apenas 53, equivalente a 9,71%. Há ainda mais duas candidaturas registradas como amarelas e duas como indígena, com 0,37% cada.

Bolsonarista e relator da Reforma Trabalhista

A mudança vem em meio a sua radicalização à direita e o alinhamento com o Governo Federal. Após perder a reeleição para deputado federal em 2018, Marinho foi nomeado como secretário especial de Previdência e Trabalho do Ministério da Economia, no primeiro ano do governo Bolsonaro, como uma espécie de afago dado pelo Planalto por ele ter ajudado a aprovar a reforma da Previdência e ter relatado a reforma trabalhista proposta por Michel Temer. Ele ficou no cargo até 2020, quando foi alçado ao primeiro escalão do governo e nomeado como ministro do Desenvolvimento Regional. Agora, é candidato ao Senado, reivindicando e fazendo campanha aberta para Bolsonaro. 

Em Brasília, na Reforma Trabalhista que ajudou a aprovar, foram alterados cerca de cem pontos da Consolidação das Leis do Trabalho (CLT), a partir de reivindicações do empresariado brasileiro. 

Dentre as regras, a nova reforma trouxe a jornada de trabalho intermitente, sem garantia de jornada fixa, e aumentou a terceirização. A defesa da reforma trabalhista foi apontada tanto por Marinho quanto por especialistas como um dos motivos que o levaram a sua não reeleição. Logo após perder a campanha, ele apontou entidades sindicais e o PT como responsáveis pelo que chamou de “desconstrução” da reforma. 

“Parlamentares de todo o país que votaram favoráveis à reforma sofreram essa agressão e tiveram a dificuldade de fazer a defesa pela exiguidade de tempo [da campanha]”, disse Marinho à Folha de São Paulo. Ainda assim, reafirmou ter muito orgulho do trabalho que fez enquanto relator.

Clique para ajudar a Agência Saiba Mais Clique para ajudar a Agência Saiba Mais
Artigo anteriorPróximo artigo